Mostrar mensagens com a etiqueta Direitos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Direitos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Maminhas!

Estou tão orgulhosa de todas aquelas mães na Argentina!

A Eva tem sido amamentada desde que nasceu. Desde o primeiro segundo. Já a amamentei no meio da rua, enquanto corria para a escola da mana mais velha. Amamentei-a na escola da mana mais velha. No autocarro, no metro. Em praticamente todas as lojas e supermercados onde entrei desde fevereiro. Num concerto de rock. Num espetáculo de dança. Na praia. À beira de piscinas, com os pés de molho. No parque infantil. Em esplanadas. Em todos os restaurantes onde comi. Numa despedida de solteira (querida Eurídice!!). No parque de estacionamento. Enquanto corrigia os trabalhos de casa da Laura ou enquanto estendia a roupa. Até durante uma depilação às virilhas (sim, é verdade!!).

É o meu corpo, as minhas mamas, a minha bebé, a minha decisão! Deal with it!


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Os nossos filhos são muito mais que uma nota num exame!

Hoje entreguei a minha filha na escola para fazer o teste intermédio de português do 2º ano de escolaridade.

Não há problema nenhum, porque não há alunos com menos 1 mês e meio de aulas.

Não há problema nenhum, porque toda a gente sabe que as crianças são todas iguais e aprendem todas da mesma maneira.

Não há problema nenhum, porque estamos a tratar estes alunos, como se fossem pequenos adultos, treinando-os como animais de circo para os exames do 4º ano, depois do 6º, do 9º e por aí fora.

Não há problema nenhum em trabalhar 1 ano inteiro tendo como único objectivo o bom rendimento nos exames.

Não há problema nenhum se o que queremos são crianças sem sentido crítico e que não pensem muito.

Hoje levei a minha filha à escola e disse-lhe o que lhe digo todos os dias "Amo-te muito, toma atenção e acima de tudo, diverte-te!". E as notas que se fodam!




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Prometi-te, Laura

Que ias ser feliz na escola.

Que lá ias passar 5 dias por semana e que isso ia ser maravilhoso. Que virias para casa toda contente porque aprendeste coisas novas. Que não irias ter medo do teu professor. Nem de errar. Que ias ter um professor que jamais bateria na mão do teu amigo. Que jamais gritaria contigo por estares no mundo da lua.

Prometi-te que ias ter um professor amigo.

E este ano tens um que te dá colo quando choras porque tens uma otite e não podes fazer a aula de natação.

Que não te castiga porque isso "não é possível". Porque não é possível repreender uma menina tão amiga dos seus amigos, que nunca faz nada com maldade. Chama-te antes com calma para regressares à terra.

Que te elogia e te diz a quantidade de coisas em que acertaste e não as que erraste.

Que te trata por Laurinha.

Que te deixa falar e te ouve com atenção.

Que não te passa trabalhos de casa. Envia trabalhos para casa. Divertidos. Úteis. Para fazermos em conjunto.

Vens aos saltinhos para casa e com tanta coisa para nos ensinar.


Esta é a escola que quero para ti. Este ano conseguimos. E um dia, mais tarde quando cresceres mais um bocadinho, vou-te poder explicar porque é que te sentes tão grande e tão feliz este ano.Um dia vou-te poder dizer que és uma super criança, porque nunca desististe e, apesar do medo, nunca te calaste.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Desculpa, Laura...

Por estares enfiada numa sala, com esse rabinho que nunca consegue estar quieto, das 9h às 18h30. Por vires para casa a chorar porque a professora bateu na mão do teu amigo ou gritou contigo porque estavas a olhar pela janela a ver passar uma nuvem em forma de gato.


Por trazeres trabalhos de casa como castigo, quando te prometi que estudar seria sempre uma maravilha.


Perdoa-me, Laura, por teres ficado sem recreio, quando me recusei a ver o teu sofrimento num domingo de sol (e têm sido tão raros), sentada na tua secretária, a tentares escrever a pérola da pedagogia “Devo estar com mais atenção às correções” vezes sem conta, e decidi que era bem mais produtivo irmos ver o Palácio da Pena e apanhar flores na serra, depois de teres estudado sexta quando chegaste da escola, mais sábado durante grande parte da tarde.


