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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Maminhas!

Estou tão orgulhosa de todas aquelas mães na Argentina!

A Eva tem sido amamentada desde que nasceu. Desde o primeiro segundo. Já a amamentei no meio da rua, enquanto corria para a escola da mana mais velha. Amamentei-a na escola da mana mais velha. No autocarro, no metro. Em praticamente todas as lojas e supermercados onde entrei desde fevereiro. Num concerto de rock. Num espetáculo de dança. Na praia. À beira de piscinas, com os pés de molho. No parque infantil. Em esplanadas. Em todos os restaurantes onde comi. Numa despedida de solteira (querida Eurídice!!). No parque de estacionamento. Enquanto corrigia os trabalhos de casa da Laura ou enquanto estendia a roupa. Até durante uma depilação às virilhas (sim, é verdade!!).

É o meu corpo, as minhas mamas, a minha bebé, a minha decisão! Deal with it!


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Os nossos filhos são muito mais que uma nota num exame!

Hoje entreguei a minha filha na escola para fazer o teste intermédio de português do 2º ano de escolaridade.

Não há problema nenhum, porque não há alunos com menos 1 mês e meio de aulas.

Não há problema nenhum, porque toda a gente sabe que as crianças são todas iguais e aprendem todas da mesma maneira.

Não há problema nenhum, porque estamos a tratar estes alunos, como se fossem pequenos adultos, treinando-os como animais de circo para os exames do 4º ano, depois do 6º, do 9º e por aí fora.

Não há problema nenhum em trabalhar 1 ano inteiro tendo como único objectivo o bom rendimento nos exames.

Não há problema nenhum se o que queremos são crianças sem sentido crítico e que não pensem muito.

Hoje levei a minha filha à escola e disse-lhe o que lhe digo todos os dias "Amo-te muito, toma atenção e acima de tudo, diverte-te!". E as notas que se fodam!




sábado, 22 de fevereiro de 2014

Desculpa, Laura...

Por estares enfiada numa sala, com esse rabinho que nunca consegue estar quieto, das 9h às 18h30. Por vires para casa a chorar porque a professora bateu na mão do teu amigo ou gritou contigo porque estavas a olhar pela janela a ver passar uma nuvem em forma de gato.


Por trazeres trabalhos de casa como castigo, quando te prometi que estudar seria sempre uma maravilha.


Perdoa-me, Laura, por teres ficado sem recreio, quando me recusei a ver o teu sofrimento num domingo de sol (e têm sido tão raros), sentada na tua secretária, a tentares escrever a pérola da pedagogia “Devo estar com mais atenção às correções” vezes sem conta, e decidi que era bem mais produtivo irmos ver o Palácio da Pena e apanhar flores na serra, depois de teres estudado sexta quando chegaste da escola, mais sábado durante grande parte da tarde.


Por  veres  a mãe de uma colega tua a consolá-la porque a professora não a deixou ir à casa de banho e ela fez xixi pelas pernas abaixo e por ouvires o desespero de uma mãe desempregada, que não tem dinheiro para pagar explicações fora da escola, o apoio escolar não está a resultar e a filha pergunta-lhe porque é que é burra. Respondo-lhe que não há crianças burras, mas sim com diferentes formas de aprendizagem. Que são os adultos, neste caso, os professores, que têm que descobrir maneira de a cativar, e ela agradece-me porque nunca tinha pensado nisso. Nunca ninguém lhe tinha dito que a filha não é efectivamente burra.


Por chorares com medo de errares. Porque na escola ralham contigo quando erras.


Por começares a ter medo de falar.


Isto tudo, numa “escola-modelo”, numa capital europeia.



Esta não é a escola que eu quero para ti.


Quero uma escola em que os professores são amigos dos alunos e os alunos amigos dos professores. Uma escola em que todos se respeitem. Uma escola compreensiva, solidária, integrativa, justa e criativa. Livre de violência, de preconceitos. Que não seja submissa. Que forme efectivamente cidadãos. Sem castigos, sem agressividade, respeitando a especificidade, as particularidades e o ritmo de cada aluno.


