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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Maminhas!

Estou tão orgulhosa de todas aquelas mães na Argentina!

A Eva tem sido amamentada desde que nasceu. Desde o primeiro segundo. Já a amamentei no meio da rua, enquanto corria para a escola da mana mais velha. Amamentei-a na escola da mana mais velha. No autocarro, no metro. Em praticamente todas as lojas e supermercados onde entrei desde fevereiro. Num concerto de rock. Num espetáculo de dança. Na praia. À beira de piscinas, com os pés de molho. No parque infantil. Em esplanadas. Em todos os restaurantes onde comi. Numa despedida de solteira (querida Eurídice!!). No parque de estacionamento. Enquanto corrigia os trabalhos de casa da Laura ou enquanto estendia a roupa. Até durante uma depilação às virilhas (sim, é verdade!!).

É o meu corpo, as minhas mamas, a minha bebé, a minha decisão! Deal with it!


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Os nossos filhos são muito mais que uma nota num exame!

Hoje entreguei a minha filha na escola para fazer o teste intermédio de português do 2º ano de escolaridade.

Não há problema nenhum, porque não há alunos com menos 1 mês e meio de aulas.

Não há problema nenhum, porque toda a gente sabe que as crianças são todas iguais e aprendem todas da mesma maneira.

Não há problema nenhum, porque estamos a tratar estes alunos, como se fossem pequenos adultos, treinando-os como animais de circo para os exames do 4º ano, depois do 6º, do 9º e por aí fora.

Não há problema nenhum em trabalhar 1 ano inteiro tendo como único objectivo o bom rendimento nos exames.

Não há problema nenhum se o que queremos são crianças sem sentido crítico e que não pensem muito.

Hoje levei a minha filha à escola e disse-lhe o que lhe digo todos os dias "Amo-te muito, toma atenção e acima de tudo, diverte-te!". E as notas que se fodam!




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Prometi-te, Laura

Que ias ser feliz na escola.

Que lá ias passar 5 dias por semana e que isso ia ser maravilhoso. Que virias para casa toda contente porque aprendeste coisas novas. Que não irias ter medo do teu professor. Nem de errar. Que ias ter um professor que jamais bateria na mão do teu amigo. Que jamais gritaria contigo por estares no mundo da lua.

Prometi-te que ias ter um professor amigo.

E este ano tens um que te dá colo quando choras porque tens uma otite e não podes fazer a aula de natação.

Que não te castiga porque isso "não é possível". Porque não é possível repreender uma menina tão amiga dos seus amigos, que nunca faz nada com maldade. Chama-te antes com calma para regressares à terra.

Que te elogia e te diz a quantidade de coisas em que acertaste e não as que erraste.

Que te trata por Laurinha.

Que te deixa falar e te ouve com atenção.

Que não te passa trabalhos de casa. Envia trabalhos para casa. Divertidos. Úteis. Para fazermos em conjunto.

Vens aos saltinhos para casa e com tanta coisa para nos ensinar.


Esta é a escola que quero para ti. Este ano conseguimos. E um dia, mais tarde quando cresceres mais um bocadinho, vou-te poder explicar porque é que te sentes tão grande e tão feliz este ano.Um dia vou-te poder dizer que és uma super criança, porque nunca desististe e, apesar do medo, nunca te calaste.