Por  veres  a mãe de uma colega tua a consolá-la porque a professora não a deixou ir à casa de banho e ela fez xixi pelas pernas abaixo e por ouvires o desespero de uma mãe desempregada, que não tem dinheiro para pagar explicações fora da escola, o apoio escolar não está a resultar e a filha pergunta-lhe porque é que é burra. Respondo-lhe que não há crianças burras, mas sim com diferentes formas de aprendizagem. Que são os adultos, neste caso, os professores, que têm que descobrir maneira de a cativar, e ela agradece-me porque nunca tinha pensado nisso. Nunca ninguém lhe tinha dito que a filha não é efectivamente burra.


Por chorares com medo de errares. Porque na escola ralham contigo quando erras.


Por começares a ter medo de falar.


Isto tudo, numa “escola-modelo”, numa capital europeia.



Esta não é a escola que eu quero para ti.


Quero uma escola em que os professores são amigos dos alunos e os alunos amigos dos professores. Uma escola em que todos se respeitem. Uma escola compreensiva, solidária, integrativa, justa e criativa. Livre de violência, de preconceitos. Que não seja submissa. Que forme efectivamente cidadãos. Sem castigos, sem agressividade, respeitando a especificidade, as particularidades e o ritmo de cada aluno.


Acima de tudo, uma escola onde se seja feliz. Porque toda a gente sabe que crianças felizes aprendem melhor.


Ainda vou a tempo, Laura. E isto é uma promessa.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Hoje levei uma chapada... duas para ser mais exacta

Hoje vi uma criança sair do ATL, dirigir-se à mãe e levar com um "ou vestes o casaco ou levas duas chapadas"...

Não houve troca de beijinhos, nem de abraços. Não houve qualquer tipo de afecto. Nem um "olá", nem um "tiveste um dia bom?", e muito menos um "tive saudades tuas!"...

Já não é a primeira vez que assisto a este tipo de miminhos dos pais quando vão buscar os miúdos, mas gostava mesmo que esta tivesse sido a última.

A criança que saiu do ATL é a criança que me pede sempre um beijinho quando deixo a Laura de manhã na escola.

Deve ser tão difícil ser criança quando se cresce entre monstros...


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Um Ministério da Educação que brinca às escolas

Estive agora a ver a reportagem na TVI sobre o financiamento de colégios privados com dinheiros públicos...

Estão a destruir a escola pública. A treta da liberdade de escolha… Querem falar sobre liberdade de escolha????!!!!

Liberdade de escolha é a minha filha não começar o ano sem professor, é que não lhe chova dentro da sala de aula, é que o coleguinha não parta a cabeça no recreio porque a Parque Escolar projectou uma escola sem pensar na segurança das crianças. 

Liberdade é nenhuma criança passar fome na escola, é não ter que decidir se usa o papel higiénico para limpar o rabo ou para se assoar, porque para as duas coisas não chega. 

É terem transporte para não andarem 1, 2, 3 ou mais quilómetros para chegarem à escola. 

É poderem escolher se querem ter aulas de piano, educação física, música, ballet, pintura ou teatro. É não terem turmas sobrelotadas. 

Liberdade é apoiarem o ensino especial, sem excluir as crianças com necessidades educativas especiais, retirando-lhe verbas. 

É não atirarem para o desemprego milhares de professores e auxiliares e não autorizarem as escolas públicas a abrir mais turmas para que não faltem alunos no privado.

A educação não é um negócio.


154 milhões de euros, Crato?! Isto é criminoso! Bolinha vermelha para ti!




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Uma roda por dia nem sabe o bem que lhe fazia

Eu queria acreditar que a escola tinha mudado muito desde a minha altura. Os jardins de infância que a Laura frequentou fizeram-me acreditar ainda mais numa escola onde se aprendia a brincar, onde se respeitavam as características de cada aluno e se as aproveitavam para uma aprendizagem criativa e positiva.

