Lolitar.
(do latim aparvalhare, um)
v. int.
1. Acto de fazer lolitagens;
2. Deitar cá para fora amarguras, irritações, parvoíces e palavras pirosas do coração;
3.O mesmo que esticar o cabelo na marquise da Rosa.
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Deixam-me a almoçar sozinha e depois dá nisto
- Porque é que quem não tem dentes tem tantas nozes?
- Porque é que temos direito a mais dias quando nos casamos do que quando nos morre alguém? E se for um dos animais de estimação não temos direito a dia nenhum?
- Porque é que nunca me lembro do nome das bandas novas que gosto e depois é um 31 para as descobrir no youtube?
- Porque é que o preço das azevias é tão insultuoso?
- Porque é que temos direito a mais dias quando nos casamos do que quando nos morre alguém? E se for um dos animais de estimação não temos direito a dia nenhum?
- Porque é que nunca me lembro do nome das bandas novas que gosto e depois é um 31 para as descobrir no youtube?
- Porque é que o preço das azevias é tão insultuoso?
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Hoje a minha filha foi para a escola a chorar
porque ainda não tem professor. Porque não gosta de estar na sala do 4º ano. Porque ainda não percebeu quem são os colegas com que vai partilhar a sala. Porque nunca imaginou que a entrada para a escola seria assim... com tudo ao contrário do que a mãe, o pai, os avós, os tios, os primos e os amigos lhe foram dizendo que seria entrar para o 1º ano.
Mas diz o ministro da educação que está tudo a funcionar correctamente.
Se por "correctamente" quer dizer que há escolas que ainda não abriram por falta de pessoal, que há crianças do pré-escolar e do 1º ciclo sem professor, que está instalado o caos, então sim, se é esse "correctamente", então eu aceito.
Este governo está a destruir a nossa escola pública. A desrespeitar professores, alunos, pais e toda uma sociedade que contribui com os seus impostos.
É suposto a escola onde passam 8, 9 e até 10 horas por dia seja um sítio de estabilidade e de carinho e não um sítio desorganizado e assustador, onde ninguém está satisfeito nem motivado.
Passei o dia com o coração apertadinho, a pensar como estaria a piolha. O dia acabou por lhe correr bem. A professora do 4º ano deu-lhe um trabalho para fazer e como correu tão bem, mostrou-o à turma dos "meninos mais velhos".
Só me resta agradecer à professora que entre dar o programa aos alunos do 4º ano, ainda tem que se desdobrar em mil para cuidar de umas quantas crianças do 1º ano que caíram ali de páraquedas.
E Crato... uma imagem vale mais que mil palavras.
"Não se pode ensinar bem o que não se sabe bem" - Um ministro da educação que atribui a culpa da falta de professores nas escolas à falta de interesse dos mesmos nas vagas, só pode significar que não conhece minimamente a realidade do ensino no nosso país. E isso, além de ser altamente insultuoso, só pode significar DEMISSÃO!
A bem ou a mal vamos ter que dar a volta a isto!
Mas diz o ministro da educação que está tudo a funcionar correctamente.
Se por "correctamente" quer dizer que há escolas que ainda não abriram por falta de pessoal, que há crianças do pré-escolar e do 1º ciclo sem professor, que está instalado o caos, então sim, se é esse "correctamente", então eu aceito.
Este governo está a destruir a nossa escola pública. A desrespeitar professores, alunos, pais e toda uma sociedade que contribui com os seus impostos.
É suposto a escola onde passam 8, 9 e até 10 horas por dia seja um sítio de estabilidade e de carinho e não um sítio desorganizado e assustador, onde ninguém está satisfeito nem motivado.
Passei o dia com o coração apertadinho, a pensar como estaria a piolha. O dia acabou por lhe correr bem. A professora do 4º ano deu-lhe um trabalho para fazer e como correu tão bem, mostrou-o à turma dos "meninos mais velhos".