sábado, 23 de agosto de 2014

7 anos

- Um dia destes forma o "movimento dos indignados dos picos nas janelas para os pombos não poisarem".
- Quando apanha os textos que escrevo sobre ela, fica de lágrimas nos olhos.
- Tem um coração de ouro, caraças, se tem!
- Adora a sacana da Violetta.
- Tem terror de caranguejos. Viu uns meninos a apedrejarem uns quantos (devem ser amigos do Bandini). Foi até lá, apanhou os bichos e guardou-os no balde para que não lhes acontecesse nada de mal. Acabaram por morrer, mas ela sabe que tentou.
- Não resiste a dar colinho aos bebés que se cruzam com ela.
- Acha que a ponte 25 de Abril se chama 25 de Abril sempre!
- Respeita o mar como eu nunca vi. Delicia-se com o mar, dá abraços e beijinhos na espuma das ondas e guarda centenas de conchinhas e pedrinhas, religiosamente.
- Faz "blagh" sempre que ouve na rádio o nome do Bunny Steps.
- Dá abraços daqueles "aquele abraço".
- Tem o tempo de concentração de uma formiga, excepto se estiver a dançar ou a ouvir histórias.
- Ainda diz que "piroso é bom".
- Pediu-me para em vez de lhe desejar "sonhos cor de rosa", lhe desejar "sonhos da cor do arco-íris" para todas as cores poderem fazer parte dos seus sonhos.
- Não consegue mentir. Não o sabe fazer, nem sequer tenta.
- É refilona.
- Não se cala. Nunca!
- É mega popular na escola, porque tem sempre uma palavra amiga para dizer.
- Quer ir a Londres, Paris e Nova Iorque. E à Serra da Estrela.
- É doida por sapatos, mas à primeira oportunidade, descalça-se.
- Aprendeu a andar de bicicleta e patins em linha.
- Guarda as angústias e as frustrações dias a fio e acaba num pranto por uma coisinha de nada (basta um rabo de cavalo que teima em ter cabelos desalinhados ou tropeçar num buraco na rua e saltar-lhe o chinelo).
- Faz amigos por todos os sítios onde passa.
- Decididamente, não gosta de sopa. Nem de leite. Nem de migas.
- Tem memória de elefante.
- Pede para ouvir rock do bom.
- Dorme até tarde.
- É o nosso tesouro.






sábado, 14 de junho de 2014

Summertime

A menina que devia ter nascido estrelinha do mar. Que agradece ao mar cada vez que as ondas nos devolvem a bola. Que abraça a água e lambe o sal. Que é feliz com o sol, os mergulhos, os búzios, as conchas, o cabelo desgrenhado e o corpo cheio de areia. As danças à beira mar e as piruetas.
Os dias maiores. Os sorrisos gigantes.
A ligação que esta meia leca tem com o mundo é qualquer coisa de extraordinário. Ela consegue fazer de cada dia, o melhor dia de sempre.
 
Boas férias, miúda gira!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Parabéns Sandra!


Teatro, piqueniques, abraços, montagem de filmes, viagens, pôr do sol, chouriços assados, andas, conversas das boas, mimos, praia, bolas de berlim com creme, chá de gengibre, prendas de natal, boleias, crianças, cães, muita dança, kangoos, muitos avantes, piscos, a nossa grande amiga.

Muitos parabéns, Sandrinha.


domingo, 11 de maio de 2014

De coração cheio


Acordámos com despertador, comemos, eu bebi café, arranjámo-nos e saímos porta fora. Último ensaio antes do espectáculo final.
Fui apanhar sol para a esplanada para fazer tempo. Apanhei-a 1 hora depois, com aquele sorriso gigante. Levei-a a almoçar ao chinês, para evitar os nervosos miudinhos que antecedem a subida a um palco. Contei-lhe histórias boas de quando a Sandra era nossa professora de teatro. Comemos dois pratos, só pagámos um. O senhor que nos atendeu disse que "menina muito educada não paga". Fomos comprar flores. Pagámos duas, trouxemos cinco - a florista derreteu-se com a tagarelice da Laura e desejou-lhe muito sucesso para o espectáculo e para a vida. Prometemos voltar e passar a comprar flores ali todas as semanas.
Fui deixá-la ao teatro. Pelo caminho confessou-me que não tinha medo, não via a hora de pisar aquele palco, mas que não queria falhar, que não queria desiludir ninguém. Laura, trabalhaste tanto para este dia. Estamos tão orgulhosos de ti. Diverte-te. Acima de tudo, diverte-te naquele palco. Amo-te. Ela abraçou-se a mim de lágrimas nos olhos, "assim fazes-me chorar, mãe", deu-me um beijo e entrou com uma segurança que eu não esperava. Fiquei a vê-la. Olhou para trás, sorriu e piscou-me o olho.
Quase duas horas mais tarde entrámos na sala. Ouvi-a chamar por mim. Estava na plateia aos pulinhos, feliz, a dizer-nos adeus.
Foi altura de subir ao palco. Ao som de um coro maravilhoso, vi-a dançar palco fora. Concentrada porque não queria falhar. Caiu uma vez, levantou-se e continuou como se nada fosse. Ajudou as mais pequeninas que se perdiam nas piruetas. Brilhou a dançar com as mais velhas. Sorriu cada vez que o seu olhar se cruzava com as parceiras de dança.Vi-a maior, vi-a realizada, vi-a sem vergonhas, sem medos e a sentir-se especial.
Eu, e uma Vera não chora, aproveitei o escuro da sala para deixar cair umas lagrimitas. Porque vê-la realizada e gigante de tanta felicidade com o que conquistou é o melhor que me pode acontecer.
Aproveito para agradecer ao professor dela, que aceitou ter apenas uma aluna na aula. Que criou laços de confiança e amizade, que acreditou nela e que com ela coreografou o espectáculo.