Acima de tudo, uma escola onde se seja feliz. Porque toda a gente sabe que crianças felizes aprendem melhor.


Ainda vou a tempo, Laura. E isto é uma promessa.


sábado, 18 de janeiro de 2014

Pequeno resumo da Constituição da República Portuguesa


Sei que corro o grande risco de ser a chata deste blogue... 

Por vezes sinto uma certa perplexidade perante o que ouço e sobre o que se legisla e deixa de legislar. Achava que não se referendavam assuntos que tinham sido legislados há menos de 1 ano. Parece que sonhei quando há 8 meses a mesma Assembleia da República aprovou a legislação da co-adopção. Parece que não, que foi um engano.

E perante esta enorme perplexidade, vou procurar informar-me. Afinal o que é que estamos a referendar? A co-adopção que já está em processo legislativo? Ou a adopção por casais homossexuais? Parece que são as duas... E parece-me a mim que são dois assuntos importantes, sem dúvida, mas substancialmente diferentes. O que, segundo esta leitura, até torna este referendo inconstitucional... Enfim!

Sendo que a Assembleia da República é a casa da democracia (sei que este conceito já não quer dizer grande coisa para a maioria de nós pois não se sente representado pelas pessoas que lá se sentam, embora também isso devesse ser assegurado pela constituição - artigo 147º) e que o seu objectivo da mesma é "vigiar pelo cumprimento da Constituição" (artº 162, alínea), faz-me todo o sentido ir procurar o que está escrito neste célebre documento que supostamente rege os nossos direitos, deveres e garantias.

PARTE I – Direitos e deveres fundamentais

TÍTULO I
Princípios gerais
Artigo 13º (Princípio da igualdade)
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

TÍTULO II
Direitos, liberdades e garantias
 CAPÍTULO I
Direitos, liberdades e garantias pessoais 

Artigo 27º (Direito à liberdade e à segurança)
1. Todos têm direito à liberdade e à segurança.

TÍTULO III
Direitos e deveres económicos, sociais e culturais
 CAPÍTULO II
Direitos e deveres sociais

Artigo 69º (Infância)
1. As crianças têm direito à protecção da sociedade e do Estado, com vista ao seu desenvolvimento integral, especialmente contra todas as formas de abandono, de discriminação e de opressão e contra o exercício abusivo da autoridade na família e nas demais instituições.
2. O Estado assegura especial protecção às crianças órfãs, abandonadas ou por qualquer forma privadas de um ambiente familiar normal.
3. É proibido, nos termos da lei, o trabalho de menores em idade escolar.

Perante estes dados que são os factos, a Lei fundamental que nos rege, sinto que é do meu dever fazer uma pequena reflexão sobre este tema da Co-Adopção. O que no fundo se está a referendar é sobre os direitos das crianças em primeiro lugar e no meu ponto de vista. Tendo em consideração que nenhum cidadão poderá ser discriminado pela sua orientação sexual, o tema da homossexualidade para mim nem se coloca. 

O que este referendo pretende é aferir qual a opinião dos portugueses sobre as crianças e os seus direitos de pertencerem a uma família. Apenas a título de exemplo, tenho uma sobrinha que me incluiu na Árvore da Família que foi pedida na escola. Pertenco à sua família de sangue? Não, pertenço a uma outra noção de família para ela, à família do coração. É menos sobrinha para mim? Não. Sou menos tia para ela? Também não. 

As crianças, e esta é só a minha opinião e o que tenho oportunidade de presenciar por ter crianças próximas e por ouvir crianças na minha profissão, não dão grande ou pouca importância a laços sanguíneos. Eles existem, é verdade, mas não são eles que regem quem pertence ou não à sua noção de família. Portanto, não percebo muito bem o que se está aqui a tentar referendar? É a definição de "ambiente familiar normal", como a nossa constituição refere? Já alguém perguntou às crianças o que é isso? O que é que é mais importante: a segurança de crescer e ser educada com as pessoas que mais ama ou estar dentro de uma curva de distribuição normal?