Só me resta agradecer à professora que entre dar o programa aos alunos do 4º ano, ainda tem que se desdobrar em mil para cuidar de umas quantas crianças do 1º ano que caíram ali de páraquedas.
E Crato... uma imagem vale mais que mil palavras.
"Não se pode ensinar bem o que não se sabe bem" - Um ministro da educação que atribui a culpa da falta de professores nas escolas à falta de interesse dos mesmos nas vagas, só pode significar que não conhece minimamente a realidade do ensino no nosso país. E isso, além de ser altamente insultuoso, só pode significar DEMISSÃO!
A bem ou a mal vamos ter que dar a volta a isto!
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Sobre as 40 horas semanais
Laura... Sabes aqueles dias magníficos em que o papá te vai buscar mais cedo à escola? Aqueles dias em que podes ir andar de baloiço ou ir passear ao jardim? Aqueles dias que parecem maiores porque em vez de 9 horas passadas na escola, passas apenas 8 e isso faz toda a diferença?
Pois bem, alguém achou que nem tu, nem o teu pai, nem eu merecemos isso.
Alguém achou que trabalhamos poucas horas, que produzimos pouco (seja lá o que isso signifique) e que devemos trabalhar mais 1 hora.
Apesar de não ser funcionária pública, a minha filha vai ter que trabalhar mais 1 hora por dia, 5 dias por semana. Nem 6 anos tem.
As minhas cadelas vão passar a esvaziar a bexiga 1 hora mais tarde.
E eu estou passada dos carretos com esta medida! Já não aguento o "discurso do empreendedor" que temos que produzir mais, que temos que trabalhar mais horas e o que os funcionários públicos passam o dia a coçar a micose e deviam trabalhar as mesmas horas que os do privado. É um discurso idiota, invejoso e mesquinho.
Enquanto andarmos ocupados a apontar o dedo a direitos fundamentais dos trabalhadores, conquistados com enorme esforço, em vez de lutarmos para termos a vida e a dignidade que merecemos não vamos a lado nenhum. E que tal os do privado trabalharem 35 horas semanais, em vez das 40?
Parece que agora só não é crime querermos trabalhar até morrer.
Tempo para passear, descansar, namorar, foder, ler um livro, ir ao cinema, ver as vistas, ouvir música, contar as estrelas? Está tudo maluco? Qualquer dia querem viver, não? Nã nã! Trabalhar é que é bom! Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Acabem-se os feriados, as horas extraordinárias pagas como deve ser, os subsídios de natal e de férias e com as baixas. Férias. Que acabem com as férias também! E com as famílias! Que se comece a viver no local de trabalho. A dormir lá. Os nossos miúdos já passam tanto tempo na escola, dá-se-lhes um saco-cama e eles ficam na boa a viver na sala de aula. Com alguma sorte, ainda nos dão o Domingo para matarmos saudades. Ou não. Fechem-se as portas das galerias do povo, para que as leis possam ser aprovadas à porta fechada. Escravos, submissos, endividados com dívidas que não contraímos, completamente vazios de acção, resignados. É assim que nos querem.
São mais 5 horas de trabalho por semana, pagos a custo zero, são 260 horas num ano que a minha filha vai passar na escola. Em vez de regar as nossas plantas, levar as nossas cadelas a passear ou ler um livro aninhada nos braços de quem mais ama.
Já a minha avozinha dizia que "quem não deve, não teme". Não podemos continuar a ser (des)governados por quem tem medo de nós!
Para a próxima que não sejam os inocentes a abandonar o parlamento!
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Ah muito giro e tal ... "é pena é não ser em português"
já deito esta expressão pelos ouvidos. Sempre que algum português canta alguma coisa em inglês, zás, leva logo com este tipo de comentários.
Somos cidadãos do mundo. Compomos como bem nos apetece. E se me apetecesse compor em chilibibilidês? Hã? Não podia só porque nasci em Portugal? Que raio de argumento é este??!! Não posso ter chilibibidês no coração? Não me pode servir de referência, de inspiração?