Mas agora, não sinto nada disso. Os miúdos que só vivem neste mundo há uns 5, 6 anos, são obrigados e ficar fechados dentro de salas, sentados, quietos e de preferência calados, porque entraram para essa grande instituição "a escola dos crescidos". E se ser crescido significa não ter tempo para brincar, se significa levar gritos dos adultos porque se escreveu com esferográfica e não com lápis, se significa levar trabalhos para fazer em casa, religiosamente, todos os dias da semana, não permitindo a descontração e a brincadeira em casa, apesar de já terem feito mil e uma fichas nas horas que estiveram na escola, então ser crescido é uma bela duma merda.

A escola não é gira. Já não se dão reguadas, mas não se permite às crianças que sejam isso mesmo: crianças. Há uma pressa em fazer deles "homenzinhos" e "mulherzinhas" submissos, calados e quietos, como se de máquinas se tratassem, cheios de regras, muitas das vezes absurdas e antipedagógicas, onde as notas valem muito mais que os valores.

Já repararam que os nossos filhos trabalham muito mais horas do que nós?

A Laura está contente. Gosta de ir para a escola. Gosta dos colegas e das aulas de expressão dramática. Não gosta da professora porque ela lhe grita. Não gosta de fazer os trabalhos de casa porque já fez inúmeras fichas na sala de aula e está saturada.

Falei com vários amigos com filhos mais velhos que a minha. "Vai correr tudo bem, é mesmo assim. Há um período de adaptação. Sim, o ensino está uma desgraça. Mas ela vai sobreviver".
Eu não tive filhos para que eles sobrevivam. Eu tive uma filha para que ela viva.

Ontem levou bolinha vermelha porque fez a roda no meio da sala quando a professora lhe chamou a atenção. E ela nem percebe muito bem, porque é sempre correta, educada e gentil com toda a gente, especialmente com os adultos. Gostava de ter tido bolinha azul, mas o vermelho até é a cor preferida da sua mãe e fazer a roda depois de uma manhã inteira a aprender foi o que lhe soube bem.
Até porque com os TPCs diários dificilmente arranjará tempo para regressar às suas aulas de dança... e a miúda tem que gastar aquela energia de alguma maneira.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

2ª semana de aulas sem professor

Pensava eu que ia mais furiosa, raivosa, revoltada e a espumar pela boca do que qualquer encarregado de educação daquela escola. Só não me lembrei que eu sou novata nesta coisa do 1º ciclo. Há gente que lida com isto há quatro anos. Por isso, havia gente bastante mais exaltada do que eu, que gritou, reclamou e esbracejou.

Ficámos a saber que (talvez) na 2ª feira já pode haver professor para o 1º ano. Que este atraso todo é culpa do Ministério da Educação que bloqueou o processo com burocracias, uma vez que se trata de uma escola TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), não foi possível iniciar-se a contratação de escola mais cedo.
O Director do agrupamento prometeu combater este cenário durante o próximo ano, para evitar futuras situações de turmas sem professor.

Também fiquei a saber que os alunos do 4º ano não têm porta na sala (sim, leram bem), porque a Parque Escolar não deu dinheiro para a arranjar.
Isto também é válido para uma "divisória" no recreio que divida os alunos do 1º ciclo do 2º e 3º ciclo (existe portanto uma linha imaginária, sem custos) e para a caldeira do balneário dos rapazes.

Há filas intermináveis para a compra de senhas de refeição porque não há pessoal - existe uma tesoureira para 1000 alunos e não há dinheiro para contratar mais pessoal.

Para terminar, houve queixas em relação aos alunos frequentarem as piscinas municipais 1 vez por semana. Porque chegam a casa muito cansados. E nem mesmo quando o Director os chamou à razão "há crianças que se não aprendem a nadar através da escola, nunca o vão fazer porque os pais não têm posses para isso", mudaram de opinião.

Vi professores dedicados que gostam daquilo que fazem. Que gostam de ensinar e que gostam das crianças.
Que se riram quando lhes perguntei se não havia maneira de pressionar as entidades (in)competentes, porque não têm eles feito outra coisa.
Pude finalmente agradecer pessoalmente à professora dos "meninos crescidos" que "acolheu" a minha filha.

A Laura não chorou mais para ir para a escola. Ainda não percebeu muito bem porque é que não tem professor, mas eu pedi-lhe para confiar em mim, que em breve irá para a sua sala de aula aprender a ler e a escrever.
Já é conhecida como a menina "despachada", que tem sempre alguma coisa para dizer.