Será que neste referendo vamos ouvir falar dos direitos das crianças? E do que é realmente importante no seu desenvolvimento enquanto pessoa? É que este é um assunto que me preocupa... Será que as nossas crianças vão crescer bem com aquilo que estamos a fazer? É por isso que procuro me fundamentar, procurar informação e investigação que me ajude a decidir sobre este tema, porque para mim é sobre isto que este referendo se debruça: sobre o direito de certas crianças pertencerem a certas famílias e o que isso vai influenciar o seu desenvolvimento. Deixo os meus pressupostos de lado, sobre os meus valores, as minhas crenças, os meus preconceitos (que também os tenho) e vou procurar informação. E já que não conheço essas crianças, cujos direitos queremos referendar, vou ouvi-las de uma outra forma, na investigação que foi feita com elas.




E o que é que a investigação nos diz? As evidências científicas sugerem que decisões importantes sobre a vida das crianças e adolescentes sejam tomadas não com base na orientação sexual dos pais mas na qualidade das suas relações com os pais.

Desta forma, espero que se lance o debate e que seja sério. Perguntar às pessoas a sua opinião não pode ser pernicioso mas temos de saber muito bem o que é que estamos a discutir para não sermos invadidos por falsas questões. E aqui o que estamos a referendar, na minha opinião, com as duas questões colocadas, é o direito à família e os direitos das crianças em primeiro lugar.

E fico tão feliz quando os meus pressuposto têm uma base científica!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Um Ministério da Educação que brinca às escolas

Estive agora a ver a reportagem na TVI sobre o financiamento de colégios privados com dinheiros públicos...

Estão a destruir a escola pública. A treta da liberdade de escolha… Querem falar sobre liberdade de escolha????!!!!

Liberdade de escolha é a minha filha não começar o ano sem professor, é que não lhe chova dentro da sala de aula, é que o coleguinha não parta a cabeça no recreio porque a Parque Escolar projectou uma escola sem pensar na segurança das crianças. 

Liberdade é nenhuma criança passar fome na escola, é não ter que decidir se usa o papel higiénico para limpar o rabo ou para se assoar, porque para as duas coisas não chega. 

É terem transporte para não andarem 1, 2, 3 ou mais quilómetros para chegarem à escola. 

É poderem escolher se querem ter aulas de piano, educação física, música, ballet, pintura ou teatro. É não terem turmas sobrelotadas. 

Liberdade é apoiarem o ensino especial, sem excluir as crianças com necessidades educativas especiais, retirando-lhe verbas. 

É não atirarem para o desemprego milhares de professores e auxiliares e não autorizarem as escolas públicas a abrir mais turmas para que não faltem alunos no privado.

A educação não é um negócio.


154 milhões de euros, Crato?! Isto é criminoso! Bolinha vermelha para ti!




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Uma roda por dia nem sabe o bem que lhe fazia

Eu queria acreditar que a escola tinha mudado muito desde a minha altura. Os jardins de infância que a Laura frequentou fizeram-me acreditar ainda mais numa escola onde se aprendia a brincar, onde se respeitavam as características de cada aluno e se as aproveitavam para uma aprendizagem criativa e positiva.

Mas agora, não sinto nada disso. Os miúdos que só vivem neste mundo há uns 5, 6 anos, são obrigados e ficar fechados dentro de salas, sentados, quietos e de preferência calados, porque entraram para essa grande instituição "a escola dos crescidos". E se ser crescido significa não ter tempo para brincar, se significa levar gritos dos adultos porque se escreveu com esferográfica e não com lápis, se significa levar trabalhos para fazer em casa, religiosamente, todos os dias da semana, não permitindo a descontração e a brincadeira em casa, apesar de já terem feito mil e uma fichas nas horas que estiveram na escola, então ser crescido é uma bela duma merda.