Sinto um orgulho infinito por ser mãe desta menina que me ensinou a dançar no meio da rua ao som do vento que bate nas árvores.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O que é o almoço?

Joana, tens almoço? Não, Vera, não tenho. Depois vamos ao mc donalds ou assim. Ou ao sushi. Ai é tão caro. Precisamos daqueles cupões de desconto. Nunca mais saíram. Que chatice. Se calhar vamos mas é ao supermercado e compramos daqueles hamburguers que se aquecem no microondas. Tanto me faz, só não quero é cozinhar. Tudo bem, fazemos assim e assado e vais ver que fica bom. Fazemos não, fazes tu. Sim, faço eu.
E pimbas, a Joana faz-me uma saladinha daquelas muito saudáveis e tira-me as grainhas do tomate por causa do meu não dente.
Amigas assim são uma benção... nunca ninguém me tinha tirado as grainhas do tomate...
Agora é fazer figas para não ter fome daqui a 15 minutos!


terça-feira, 6 de maio de 2014

Sem roooodinhas!!!

Bem sei que tenho um temperamento difícil e implico com as coisas mais parvas... uma das minhas irritações são as ciclovias.

Primeiro, porque o meu desporto favorito é arrastar-me até à esplanada mais próxima e beber um café, enquanto fumo um cigarro.
Segundo, porque as ciclovias invadiram as ruas e os jardins, de tal maneira desgovernada que é raro o dia em que eu ou as cadelas não temos que nos desviar em saltos (quase mortais) para não sermos atropeladas.
Terceiro, implico com aqueles capacetes manhosos que me fazem lembrar um pelicano poisado em cima da cabeça de alguém.
Quarto, não é tão mais fixe andar de bicicleta no campo que na cidade, a levar com os tubos de escape dos carros?

Entretanto, no fim de semana passado, o R. decidiu tirar as rodinhas à bicicleta da Laura. E lá fomos nós, ciclovia fora. A miúda espalhava-se, chorava, levava um beijinho, levantava-se, caía outra vez, chorava mais um bocadinho, levava mais uns miminhos e foi assim durante laaargos minutos. Até que de repente pedalou umas quantas vezes antes de cair. Era vê-la no chão, com o choro a meio, a bicicleta em cima dela e nós aos gritos yeahhhh boaaaa vivaaaaa!

Isto tudo para vir aqui engolir tudo o que disse sobre os utilizadores das ciclovias. É que no meio desta iniciação à bicla sem rodinhas, foram vários os incentivos dados à nossa filha por autênticos desconhecidos (os tais com o pelicano na cabeça, mais os que só estavam sentados no banco de jardim a apanhar sol) - Vai, tu consegues!! Força!! Ai, é tão gira esta fase! - e perdi a conta à quantidade de gente que estremecia e que iam na direcção dela com os braços estendidos cada vez que ela caía.

Por isso, resta-me resumir, que há pessoas sensíveis, solidárias e fofinhas nas ciclovias.