Há falta de professores, inclusive do ensino especial, há falta de auxiliares e de pessoal administrativo (o que não se entende com tanta gente desempregada!) e os edifícios estão degradados (o caso do Liceu Camões é outro escândalo). Onde deveria ser a 2ª casa dos nossos filhos. Onde deveriam ser acarinhados e respeitados - O Ministério da Educação e a Parque Escolar não têm feito outra coisa se não desrespeitar a escola pública e a comunidade escolar (em particular, professores e alunos).

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A primeira semana no 1º ano

- Continua sem professor e passa o dia na sala dos "crescidos" a fazer desenhos e a escrever a palavra "ovo".

- Hoje, no meio da brincadeira pré-banho, disse "cu", riu-se e nós não!

- Tem duas colegas "incranianas" - com esta ri-me, claro.

- Uma das novas regras no 1º ciclo é que não se pode conversar durante as refeições - regra essa que terei que investigar, uma vez que os miúdos já passam horas a fio fechados dentro de salas, era só o que faltava não poderem falar uns com os outros enquanto comem.

- Outra regra é que não posso entrar no CAF quando vou buscar a miúda, porque gera muita excitação nas crianças e ficam desconcentradas (enquanto lancham)... pergunto-me se têm crianças dentro daquela sala ou animaizinhos ferozes que ninguém controla. Pergunto-me também qual o nível de concentração exigido para a hora do lanche.

- A segurança da escola é anedótica, nunca ninguém me pediu identificação e ontem apanhei um miúdo que tinha fugido do CAF pelo 2º dia consecutivo. No 1º dia não tinham dado pela falta dele, sequer - a auxiliar que estava ao portão confirmou que o menino tinha andado por ali ao final do dia e que a mãe o tinha vindo buscar ao portão e não dentro das instalações do CAF, onde era suposto.

- Ninguém me sabe dar informações sobre as AECs, o que é no mínimo estranho, porque a miúda já teve música, teatro e duas aulas de ginástica. Ninguém sabe de nada, mas lá que elas andam por aí, lá isso andam, ou então a minha filha tem uma imaginação muito fértil.

- Leite escolar, até agora, nicles!

- Caiu-lhe uma das patilhas do fecho da mala, ela chorou e a professora que a está a acompanhar consolou-a e pôs um clip para ela conseguir abrir e fechar a mala.

- Já faz o pino durante 10 milésimos de segundo e faz cambalhotas para a frente e para trás com uma facilidade que eu invejo.

- Já teve que mostrar de que fibra é feita a uma miúda mais velha que se meteu com ela. Mas também há um grupo de "mais crescidas" que a protegem, chamam-lhe Laurinha, abraçam-na e enchem-na de beijinhos como se fosse uma boneca.

- Não voltou a chorar para ir para a escola e tem saído da feliz da vida.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Hoje a minha filha foi para a escola a chorar

porque ainda não tem professor. Porque não gosta de estar na sala do 4º ano. Porque ainda não percebeu quem são os colegas com que vai partilhar a sala. Porque nunca imaginou que a entrada para a escola seria assim... com tudo ao contrário do que a mãe, o pai, os avós, os tios, os primos e os amigos lhe foram dizendo que seria entrar para o 1º ano.

Mas diz o ministro da educação que está tudo a funcionar correctamente.
Se por "correctamente" quer dizer que há escolas que ainda não abriram por falta de pessoal, que há crianças do pré-escolar e do 1º ciclo sem professor, que está instalado o caos, então sim, se é esse "correctamente", então eu aceito.

Este governo está a destruir a nossa escola pública. A desrespeitar professores, alunos, pais e toda uma sociedade que contribui com os seus impostos.

É suposto a escola onde passam 8, 9 e até 10 horas por dia seja um sítio de estabilidade e de carinho e não um sítio desorganizado e assustador, onde ninguém está satisfeito nem motivado.

Passei o dia com o coração apertadinho, a pensar como estaria a piolha. O dia acabou por lhe correr bem. A professora do 4º ano deu-lhe um trabalho para fazer e como correu tão bem, mostrou-o à turma dos "meninos mais velhos".