A escola não é gira. Já não se dão reguadas, mas não se permite às crianças que sejam isso mesmo: crianças. Há uma pressa em fazer deles "homenzinhos" e "mulherzinhas" submissos, calados e quietos, como se de máquinas se tratassem, cheios de regras, muitas das vezes absurdas e antipedagógicas, onde as notas valem muito mais que os valores.

Já repararam que os nossos filhos trabalham muito mais horas do que nós?

A Laura está contente. Gosta de ir para a escola. Gosta dos colegas e das aulas de expressão dramática. Não gosta da professora porque ela lhe grita. Não gosta de fazer os trabalhos de casa porque já fez inúmeras fichas na sala de aula e está saturada.

Falei com vários amigos com filhos mais velhos que a minha. "Vai correr tudo bem, é mesmo assim. Há um período de adaptação. Sim, o ensino está uma desgraça. Mas ela vai sobreviver".
Eu não tive filhos para que eles sobrevivam. Eu tive uma filha para que ela viva.

Ontem levou bolinha vermelha porque fez a roda no meio da sala quando a professora lhe chamou a atenção. E ela nem percebe muito bem, porque é sempre correta, educada e gentil com toda a gente, especialmente com os adultos. Gostava de ter tido bolinha azul, mas o vermelho até é a cor preferida da sua mãe e fazer a roda depois de uma manhã inteira a aprender foi o que lhe soube bem.
Até porque com os TPCs diários dificilmente arranjará tempo para regressar às suas aulas de dança... e a miúda tem que gastar aquela energia de alguma maneira.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

2ª semana de aulas sem professor

Pensava eu que ia mais furiosa, raivosa, revoltada e a espumar pela boca do que qualquer encarregado de educação daquela escola. Só não me lembrei que eu sou novata nesta coisa do 1º ciclo. Há gente que lida com isto há quatro anos. Por isso, havia gente bastante mais exaltada do que eu, que gritou, reclamou e esbracejou.

Ficámos a saber que (talvez) na 2ª feira já pode haver professor para o 1º ano. Que este atraso todo é culpa do Ministério da Educação que bloqueou o processo com burocracias, uma vez que se trata de uma escola TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), não foi possível iniciar-se a contratação de escola mais cedo.
O Director do agrupamento prometeu combater este cenário durante o próximo ano, para evitar futuras situações de turmas sem professor.

Também fiquei a saber que os alunos do 4º ano não têm porta na sala (sim, leram bem), porque a Parque Escolar não deu dinheiro para a arranjar.
Isto também é válido para uma "divisória" no recreio que divida os alunos do 1º ciclo do 2º e 3º ciclo (existe portanto uma linha imaginária, sem custos) e para a caldeira do balneário dos rapazes.

Há filas intermináveis para a compra de senhas de refeição porque não há pessoal - existe uma tesoureira para 1000 alunos e não há dinheiro para contratar mais pessoal.

Para terminar, houve queixas em relação aos alunos frequentarem as piscinas municipais 1 vez por semana. Porque chegam a casa muito cansados. E nem mesmo quando o Director os chamou à razão "há crianças que se não aprendem a nadar através da escola, nunca o vão fazer porque os pais não têm posses para isso", mudaram de opinião.

Vi professores dedicados que gostam daquilo que fazem. Que gostam de ensinar e que gostam das crianças.
Que se riram quando lhes perguntei se não havia maneira de pressionar as entidades (in)competentes, porque não têm eles feito outra coisa.
Pude finalmente agradecer pessoalmente à professora dos "meninos crescidos" que "acolheu" a minha filha.

