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segunda-feira, 23 de março de 2015

família


Irmão, Irmãos

Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de importância.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.

São seis ou são seiscentas
distâncias que se cruzam, se dilatam
no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,
o mesmo vinhático das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?
São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objectos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.
Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 28 de maio de 2014

o mercado da ribeira e o outro

a Time Out ocupou o mercado da ribeira. metade do mercado da ribeira para ser exacta. diz-se que se quer "reabilitar" os mercados de lisboa, já se tinha feito o mesmo com o mercado de campo de ourique, ao qual ainda não fui. na verdade não tinha grande interesse em ir também a este mas a verdade é que trabalho colada a ele (o interminável som das obras, tão agradável face ao som dos restaurantes), vivo aqui perto e é aqui que saio à noite e ontem fui lá fotografar e filmar aquilo, para vos mostrar. viver sempre aqui faz com que conheça na perfeição o cais do sodré, a praça de são luís, a praça de são paulo, os restaurantes que convivem com a rua cor de rosa, as prostitutas que convivem com os designers. o cais do sodré vive por camadas, é a sua característica mais fascinante. nenhuma nova camada (e tem havido tantas) se sobrepõe a outra que já lá estava, convivem.
este amor ao bairro não me permite encontrar justificação no "novo" mercado da ribeira. isto porque o mercado é ainda um sítio onde se encontram pessoas amigas, que nos escolhem a melhor fruta ou nos guardam beldroegas quando chegam, que nos guardam o pão, onde dizem em segredo que peixe é mais fresco. onde nos cortam a rama do alho francês para não pagarmos uma parte do legume que não usamos para cozinhar. e o que a Time Out fez não foi reabilitar este belo mercado, foi criar o que só se pode descrever como um topo de centro comercial, com comida cara, mesas corridas, filas, cheiro a fritos e um barulho ensurdecedor (como se pode ver/ouvir no vídeo em baixo). claro que as pessoas gostam, vão, enchem as filas porque finalmente, grande sorte, podem comer um hamburguer honorato e um santini quase sem mexer os pezinhos.
estamos a transformar esta cidade numa cidade tipo, estilizada, sem variações. não fossem as nossas amigas do mercado resistentes e nem teríamos camadas. o que foi reabilitado foi o espírito empresarial e o lucro de empresas internacionais. ao circularmos por aqui vemos um comércio tradicional afectado, sem que para ele se fale de reabilitação. em troco de nada, zero qualidade, zero beleza, e, claro, zero espírito crítico de alguns consumidores. só lucro e um topo de centro comercial feito para encher olhos pouco exigentes e esvaziar os bolsos dos desatentos.
por todo o mercado da ribeira as nossas pessoas reviram os olhos. não estão satisfeitas com o que lhes aconteceu, à casa delas. e lisboa também não deveria estar. e nós também não. por mim continuarei a beber o meu café no Tati e a comer as favas do Cid. e a comprar as frutas e os legumes feios do meu mercado da ribeira.






quarta-feira, 7 de maio de 2014

tudo a assinar! não dá para fechar mais os olhos!


Reports of 234 kidnapped Nigerian schoolgirls have made headlines worldwide, and now a new twist has emerged — the kidnapped girls are reportedly being sold into modern slavery for as little as $121.
But there is a solution.
Experts believe that if the Nigerian Government acts immediately and uses every resource at its disposal, it can locate the girls and return them to their families.
However for this to happen they need to know that the world is watching — and waiting.Help save the 234 schoolgirls from Forced Child Marriage — tell Nigerian President Jonathan to:
  1. Act immediately on intelligence received from credible local sources;
  2. Work with neighbouring countries Cameroon and Chad as well as other nations offering assistance to mount an effective search for the girls; and
  3. Improve the protection of schools in north-eastern Nigeria so children can receive an education without risk of kidnapping, forced marriage or other abuses.
Each day the schoolgirls are held captive, the risk of them falling victim to Forced Child Marriage increases. By sending a strong, united message to Nigeria’s President today, we can help ensure his Government spares no effort until the girls are rescued and back with their families.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

sobre o poliamor

o mundo está a mudar. é difícil aceitar mudanças sobretudo as que não entendemos. muita gente me tem perguntado pelo poliamor. explico o possível, aqui está uma explicação na primeira pessoa:

http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/40anos25abril/2014-04-05-um-caso-de-poliamor-que-assume-a-liberdade-de-escolha
 clicar na imagem

quarta-feira, 2 de abril de 2014

as lolitas estão em festa

a Eurídice faz 30 anos.
e a Eurídice arrisca-se a ser, aos 30 anos de vida solar como diz o outro, a pessoa mais fixe e amiga da face da terra. é o que dá ser Lolita. e ser Eurídice.
parabéns, maluquinha!





sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

sobre a co-adopção

acho que o que se passa vai muito para além do que aparenta passar-se. creio que se impõe uma reflexão importante sobre a forma como um governo de um país nunca será apenas isso mesmo, um governo. as implicações que este governo já teve no nosso quotidiano são absolutamente destruidoras e invasivas. mesmo que haja muita gente que não vê. está a destruir mentalidades como um cancro que avança devagar. o primeiro sintoma, absolutamente esclarecedor, é a indiferença. tornar-nos apáticos e ignorantes é a verdadeira forma de demonstrar o modo como a ignorância deles nos pode realmente afectar. felizmente são inúmeras as excepções.

hoje foi o dia em que foi aprovado um referendo sobre a co-adopção por casais do mesmo sexo.

um referendo

por se considerar que é assunto público e que deverá ser dado a todos o direito e vá, o dever, de decidir se no país onde todos co-habitamos uma criança deverá ser adoptada por pessoas que são do mesmo sexo. duas mulheres ou dois homens. e nós, povo em tudo soberano e na sua maioria heterossexual (graças a deus), poderemos então decidir se a vida dos outros nos incomoda. se eles têm amor suficiente para educar uma criança, se ela será feliz. se tivermos juízo talvez votemos não, porque, caramba, a criança até pode sofrer traumas durante a sua infância por ter na escola crianças que gozam porque o menino tem duas mães, ou dois pais. quanto a isto tenho tanto a dizer mas vou cingir-me a apenas um comentário. a falta de tolerância e a ignorância são os verdadeiros traumas difíceis de cuidar. não podemos defender os nossos miúdos da tolerância. não podemos defendê-los do direito de terem a família deles (porque se nos deixarmos de hipocrisias de merda percebemos que essas famílias existem mesmo que a lei não as reconheça) reconhecida legalmente porque isso traz um infinito número de vantagens que nem preciso enumerar aqui.

é isto que este governo nos está a fazer. este foi o dia em que o governo nos fez acreditar que é democrático decidirmos sobre o amor, sobre a família dos outros, sobre o conforto e segurança dos outros, sobre a legitimidade que os outros têm em educar os seus, em decidir em família o que é melhor, mais correcto, mais justo, transformando aquelas crianças em crianças menores e mais infelizes porque têm duas mães ou dois pais. não só não nos compete esta decisão como não nos compete nunca dizer a uma criança que a família dela não é válida baseando-nos apenas no género dos progenitores. porque é essa a mensagem que este "acto democrático" está a passar, que eu decido sobre a validade de uma família tendo apenas o género como bitola.

este governo já nos tinha tentado mostrar que o que é bom é ter trabalhinho, se for pago a horas então fomos bafejados pela sorte. já nos tinha convencido que não há cá merdas de quereremos ir ao hospital de "graça", ou à escola de "graça", que não há cá palhaços. que os desempregados não querem trabalhar e querem sugar-nos os nossos impostos em forma de subsídios, os reformados idem, os funcionários públicos igual. agora tentam convencer-nos que temos o direito e vá, o dever, de decidir se os casais homossexuais têm o direito de ter uma família como nós, os que estamos certos por termos feito a escolha certa de prevaricarmos com pessoas do género oposto.

filhos da puta

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

as lolitas vistas por uma adolescente

há comentários que têm mesmo de vir para o blog das lolitas. estava eu a falar com a minha prima mais velha (13 anos) sobre o Avante e ela, muito entusiasmada, pergunta se as minhas amigas simpáticas vão todas. e foi assim que se referiu a elas:

- a mais velha
- o rapaz das barbas tão simpático e a namorada (foi despromovida, esta)
- a pequenina
- a mãe da Laura

e agora para 50.000€, quem é quem? (eu sou a prima linda, a Eurídice eles não conhecem, estamos fora!!)

terça-feira, 4 de junho de 2013

PARABÉNS LOLITA MAIS GIRA!

dia de aniversário de lolita é dia de festa!! e hoje é mesmo!!
parabéns giraça! 
we love u
bora festejar!!!
lá lá lá lá



terça-feira, 30 de abril de 2013

a lolitar desde 2007

laura pinta a titi com olhos verde sininho e baton vermelho e blush escuro

domingo, 14 de abril de 2013

máquina de lolitar

Lolitar.
(do latim aparvalhare, um)v. int. 1. Acto de fazer lolitagens;2. Deitar cá para fora amarguras, irritações, parvoíces e palavras pirosas do coração; 3.O mesmo que esticar o cabelo na marquise da Rosa.


e cá está a nova máquina de lolitar! já chegou!



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

temos uma lolita a mudar de casa

e eu adoro mudanças de casa! e quando ontem entrei na casa nova às escuras só vi coisas boas a acontecer ali. e amei fazer parte da equipa de mudanças de uma lolita+fígado que é como sentir amizade ao quadrado. foram três horas do caraças (três no meio de mil de mudanças eu sei). mais uma casa que é a nossa casa.




esta não é a vista da casa deles, se estavam na dúvida. mas a vista deles é o máximo!