De resto, só nos falta afinar os comandos. Enquanto eu grito "TRAAAAAAVAAAAAAAAAAA", o pai grita "PEDALAAAAAAAAA, NÃO PÁRES!!!". E tenho que inventar outra irritaçãozinha de estimação que esta deixou de ter argumentos...


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Parabéns, Joana!

Amiga de todas as horas, confidente, que atura os maus humores matinais e ouve os meus desabafos e os meus medos. Uma lutadora. Uma tia fofinha.

Gosto de ti daqui até à lua e mais além.Que bom ter-te na minha vida!

Muitos parabéns, minha querida!



segunda-feira, 7 de abril de 2014

sobre o poliamor

o mundo está a mudar. é difícil aceitar mudanças sobretudo as que não entendemos. muita gente me tem perguntado pelo poliamor. explico o possível, aqui está uma explicação na primeira pessoa:

http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/40anos25abril/2014-04-05-um-caso-de-poliamor-que-assume-a-liberdade-de-escolha
 clicar na imagem

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Desculpa, Laura...

Por estares enfiada numa sala, com esse rabinho que nunca consegue estar quieto, das 9h às 18h30. Por vires para casa a chorar porque a professora bateu na mão do teu amigo ou gritou contigo porque estavas a olhar pela janela a ver passar uma nuvem em forma de gato.


Por trazeres trabalhos de casa como castigo, quando te prometi que estudar seria sempre uma maravilha.


Perdoa-me, Laura, por teres ficado sem recreio, quando me recusei a ver o teu sofrimento num domingo de sol (e têm sido tão raros), sentada na tua secretária, a tentares escrever a pérola da pedagogia “Devo estar com mais atenção às correções” vezes sem conta, e decidi que era bem mais produtivo irmos ver o Palácio da Pena e apanhar flores na serra, depois de teres estudado sexta quando chegaste da escola, mais sábado durante grande parte da tarde.


Por  veres  a mãe de uma colega tua a consolá-la porque a professora não a deixou ir à casa de banho e ela fez xixi pelas pernas abaixo e por ouvires o desespero de uma mãe desempregada, que não tem dinheiro para pagar explicações fora da escola, o apoio escolar não está a resultar e a filha pergunta-lhe porque é que é burra. Respondo-lhe que não há crianças burras, mas sim com diferentes formas de aprendizagem. Que são os adultos, neste caso, os professores, que têm que descobrir maneira de a cativar, e ela agradece-me porque nunca tinha pensado nisso. Nunca ninguém lhe tinha dito que a filha não é efectivamente burra.


Por chorares com medo de errares. Porque na escola ralham contigo quando erras.


Por começares a ter medo de falar.


Isto tudo, numa “escola-modelo”, numa capital europeia.



Esta não é a escola que eu quero para ti.


Quero uma escola em que os professores são amigos dos alunos e os alunos amigos dos professores. Uma escola em que todos se respeitem. Uma escola compreensiva, solidária, integrativa, justa e criativa. Livre de violência, de preconceitos. Que não seja submissa. Que forme efectivamente cidadãos. Sem castigos, sem agressividade, respeitando a especificidade, as particularidades e o ritmo de cada aluno.


Acima de tudo, uma escola onde se seja feliz. Porque toda a gente sabe que crianças felizes aprendem melhor.


Ainda vou a tempo, Laura. E isto é uma promessa.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O problema não é o dia de São Valentim

O problema é viver os outros dias do ano quando

- bato com o dedo mindinho do pé no órgão que vive entre a sala e a marquise várias vezes no mesmo dia,
- lhe grito 567784 vezes para que acorde, ele abrir ligeiramente os olhos, e adormecer novamente entre rosnadelas,
- faz a Av. Lusíada como se fosse uma pista de fórmula um,
- lhe peço 6785764 vezes para ler histórias calmas à miúda que já devia estar a dormir e apanhá-los às gargalhadas meia hora depois,
- faz piadas sobre as minhas dores de dentes (para que eu me ria e pare de chorar),
-  tenho dores de cabeça com algumas das músicas que ele ouve e babo-me com as que ele faz,
- nunca gosto do jantar, mas nunca tenho que o cozinhar,