A Laura não chorou mais para ir para a escola. Ainda não percebeu muito bem porque é que não tem professor, mas eu pedi-lhe para confiar em mim, que em breve irá para a sua sala de aula aprender a ler e a escrever.
Já é conhecida como a menina "despachada", que tem sempre alguma coisa para dizer.

Há falta de professores, inclusive do ensino especial, há falta de auxiliares e de pessoal administrativo (o que não se entende com tanta gente desempregada!) e os edifícios estão degradados (o caso do Liceu Camões é outro escândalo). Onde deveria ser a 2ª casa dos nossos filhos. Onde deveriam ser acarinhados e respeitados - O Ministério da Educação e a Parque Escolar não têm feito outra coisa se não desrespeitar a escola pública e a comunidade escolar (em particular, professores e alunos).

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A primeira semana no 1º ano

- Continua sem professor e passa o dia na sala dos "crescidos" a fazer desenhos e a escrever a palavra "ovo".

- Hoje, no meio da brincadeira pré-banho, disse "cu", riu-se e nós não!

- Tem duas colegas "incranianas" - com esta ri-me, claro.

- Uma das novas regras no 1º ciclo é que não se pode conversar durante as refeições - regra essa que terei que investigar, uma vez que os miúdos já passam horas a fio fechados dentro de salas, era só o que faltava não poderem falar uns com os outros enquanto comem.

- Outra regra é que não posso entrar no CAF quando vou buscar a miúda, porque gera muita excitação nas crianças e ficam desconcentradas (enquanto lancham)... pergunto-me se têm crianças dentro daquela sala ou animaizinhos ferozes que ninguém controla. Pergunto-me também qual o nível de concentração exigido para a hora do lanche.

- A segurança da escola é anedótica, nunca ninguém me pediu identificação e ontem apanhei um miúdo que tinha fugido do CAF pelo 2º dia consecutivo. No 1º dia não tinham dado pela falta dele, sequer - a auxiliar que estava ao portão confirmou que o menino tinha andado por ali ao final do dia e que a mãe o tinha vindo buscar ao portão e não dentro das instalações do CAF, onde era suposto.

- Ninguém me sabe dar informações sobre as AECs, o que é no mínimo estranho, porque a miúda já teve música, teatro e duas aulas de ginástica. Ninguém sabe de nada, mas lá que elas andam por aí, lá isso andam, ou então a minha filha tem uma imaginação muito fértil.

- Leite escolar, até agora, nicles!

- Caiu-lhe uma das patilhas do fecho da mala, ela chorou e a professora que a está a acompanhar consolou-a e pôs um clip para ela conseguir abrir e fechar a mala.

- Já faz o pino durante 10 milésimos de segundo e faz cambalhotas para a frente e para trás com uma facilidade que eu invejo.

- Já teve que mostrar de que fibra é feita a uma miúda mais velha que se meteu com ela. Mas também há um grupo de "mais crescidas" que a protegem, chamam-lhe Laurinha, abraçam-na e enchem-na de beijinhos como se fosse uma boneca.

- Não voltou a chorar para ir para a escola e tem saído da feliz da vida.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sobre as 40 horas semanais

Laura... Sabes aqueles dias magníficos em que o papá te vai buscar mais cedo à escola? Aqueles dias em que podes ir andar de baloiço ou ir passear ao jardim? Aqueles dias que parecem maiores porque em vez de 9 horas passadas na escola, passas apenas 8 e isso faz toda a diferença?
Pois bem, alguém achou que nem tu, nem o teu pai, nem eu merecemos isso. 
Alguém achou que trabalhamos poucas horas, que produzimos pouco (seja lá o que isso signifique) e que devemos trabalhar mais 1 hora.