Como portuguesa que sou, tenho que gostar de cozido à portuguesa, de galos de barcelos, de touradas, de matanças do porco, de vinho tinto, de fado e da Joana Vasconcelos? Not! Por acaso dos galos de barcelos até gosto. Mas se fossem galos de outra cidade qualquer ia gostar também. Eu gosto é das cores, tanto se me dá de onde é que vêm.
Também diriam ao Dali que os quadros dele eram bem fixes, mas faltam ali umas tortilhas para compor o ramalhete?!
A sério que não compreendo este tipo de posições. Acho totalmente desprovidas de sentido.
A arte e a cultura são universais. Têm todas as cores, todas as línguas, todos os instrumentos, todos os materiais que quisermos.
Ainda estou à espera do argumento que me convença. Ou talvez não. Não vale a pena darem-se ao trabalho.
Somos cidadãos do mundo. Compomos como bem nos apetece. E se me apetecesse compor em chilibibilidês? Hã? Não podia só porque nasci em Portugal? Que raio de argumento é este??!! Não posso ter chilibibidês no coração? Não me pode servir de referência, de inspiração?
Como portuguesa que sou, tenho que gostar de cozido à portuguesa, de galos de barcelos, de touradas, de matanças do porco, de vinho tinto, de fado e da Joana Vasconcelos? Not! Por acaso dos galos de barcelos até gosto. Mas se fossem galos de outra cidade qualquer ia gostar também. Eu gosto é das cores, tanto se me dá de onde é que vêm.
Também diriam ao Dali que os quadros dele eram bem fixes, mas faltam ali umas tortilhas para compor o ramalhete?!
A sério que não compreendo este tipo de posições. Acho totalmente desprovidas de sentido.
A arte e a cultura são universais. Têm todas as cores, todas as línguas, todos os instrumentos, todos os materiais que quisermos.
Ainda estou à espera do argumento que me convença. Ou talvez não. Não vale a pena darem-se ao trabalho.
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
Lolita que é blogger estica o cabelo na marquise da Rosa
Comecei a ler blogs na tentativa de trocar experiências com outras pessoas, mulheres e especialmente mães.
Completamente cega, toca de subscrever uma data de blogs. Depois para deixar de os seguir tive que pedir ajuda ao blogger, que a tarefa estava difícil de concretizar!
E agora, fartíssima de mães betas que vestem os filhos com rendas, mulheres que parece que não fazem nada da vida além de dietas e de fotografar o que trazem vestido, pessoas sem nada em comum comigo, que não me faziam rir sequer. Que não vivem no mesmo mundo que eu e que tenho vontade de insultar. E os concursinhos ou (giveaways para ser mais fashion) já me estavam a pôr doida. Quando começo assim, com as nerveiras e com vontade de atirar o monitor pela janela, mais vale bloquear a cena.
Assim sendo, renovei a minha lista de blogues e agora leio coisas cheias de asneiras, coisas sobre filmes e livros, sobre política e sobre animais. Enfim, coisas sobre gente e gente feliz. Gente do contra!
Agora estou, pelo menos, mais calma. Hoje até abriguei um rapazinho que estava à chuva na paragem de autocarro. Tanta gente com chapéus de chuva gigantes e o rapaz ali, a ficar todo molhado. Eu fiquei encharcada no meu lado direito, ele do lado esquerdo. O meu chapéu é minúsculo. Mas ganhei conversa para a viagem toda. Acho que não tenho assim tão mau feitio como mo pintam.
Rosa, esticas-me o cabelo?
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Eu que sou uma namoradeira nata
uma pirosa e adoro dias festivos, o de são valentim irrita-me profundamente...
E panquecas sim, dá para namorar e fazer panquecas e comer panquecas depois de namorar! Agora para que raio servem almofadas em forma de coração com bordados dourados de meter medo ao susto????