Só me resta agradecer à professora que entre dar o programa aos alunos do 4º ano, ainda tem que se desdobrar em mil para cuidar de umas quantas crianças do 1º ano que caíram ali de páraquedas.

E Crato... uma imagem vale mais que mil palavras.




"Não se pode ensinar bem o que não se sabe bem" - Um ministro da educação que atribui a culpa da falta de professores nas escolas à falta de interesse dos mesmos nas vagas, só pode significar que não conhece minimamente a realidade do ensino no nosso país. E isso, além de ser altamente insultuoso, só pode significar DEMISSÃO!

A bem ou a mal vamos ter que dar a volta a isto!

domingo, 25 de agosto de 2013

Cuidado Casimiro


Acho que todos devíamos estar atentos!
Ao que consta a Cinemateca corre o risco de não abrir portas...
Querem-nos estúpidos e acéfalos. E a melhor forma que têm de o fazer é cortar-nos a Cultura!

E nós?!
Vamos deixar?!
Quem quiser aqui está a petição!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sobre as 40 horas semanais

Laura... Sabes aqueles dias magníficos em que o papá te vai buscar mais cedo à escola? Aqueles dias em que podes ir andar de baloiço ou ir passear ao jardim? Aqueles dias que parecem maiores porque em vez de 9 horas passadas na escola, passas apenas 8 e isso faz toda a diferença?
Pois bem, alguém achou que nem tu, nem o teu pai, nem eu merecemos isso. 
Alguém achou que trabalhamos poucas horas, que produzimos pouco (seja lá o que isso signifique) e que devemos trabalhar mais 1 hora.

Apesar de não ser funcionária pública, a minha filha vai ter que trabalhar mais 1 hora por dia, 5 dias por semana. Nem 6 anos tem.
As minhas cadelas vão passar a esvaziar a bexiga 1 hora mais tarde.
E eu estou passada dos carretos com esta medida! Já não aguento o "discurso do empreendedor" que temos que produzir mais, que temos que trabalhar mais horas e o que os funcionários públicos passam o dia a coçar a micose e deviam trabalhar as mesmas horas que os do privado. É um discurso idiota, invejoso e mesquinho.
Enquanto andarmos ocupados a apontar o dedo a direitos fundamentais dos trabalhadores, conquistados com enorme esforço, em vez de lutarmos para termos a vida e a dignidade que merecemos não vamos a lado nenhum. E que tal os do privado trabalharem 35 horas semanais, em vez das 40?

Parece que agora só não é crime querermos trabalhar até morrer. 
Tempo para passear, descansar, namorar, foder, ler um livro, ir ao cinema, ver as vistas, ouvir música, contar as estrelas? Está tudo maluco? Qualquer dia querem viver, não? Nã nã! Trabalhar é que é bom! Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Acabem-se os feriados, as horas extraordinárias pagas como deve ser, os subsídios de natal e de férias e com as baixas. Férias. Que acabem com as férias também! E com as famílias! Que se comece a viver no local de trabalho. A dormir lá. Os nossos miúdos já passam tanto tempo na escola, dá-se-lhes um saco-cama e eles ficam na boa a viver na sala de aula. Com alguma sorte, ainda nos dão o Domingo para matarmos saudades. Ou não. Fechem-se as portas das galerias do povo, para que as leis possam ser aprovadas à porta fechada. Escravos, submissos, endividados com dívidas que não contraímos, completamente vazios de acção, resignados. É assim que nos querem.

São mais 5 horas de trabalho por semana, pagos a custo zero, são 260 horas num ano que a minha filha vai passar na escola. Em vez de regar as nossas plantas, levar as nossas cadelas a passear ou ler um livro aninhada nos braços de quem mais ama.


Já a minha avozinha dizia que "quem não deve, não teme". Não podemos continuar a ser (des)governados por quem tem medo de nós!
Para a próxima que não sejam os inocentes a abandonar o parlamento!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Empreendedora lá isto!