Apesar de não ser funcionária pública, a minha filha vai ter que trabalhar mais 1 hora por dia, 5 dias por semana. Nem 6 anos tem.
As minhas cadelas vão passar a esvaziar a bexiga 1 hora mais tarde.
E eu estou passada dos carretos com esta medida! Já não aguento o "discurso do empreendedor" que temos que produzir mais, que temos que trabalhar mais horas e o que os funcionários públicos passam o dia a coçar a micose e deviam trabalhar as mesmas horas que os do privado. É um discurso idiota, invejoso e mesquinho.
Enquanto andarmos ocupados a apontar o dedo a direitos fundamentais dos trabalhadores, conquistados com enorme esforço, em vez de lutarmos para termos a vida e a dignidade que merecemos não vamos a lado nenhum. E que tal os do privado trabalharem 35 horas semanais, em vez das 40?

Parece que agora só não é crime querermos trabalhar até morrer. 
Tempo para passear, descansar, namorar, foder, ler um livro, ir ao cinema, ver as vistas, ouvir música, contar as estrelas? Está tudo maluco? Qualquer dia querem viver, não? Nã nã! Trabalhar é que é bom! Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Acabem-se os feriados, as horas extraordinárias pagas como deve ser, os subsídios de natal e de férias e com as baixas. Férias. Que acabem com as férias também! E com as famílias! Que se comece a viver no local de trabalho. A dormir lá. Os nossos miúdos já passam tanto tempo na escola, dá-se-lhes um saco-cama e eles ficam na boa a viver na sala de aula. Com alguma sorte, ainda nos dão o Domingo para matarmos saudades. Ou não. Fechem-se as portas das galerias do povo, para que as leis possam ser aprovadas à porta fechada. Escravos, submissos, endividados com dívidas que não contraímos, completamente vazios de acção, resignados. É assim que nos querem.

São mais 5 horas de trabalho por semana, pagos a custo zero, são 260 horas num ano que a minha filha vai passar na escola. Em vez de regar as nossas plantas, levar as nossas cadelas a passear ou ler um livro aninhada nos braços de quem mais ama.


Já a minha avozinha dizia que "quem não deve, não teme". Não podemos continuar a ser (des)governados por quem tem medo de nós!
Para a próxima que não sejam os inocentes a abandonar o parlamento!

terça-feira, 28 de maio de 2013

Ah muito giro e tal ... "é pena é não ser em português"

já deito esta expressão pelos ouvidos. Sempre que algum português canta alguma coisa em inglês, zás, leva logo com este tipo de comentários.

Somos cidadãos do mundo. Compomos como bem nos apetece. E se me apetecesse compor em chilibibilidês? Hã? Não podia só porque nasci em Portugal? Que raio de argumento é este??!! Não posso ter chilibibidês no coração? Não me pode servir de referência, de inspiração?

Como portuguesa que sou, tenho que gostar de cozido à portuguesa, de galos de barcelos, de touradas, de matanças do porco, de vinho tinto, de fado e da Joana Vasconcelos? Not! Por acaso dos galos de barcelos até gosto. Mas se fossem galos de outra cidade qualquer ia gostar também. Eu gosto é das cores, tanto se me dá de onde é que vêm.

Também diriam ao Dali que os quadros dele eram bem fixes, mas faltam ali umas tortilhas para compor o ramalhete?!

A sério que não compreendo este tipo de posições. Acho totalmente desprovidas de sentido.

A arte e a cultura são universais. Têm todas as cores, todas as línguas, todos os instrumentos, todos os materiais que quisermos.

Ainda estou à espera do argumento que me convença. Ou talvez não. Não vale a pena darem-se ao trabalho.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Hoje posso dizer à minha filha que o amor venceu

Cá em casa mãe e filha adoram ouvir rádio. Na rádio ouvem-se as notícias. E um dia tive que explicar a uma menina de 4 anos que o amor não venceu.

Foi difícil, muito difícil. Porque ela não entendeu. Não conseguia perceber que era possível existir alguém que proibia outro de ser feliz. Que se toda a gente se podia casar, porque é que não podiam ter filhos? Porque não existe no mundo ninguém que nasça preconceituoso. Ninguém nasce homofóbico. Ninguém nasce mau. Mas, infelizmente, pode-se crescer no seio de famílias que não sabem o que é amar, nem educar, nem cuidar, nem respeitar.