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Afinal ir ao dentista é pior que ir cortar o cabelo
Sábado fui ao dentista. Entreguei a L. à avó e lá fui para a paragem do autocarro... tanto tempo de espera e nada... claro! Não há aquela carreira aos fins de semana. Piursa da vida e a resmungar com a carris lá apanhei um autocarro para o metro e mais uma troca de linha e mais um passeio por um descampado e cheguei.
Cheguei mesmo em cima da hora e fui logo atendida. Um dos sisos estava-me a dar cabo do juízo. Ou se desvitalizava, mas sem garantias de sucesso - raízes esquisitas e mais não sei o quê - ou se extraía. Saltei logo da cadeira. É que nem pensar. Agora arrancar-me um dente. "ah eu também já tirei os meus quatro, só dão chatices", não, não, nem pensar, dizia eu. "Mas sai-lhe mais barato de certeza". Ok, bora lá.
No que me fui meter. O raio do dente não queria sair nem por nada. As minhas pernas tremiam. Só pensava "Caramba, Vera, já pariste uma criança e não custou nada e estás aqui neste estado de nervos! Controla-te, mulher!!". Enquanto o dentista ia trocando de instrumento, eu ia-lhe perguntando coisas "Rolhe lá, nunca inguém quesmaiou (tenho quase a certeza que me ia babando ao mesmo tempo)". Sim, às vezes acontece. Ainda lhe agarrei o pulso, quando ele me espetou um dos instrumentos de tortura com mais força. O sacana do dente saiu e ele decidiu coser-me. E eu aí paniquei da maneira mais absurda que existe. Pus na cabeça que ele me ia coser os lábios. Só descansei quando ele acabou e eu me agarrei à boca. Era sangue por todo o lado e eu devia estar branca com a neve.
Saí e a senhora da recepção perguntou-me se eu tinha ido só fazer a destartarização. "Rão, im tirá um enteeee!!!" (ursa, bastava olhar para a minha cara e perceber tudo!)
Saí do edifício e liguei ao R. a chorar desalmadamente para lhe perguntar se ele me podia vir buscar. Não estava com vontade de apanhar transportes públicos e ir a cuspir sangue o tempo todo. Ainda pensei em atravessar o descampado e apanhar um taxi. Mas depois ele ia querer saber para onde é que eu queria ir e eu ia dizer e ele não ia perceber a minha nova maneira de falar e eu ia-me enervar, e não choro à frente de qualquer pessoa e depois ele ia olhar pelo retrovisor e lá estava eu, cheia de sangue na boca, feita vampira, a fazer força para não chorar. Além disso, eu tinha acabado de poupar dinheiro. Não o ia desperdiçar num táxi. O R. veio. Abriu-me a porta, olhei para ele, encostei a minha cabeça no ombro dele e desatei a chorar. Parecia que me tinham tirado um rim. Ele lá disse uma piadola, eu ri-me e depois chorei o caminho todo de regresso a casa. Enfiei-me na cama com gelo encostado à bochecha e chorei, chorei, chorei. Acabei por adormecer. Acordei e vi "A vida de Pi", deitada na cama. Chorei baba e ranho. Depois vi o filme do Woody Allen (o de Roma) e só não chorei a rir, porque a minha cara não aguentava qualquer tipo de expressão facial. Comi sushi que o R. me trouxe, partidinho em mil bocadinhos para não ter que mastigar.
Passei a noite cheia de dores e de frio, agarrada ao gelo e a contar as horas para tomar o analgésico.
Domingo a L. regressou a casa e quando me viu disse-me "Ai mãe, estás tão feia. Mas não faz mal, porque tu és bonita". Depois quis saber tudo e se eu tinha sangue. E se eu podia abrir mais a boca para ela espreitar lá para dentro. Ao menos que isto faça as alegrias de alguém!