Diz o menino Martim que "pelo menos não estão no desemprego", os trabalhadores que lhe alimentam o empreendedorismo. Podem estar a ser explorados, a viver na miséria, com contas da luz e da água em atraso, com mensalidades das escolas dos filhos em falta, sem comida na mesa, mas pelo menos não estão sem fazer nada.
Querido Martim, pode ser que um dia só tenhas merda para comer, mas sempre é melhor comer merda do que não comer nada.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Hoje posso dizer à minha filha que o amor venceu

Cá em casa mãe e filha adoram ouvir rádio. Na rádio ouvem-se as notícias. E um dia tive que explicar a uma menina de 4 anos que o amor não venceu.

Foi difícil, muito difícil. Porque ela não entendeu. Não conseguia perceber que era possível existir alguém que proibia outro de ser feliz. Que se toda a gente se podia casar, porque é que não podiam ter filhos? Porque não existe no mundo ninguém que nasça preconceituoso. Ninguém nasce homofóbico. Ninguém nasce mau. Mas, infelizmente, pode-se crescer no seio de famílias que não sabem o que é amar, nem educar, nem cuidar, nem respeitar.

Amanhã, para grande felicidade minha, vou poder dizer a uma menina que hoje tem 5 anos que, um dia, quando se apaixonar, seja por quem for, e se um dia quiser adoptar uma criança, o poderá fazer.

Porque sim, prefiro ocultar-lhe o facto de apenas ter sido aprovada a co-adopção. Falta tudo o resto.
Porque espero que muito em breve lhe possa dizer que somos pessoas a sério. Sem preconceitos.

Pelo amor! Pelo direito a ser feliz!


terça-feira, 14 de maio de 2013

Se a Angelina Jolie recorresse ao SNS

ainda teria as duas mamas. Provavelmente nunca teria sequer feito exames para detectar as alterações genéticas que fazem com que tenha mais de 80% de ter cancro da mama.
Provavelmente passaria 6 meses com sintomas e dores e má disposição, para lhe diagnosticarem uma depressão. Ela insistia que não existia qualquer tipo de depressão, a família perderia a paciência e gastaria balúrdios num hospital privado para que lhe fizessem um diagnóstico correcto.
Aí, iria ser encaminhada para o público para começar os tratamentos. Deixariam-na horas à espera em salas frias, cheias de gente, para um oncologista nem sequer a olhar nos olhos. Deixariam-na esquecida, a apanhar correntes de ar, numa sala com um qualquer programa da tarde a dar na televisão, à espera da radioterapia, até os familiares darem com ela e reclamarem.
Provavelmente levaria adesivo de casa para prender as agulhas e os fios, porque no hospital não havia.
Provavelmente, ligaria a quem mais ama, a pedir socorro, a chorar, porque está doente, cansada, não se consegue levantar da cama e nenhuma enfermeira foi capaz de lhe mudar os lençóis durante a noite.
Quase de certeza que, no dia seguinte, a família a tira do hospital e a leva para casa, contra as ordens médicas.

Foi das últimas vezes que vi a minha mãe rir às gargalhadas. Em casa. Connosco. Protegida.

Provavelmente, os familiares teriam que deixar de trabalhar e estudar para ter a certeza de que estava bem acompanhada. Para estarem atentos de cada vez que lhe trocavam os exames ou não lhe tiravam as dores.


Foi de uma coragem transcendente o que a Angelina fez. Aliás, esta mulher é extraordinária. Usa o mediatismo que tem para praticar o bem. Isso é inegável.
E como mãe, acho lindo ela ter tomado esta decisão a pensar nos filhos. Derreteu-me o coração.

A minha mãe morreu com a idade que a mãe da Angelina Jolie morreu.
A minha mãe nunca conheceu a neta.
O SNS fez questão de lhe roubar o tempo que poderia ter para lutar contra esta doença.
A mim roubou-me a mãe.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A luta do Derek e da Cyndie


Não posso dizer que tenha sentido isto na pele, porque não aconteceu a um filho meu.
Aconteceu à minha mãe. E não o desejo a ninguém. A NINGUÉM!
Desejo sim que o nosso país evolua de uma vez por todas no tratamento dos pacientes.
Desejo que aposte nos cuidados paliativos à séria. Que deixe morrer em paz quem se sabe que não vai sobreviver. Sem dores, com o mínimo de sofrimento, sem medo, com apoio, com compreensão, com carinho, com conforto e com dignidade.

Aviso à navegação: estas imagens são fortíssimas. (Dão para o choro compulsivo!)