Amanhã, para grande felicidade minha, vou poder dizer a uma menina que hoje tem 5 anos que, um dia, quando se apaixonar, seja por quem for, e se um dia quiser adoptar uma criança, o poderá fazer.

Porque sim, prefiro ocultar-lhe o facto de apenas ter sido aprovada a co-adopção. Falta tudo o resto.
Porque espero que muito em breve lhe possa dizer que somos pessoas a sério. Sem preconceitos.

Pelo amor! Pelo direito a ser feliz!


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ode às chuchas

Um dos dentes definitivos da Laura está a nascer todo torto e apesar dos meus traumas com dentistas, decidi levá-la ao dentista.
Até porque durante anos fui massacrada por deixar a miúda usar a chucha à vontade dela e levei com os filmes todos sobre dentes tortos e atrasos na linguagem.
Eu estava um bocado (muitooooooooo) nervosa, ela adorou. Riu-se às gargalhadas, recebeu imensos elogios, tem um dentes fabulosos (não sai à mãe nesta parte), o dentista fartou-se de brincar com ela e acabou por ser tudo divertidíssimo. Delirou com o aspirador de baba e quis saber para que servia cada instrumento (de tortura, na minha modesta opinião).
A chucha até aos quatro anos e meio não lhe estragou nada. A mim torrou-me a paciência ao aturar sermões de gente chata.
Nunca hei-de deixar que se metam com a chucha dos meus bebés!
E é só isto!





quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Até que a voz nos doa e mais além!

Já chega! Este governo e estas políticas troikistas têm que cair! Isto não é vida para ninguém. Estão-nos a tentar matar aos poucos. A destruir tudo o que construímos. Já passamos fome, já não nos aquecemos no inverno, já não conseguimos pagar as nossas casas. É tortura. É fascismo!
Porque pelos vistos não nos ouviram no dia 15, voltamos à carga! É fazer barulho até derrubarmos esta gente que nos desgoverna. É já sábado. Por todo o país! Porque não tive uma filha para não a conseguir sustentar.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Viva o rock do bom!!!!

A música destes meninos é do melhor que há!!!!!!!!!
Meti uma cunha (fiz o meu olhar nº64467 - os olhinhos de bambi) e pude ouvir em primeiríssima mão o cd que vai sair em breve!
Eh pá! Fiquei maluquinhaaaaaaa!!! É rock do bom! É música que me leva a voar até à lua em 3 segundos! É música que dá uma pica inexplicável! Que nos arrepia cada pêlo do nosso corpo! Que nos faz tremelicar músculos que nem sabíamos existir! Que nos faz sentir poderosos! Que nos faz inventar autênticos videoclips mentais para cada música! Parece que estamos a viver numa outra dimensão, num outro filme! Cada vez que oiço as primeiras notas de cada música, tenho vontade de dar guinchinhos histéricos de alegria! Ai esta!! Esta é a minha preferida! Ai, afinal é esta! Aiiiiiii!! São todas preferidas!!! É música que me faz pular, dançar e que me põe um demóniozinho no corpo, mais forte que eu e quando dou por ele, a música ouve-se no fundo da rua - é o demóniozinho do volume!!!! Desculpem lá, vizinhos, estou possuída! Desculpem nada! Oiçam  que é bom! E música da boa só faz é bemmmmm!!!!!!!!!

Os Quartet of Woah vão dar tanto que falar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Preparem-se!!!

Eu cá já estou pronta para namorar, limpar a casa, jardinar, brincar, passear as minhas 4 patas e enfrentar os perigos dos transportes públicos da cidade de Lisboa com esta banda sonora como fundo!
Se virem uma rapariga a passar por vocês, de all star nos pés, a correr, de sorriso nos lábios e braços ao alto, sou eu, a dar a volta ao mundo, e a ouvir esta bomba!
E a pequenina, é a Laura!