...e o amo mais a cada dia que passa.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Aos seis anos e meio

- É fã dos The Beatles, The Quartet of Woah!, Queen, Pink Floyd, Nirvana, Eddie Vedder, David Bowie, Band of Skulls e Elis Regina.
- Chorou a ver o Little Stuart e um filme de natal em que transformavam um cão em pedra.
- Não compreende como é que as praxes integram alguém. Desde quando é que humilhar, dar ordens e sujar alguém é ser amigo. Já deixou bastante claro que se alguém a tentar pintar, espeta-lhe a caneta pelo nariz acima.
- É do quadro de honra da leitura (merda para os quadros de honra!!!!) - but of course i'm proud.
- Acha esquisito que no livro de estudo do meio existam todo o tipo de famílias, excepto dois pais ou duas mães.
- Gosta de se enfiar a meio da noite na nossa cama. Dormimos mal que a miúda está enorme e ginastica a noite toda, mas sabe bem como tudo.
- Deixou o ballet clássico e passou para o contemporâneo. Tem um professor só para ela. O melhor professor do mundo e nunca a vi tão feliz e tão aplicada.
- Adora dançar, cantar, tocar órgão, bateria e harmonica e pintar grandes telas.
- Ouve música nas portas a bater e na chuva a cair.
- Adora animais. Adora que a Essi durma com ela nas noites frias.
- Ficou de boca aberta quando a levei ao Mosteiros dos Jerónimos. Quando vê arco-íris fica com essa mesma expressão: "Como é que isto é possível??!!".
- Não gosta de fazer os trabalhos de casa. Trá-los praticamente todos os dias e fá-los. Mas com a mão a segurar a cabeça.
- Recusa-se a ir a circos com animais.
- Está a aprender a fazer tricot.
- Na escola conhece toda a gente. Gosta de toda a gente e toda a gente gosta dela.
- É altamente generosa. Leal. Sincera. Carinhosa.
- Fica sentida quando gritam com ela.
- Pergunta-me várias vezes se o Passos Coelho e os seus amigos já se foram embora, para ter um mano.
- A maior alegria seria ter um mano.
- Continua a gostar de saltar nas poças da chuva e nas folhas secas. Pára na rua e fecha os olhos para sentir o sol na cara, nos dias de inverno.
- Adora apanhar conchas.
- Detesta não saber saltar à corda, mas também não tenta aprender.
- Adora que lhe contemos histórias de quando era bebé.
- Continua a não gostar de sopa e pede-me com jeitinho para lha dar à boca nos dias em que está mais cansada.
- Tem uma letra maravilhosa.
- A matemática fascina-a.
- Adora futebol. É do Porto porque gosta de azul.
- Quando está preocupada com alguma coisa, pede ao pai que lhe cante o Summertime.
- Não gosta de ser fotografada e tenho que a fotografar sem que ela repare.
- Gosta de fingir que sabe inglês. E francês.
- Ri-se quando eu e o pai nos beijamos. Ri-se muito e abraça-nos as pernas.
- Sabe falar com as árvores. E com todos os animais. Acha que os pombos a perseguem porque ela os compreende.
- Não toca em leite. Só com chocolate. Não aprecia bolos. Nem sumos. Mas faz cara séria, quando o pai a deixa dar um golo no copo de coca-cola. Sente-se mais crescida.
- Acredita na fada dos dentes e no pai natal.
- Detesta acordar cedo.
- Tem orgulho em ser a única criança a ter a árvore de natal montada na sala. Em Fevereiro.
- É pedinchona e teimosa como tudo.. A maior drama queen com que já me cruzei.
- Nunca se cala. Nunca!
- É maravilhoso ser mãe dela.


...
One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky

But until that morning
There's a'nothing can harm you
With your daddy and mammy standing by

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Hoje levei uma chapada... duas para ser mais exacta

Hoje vi uma criança sair do ATL, dirigir-se à mãe e levar com um "ou vestes o casaco ou levas duas chapadas"...