Hoje continuo com uma terceira bochecha, tenho dores que não lembra ao diabo na boca toda, continuo sem conseguir comer, já gritei com toda a gente cá de casa e ainda me falta tirar outro siso.
E pronto, isto tudo para vos dizer que ando meio desaparecida, para vos explicar porque tenho um alto na bochecha, porque falo de maneira esquisita e porque é que tenho olheiras até aos pés.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
coisas que me irritam (em constante actualização)
a casa dos segredos
que sejam preconceituosos com escritoras mulheres
que digam que manteiga magra é manteiga
que digam que beber vinho faz mal
que seja preconceituosos com musicais
que digam que já começa a ser tarde para ter filhos
que digam que beber água faz mal
o paulo portas
que deitem fora a água dos cogumelos enquanto estão a cozinhar
pessoas que dizem que "lêem muito", que é um "vício"
aquelas saias da moda com uns folhos na cintura
que usem mais do que um diminutivo por frase
que digam que as crianças são sobredotadas porque não gostam da escola
comentários no blog a divulgar outros blogs
a frase "o que tens feito?"
afirmar que o leite faz mal a toda a gente
dizerem que a comida está boa mas se fosse feita de outra forma era melhor
que me digam para largar o telemóvel assim que agarro nele
assumir um facto que se desconfia como sendo absolutamente certo
que olhem para o que estou a comer
que digam que não podemos falar mal de um livro se não o lemos
livros encomendados
que me digam que estou magra demais
arquitectos
pessoas que não lêem porque não têm tempo
a frase "não sabias isso?? a sério??"
que sejam preconceituosos com o dourado
pessoas que sabem que não podem ir a um sítio e dizem "vou tentar aparecer depois digo qualquer coisa"
pessoas com o "bichinho da leitura"
comida sem sabor porque o sal faz mal
a conversa do "eu é que tenho culpa, tu tens a razão toda, eu sei, mas estou a sofrer muito..."
que me corrijam erros quando sei que não é um erro
que não me respondam a sms com perguntas
chuveiros sem pressão
o lol
que sejam preconceituosos com escritores hispano-americano
gente que acha que ipods, ipads, iphones é tudo a mesma coisa
as pessoas que acham que os desempregados não querem trabalhar
fotografias de casais no perfil do facebook
que me digam para fazer "qualquer coisa simples" para o jantar
bolonhesa de soja
que me respondam apenas à segunda parte do sms
que achem normal ver a casa dos segredos
duche morno
que se zanguem comigo e digam "não quero falar sobre isso, ok?"
cogumelos de lata
o lol (já disse?)
era um par de estalos tão bem metido a cada pessoa que me fizesse cada uma destas coisas...
que sejam preconceituosos com escritoras mulheres
que digam que manteiga magra é manteiga
que digam que beber vinho faz mal
que seja preconceituosos com musicais
que digam que já começa a ser tarde para ter filhos
que digam que beber água faz mal
o paulo portas
que deitem fora a água dos cogumelos enquanto estão a cozinhar
pessoas que dizem que "lêem muito", que é um "vício"
aquelas saias da moda com uns folhos na cintura
que usem mais do que um diminutivo por frase
que digam que as crianças são sobredotadas porque não gostam da escola
comentários no blog a divulgar outros blogs
a frase "o que tens feito?"
afirmar que o leite faz mal a toda a gente
dizerem que a comida está boa mas se fosse feita de outra forma era melhor
que me digam para largar o telemóvel assim que agarro nele
assumir um facto que se desconfia como sendo absolutamente certo
que olhem para o que estou a comer
que digam que não podemos falar mal de um livro se não o lemos
livros encomendados
que me digam que estou magra demais
arquitectos
pessoas que não lêem porque não têm tempo
a frase "não sabias isso?? a sério??"