PS. Mariana, os créditos da foto são todos teus! Obrigada!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Há dias em que é um privilégio trabalhar escondidinha atrás de uma secretária!


sexta-feira, 20 de abril de 2012

E o 25 de Abril aqui tão perto e tão longe...

Quando penso no futuro da minha queijinha, não penso em dar-lhe uma casa, um carro ou uma televisão para pôr no quarto. Penso em oferecer-lhe um mundo melhor. E um mundo melhor para mim é um mundo onde existe uma democracia real, onde ministros fascistas não soltam os cães para bater em tudo e em todos e com impunidade destroem sonhos e liberdades que se conquistaram.
Estamos num mundo perigoso e neste momento, a maior ameaça para além de quem nos (des)governa, é quem se silencia com medo ou porque "os políticos são todos iguais". Gente ignorante e egoísta, que prefere ir ao shopping  fazer comprinhas do que manifestar o repúdio pelas violentas actuações da polícia e pelo roubo constante dos nossos direitos.
Essa atitude faz com que estejam a desenhar para a minha filha um futuro verdadeiramente brilhante: fome, desemprego, atentados à sua saúde e educação, falta de liberdade de expressão. O vosso silêncio está a escrever o dia de amanhã dos nossos filhos e isso pode ser uma sentença de morte - porque a morte não é só física!
Nunca obriguei a Laura a pensar como eu - só no segundo 25 de abril dela (no primeiro ainda estava abrigada na minha barriguinha), é que a levámos sem lhe perguntar, uma vez que tinha poucos meses de idade. Adorou, dançou e tentou abocanhar e lamber todos os cravos vermelhos que se cruzavam com os seus olhinhos. A partir daí, foi explicar-lhe, contar-lhe uma história, meio adocicada, escondendo expressões como tortura, violência, desespero... Porque não lhe quero tirar o mundo cor de rosa. Quero deixá-la ser criança. Mas quero poder dar-lhe as armas para ela combater este mundo injusto e pobre de humanismo e solidariedade... porque eu não vou estar cá sempre.... e pessoas sem coragem, sem garra, que são burras ao ponto de não saírem à rua para mostrarem que o povo unido jamais será vencido, dão-me vómitos e não merecem a minha consideração!
Acham normal uma mãe ser espancada em frente a um filho, porque sente que tem a responsabilidade de fazer deste mundo, um sítio mais equilibrado? Acham normal que haja gente a morrer com cancro, porque não tem acesso a cuidados de saúde? Acham normal alguém deixar de estudar, porque não tem dinheiro nem para comer, quanto mais para proprinas e livros. Acham normal quererem transformar-vos em escravos, em máquinas de trabalho, sem direitos nem protecção, em prol da produtividade, para encher os bolsos de gente que vive acima das nossas possibilidades? Acham normal que tanta corrupção saia impune? Acham normal que se financie bancos e mais bancos, em vez de se financiarem pessoas e projectos? É que se acham normal, a culpa de toda esta degradação é vossa! Porque nem sequer tentam! Nem sequer pensam sobre isso. Eu tinha vergonha de ser como vocês... de ser um fantoche e andar a brincar à vida, como se ela não valesse a pena. Luto pela liberdade da minha filha, pela liberdade dos que amo e dos que não amo, dos que nem sequer conheço. E luto pelos vossos filhos que ainda hão-de vir.
Continuem a postar musiquinhas e imagens sem interesse nenhum, para ocupar as vossas mentes fúteis... Continuem a viver como se não houvesse amanhã... como se nada disto vos afectasse... deixam é de merecer a minha consideração, porque não se preocupam com o amanhã dos nossos pais, dos nossos avós,  com o futuro de ninguém!
Entretanto, a Laura ontem aprendeu uma palavra nova: RESISTÊNCIA! Aprendam-na vocês também!