Não houve troca de beijinhos, nem de abraços. Não houve qualquer tipo de afecto. Nem um "olá", nem um "tiveste um dia bom?", e muito menos um "tive saudades tuas!"...

Já não é a primeira vez que assisto a este tipo de miminhos dos pais quando vão buscar os miúdos, mas gostava mesmo que esta tivesse sido a última.

A criança que saiu do ATL é a criança que me pede sempre um beijinho quando deixo a Laura de manhã na escola.

Deve ser tão difícil ser criança quando se cresce entre monstros...


sábado, 18 de janeiro de 2014

Pequeno resumo da Constituição da República Portuguesa


Sei que corro o grande risco de ser a chata deste blogue... 

Por vezes sinto uma certa perplexidade perante o que ouço e sobre o que se legisla e deixa de legislar. Achava que não se referendavam assuntos que tinham sido legislados há menos de 1 ano. Parece que sonhei quando há 8 meses a mesma Assembleia da República aprovou a legislação da co-adopção. Parece que não, que foi um engano.

E perante esta enorme perplexidade, vou procurar informar-me. Afinal o que é que estamos a referendar? A co-adopção que já está em processo legislativo? Ou a adopção por casais homossexuais? Parece que são as duas... E parece-me a mim que são dois assuntos importantes, sem dúvida, mas substancialmente diferentes. O que, segundo esta leitura, até torna este referendo inconstitucional... Enfim!

Sendo que a Assembleia da República é a casa da democracia (sei que este conceito já não quer dizer grande coisa para a maioria de nós pois não se sente representado pelas pessoas que lá se sentam, embora também isso devesse ser assegurado pela constituição - artigo 147º) e que o seu objectivo da mesma é "vigiar pelo cumprimento da Constituição" (artº 162, alínea), faz-me todo o sentido ir procurar o que está escrito neste célebre documento que supostamente rege os nossos direitos, deveres e garantias.

PARTE I – Direitos e deveres fundamentais

TÍTULO I
Princípios gerais
Artigo 13º (Princípio da igualdade)
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

TÍTULO II
Direitos, liberdades e garantias
 CAPÍTULO I
Direitos, liberdades e garantias pessoais 

Artigo 27º (Direito à liberdade e à segurança)
1. Todos têm direito à liberdade e à segurança.

TÍTULO III
Direitos e deveres económicos, sociais e culturais
 CAPÍTULO II
Direitos e deveres sociais

Artigo 69º (Infância)
1. As crianças têm direito à protecção da sociedade e do Estado, com vista ao seu desenvolvimento integral, especialmente contra todas as formas de abandono, de discriminação e de opressão e contra o exercício abusivo da autoridade na família e nas demais instituições.
2. O Estado assegura especial protecção às crianças órfãs, abandonadas ou por qualquer forma privadas de um ambiente familiar normal.
3. É proibido, nos termos da lei, o trabalho de menores em idade escolar.

Perante estes dados que são os factos, a Lei fundamental que nos rege, sinto que é do meu dever fazer uma pequena reflexão sobre este tema da Co-Adopção. O que no fundo se está a referendar é sobre os direitos das crianças em primeiro lugar e no meu ponto de vista. Tendo em consideração que nenhum cidadão poderá ser discriminado pela sua orientação sexual, o tema da homossexualidade para mim nem se coloca. 

O que este referendo pretende é aferir qual a opinião dos portugueses sobre as crianças e os seus direitos de pertencerem a uma família. Apenas a título de exemplo, tenho uma sobrinha que me incluiu na Árvore da Família que foi pedida na escola. Pertenco à sua família de sangue? Não, pertenço a uma outra noção de família para ela, à família do coração. É menos sobrinha para mim? Não. Sou menos tia para ela? Também não. 

As crianças, e esta é só a minha opinião e o que tenho oportunidade de presenciar por ter crianças próximas e por ouvir crianças na minha profissão, não dão grande ou pouca importância a laços sanguíneos. Eles existem, é verdade, mas não são eles que regem quem pertence ou não à sua noção de família. Portanto, não percebo muito bem o que se está aqui a tentar referendar? É a definição de "ambiente familiar normal", como a nossa constituição refere? Já alguém perguntou às crianças o que é isso? O que é que é mais importante: a segurança de crescer e ser educada com as pessoas que mais ama ou estar dentro de uma curva de distribuição normal?

