Dar um murro bem dado. Provocar sem piedade e saber que não se vai para casa com um olhar superior no saco, com um sorriso de desdém de quem soube ser «melhor». Ser provocado e não ter de ter um olhar e um sorriso especial para a situação; não estar quase a chegar a casa e lembrar-me, finalmente, do que teria sido perfeito dizer porque há situações para as quais as nossas capacidades linguísticas e cognitivas não são chamadas; não ter de dar uma desculpa - perfeita como esta que seja;
Não é um tabefe, um puxão de cabelos, um pontapé nas canelas, um empurrão. É um murro. Dá-lo e ficar à espera do troco. As sinapses todas a gritar BRING IT ON, BITCH! na arena do meu córtex pré-frontal. Até que alguém nos separe. (Por favor, alguém nos separe!)
No entanto, por razões técnico-biológicas, não sei o que é dar um murro valente e ficar de pé nos 5 segundos seguintes para contar como foi. Nunca ninguém do meu tamanho se meteu comigo e nunca me meti com ninguém do meu tamanho. Sempre gostei de pensar em grande, muito grande. Dimensões mastodônticas, de preferência.
Não é violência - isso é coisa de cobardes.
E o Camilo que trago no ventrículo esquerdo diz-me que nunca este punho se ergueu que não fosse em defesa de um honra qualquer - a minha, a da amiga, a da mãe, a do direito e ter o peso e a cara que me calharam em sorte.
Descubro-me, às vezes, nas saudades das coisas mais estranhas.