Será que neste referendo vamos ouvir falar dos direitos das crianças? E do que é realmente importante no seu desenvolvimento enquanto pessoa? É que este é um assunto que me preocupa... Será que as nossas crianças vão crescer bem com aquilo que estamos a fazer? É por isso que procuro me fundamentar, procurar informação e investigação que me ajude a decidir sobre este tema, porque para mim é sobre isto que este referendo se debruça: sobre o direito de certas crianças pertencerem a certas famílias e o que isso vai influenciar o seu desenvolvimento. Deixo os meus pressupostos de lado, sobre os meus valores, as minhas crenças, os meus preconceitos (que também os tenho) e vou procurar informação. E já que não conheço essas crianças, cujos direitos queremos referendar, vou ouvi-las de uma outra forma, na investigação que foi feita com elas.




E o que é que a investigação nos diz? As evidências científicas sugerem que decisões importantes sobre a vida das crianças e adolescentes sejam tomadas não com base na orientação sexual dos pais mas na qualidade das suas relações com os pais.

Desta forma, espero que se lance o debate e que seja sério. Perguntar às pessoas a sua opinião não pode ser pernicioso mas temos de saber muito bem o que é que estamos a discutir para não sermos invadidos por falsas questões. E aqui o que estamos a referendar, na minha opinião, com as duas questões colocadas, é o direito à família e os direitos das crianças em primeiro lugar.

E fico tão feliz quando os meus pressuposto têm uma base científica!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A primeira semana no 1º ano

- Continua sem professor e passa o dia na sala dos "crescidos" a fazer desenhos e a escrever a palavra "ovo".

- Hoje, no meio da brincadeira pré-banho, disse "cu", riu-se e nós não!

- Tem duas colegas "incranianas" - com esta ri-me, claro.

- Uma das novas regras no 1º ciclo é que não se pode conversar durante as refeições - regra essa que terei que investigar, uma vez que os miúdos já passam horas a fio fechados dentro de salas, era só o que faltava não poderem falar uns com os outros enquanto comem.

- Outra regra é que não posso entrar no CAF quando vou buscar a miúda, porque gera muita excitação nas crianças e ficam desconcentradas (enquanto lancham)... pergunto-me se têm crianças dentro daquela sala ou animaizinhos ferozes que ninguém controla. Pergunto-me também qual o nível de concentração exigido para a hora do lanche.

- A segurança da escola é anedótica, nunca ninguém me pediu identificação e ontem apanhei um miúdo que tinha fugido do CAF pelo 2º dia consecutivo. No 1º dia não tinham dado pela falta dele, sequer - a auxiliar que estava ao portão confirmou que o menino tinha andado por ali ao final do dia e que a mãe o tinha vindo buscar ao portão e não dentro das instalações do CAF, onde era suposto.

- Ninguém me sabe dar informações sobre as AECs, o que é no mínimo estranho, porque a miúda já teve música, teatro e duas aulas de ginástica. Ninguém sabe de nada, mas lá que elas andam por aí, lá isso andam, ou então a minha filha tem uma imaginação muito fértil.

- Leite escolar, até agora, nicles!

- Caiu-lhe uma das patilhas do fecho da mala, ela chorou e a professora que a está a acompanhar consolou-a e pôs um clip para ela conseguir abrir e fechar a mala.

- Já faz o pino durante 10 milésimos de segundo e faz cambalhotas para a frente e para trás com uma facilidade que eu invejo.

- Já teve que mostrar de que fibra é feita a uma miúda mais velha que se meteu com ela. Mas também há um grupo de "mais crescidas" que a protegem, chamam-lhe Laurinha, abraçam-na e enchem-na de beijinhos como se fosse uma boneca.

- Não voltou a chorar para ir para a escola e tem saído da feliz da vida.