que sejam preconceituosos com o dourado
pessoas que sabem que não podem ir a um sítio e dizem "vou tentar aparecer depois digo qualquer coisa"
pessoas com o "bichinho da leitura"
comida sem sabor porque o sal faz mal
a conversa do "eu é que tenho culpa, tu tens a razão toda, eu sei, mas estou a sofrer muito..."
que me corrijam erros quando sei que não é um erro
que não me respondam a sms com perguntas
chuveiros sem pressão
o lol
que sejam preconceituosos com escritores hispano-americano
gente que acha que ipods, ipads, iphones é tudo a mesma coisa
as pessoas que acham que os desempregados não querem trabalhar
fotografias de casais no perfil do facebook
que me digam para fazer "qualquer coisa simples" para o jantar
bolonhesa de soja
que me respondam apenas à segunda parte do sms
que achem normal ver a casa dos segredos
duche morno
que se zanguem comigo e digam "não quero falar sobre isso, ok?"
cogumelos de lata
o lol (já disse?)
era um par de estalos tão bem metido a cada pessoa que me fizesse cada uma destas coisas...
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
As crianças passam fome porque os pais têm falta de tempo
Eu costumava contribuir para o Banco Alimentar. A minha mãe fazia-o e eu achava que também o devia fazer.
Até que um dia fui a um supermercado comprar fraldas para a minha filha. Um rapazito espetou-me um saco de plástico na cara. Eu disse que não queria, obrigada, e segui caminho. Estava a passar tempos difíceis e todos os tostões contavam. E o raio do puto começa a insultar-me! Que um dia podia ser eu a passar fome, que nunca pensamos nos outros, blá, blá blá, blá. Quando dei por mim, já tinha dado meia volta e já estava de dedo espetado, praticamente enfiado dentro do nariz do miúdo. Gritei com ele, obviamente. Que sabia ele sobre mim? Depois vem de lá um senhor, pediu muitas desculpas, que o miúdo não sabe o que diz, eu resmunguei mais umas coisas do tipo "e formaçãozinha para os voluntários era capaz de ser boa ideia, não?".
Enfim, fiquei capaz de enfiar o raio do saco cabeça-abaixo do raio do puto!
Neste fim de semana fui às compras com a piolha. E novamente espetaram-me um saco de plástico na cara. Levaram com um "Não, obrigada" e eu levei com os olhares reprovadores dos voluntários.
Entretanto a L. perguntou-me porque estavam a dar-me um saco e eu recusei. Não lhe expliquei porque recusei - prefiro que ela decida no que quer acreditar, sem juízos de valor da sua mãe - mas expliquei-lhe o que era o Banco Alimentar.
Prometi-lhe a moeda do carrinho de supermercado quando estivéssemos despachadas e ela ficou muito pensativa, a tentar decidir se guardava a moeda no mealheiro dela ou se comprava comida para entregar ao Banco Alimentar.
Dei-lhe a moeda, ela passou pelos voluntários e foi dar ao rapaz sem pernas que estava ao frio, lá fora.
E eu fiquei estonteada a assistir à cena. Está uma pessoa, ao frio, com fome, com um ar miserável à porta de um supermercado e há gente a brincar às caridadezinhas. Está um ser humano ao frio, com fome, doente, à porta de um supermercado a assistir a toneladas de alimentos a passarem-lhe à frente da cara... Mas aquilo não é para ele... É para outros pobrezinhos. Se calhar, para pobrezinhos com melhor aspecto.
É tudo muito triste, mas só não vê quem não quer. São os empregados dos supermercados que deitam lixívia para cima dos frangos assados que sobram para não terem pessoas a remexerem-lhes o lixo, são voluntários a gabarem-se de terem arroz para o ano inteiro, para não falar nos lucros que as grandes superfícies têm com estas acções... são histórias infindáveis, cruéis, tristes, desumanas.
Eu não pactuo mais com popotas, idiotas ou bancos alimentares. Isso é desresponsabilizar o Estado da sua função social! E não é isso que vai tirar a fome ninguém... lamento. Mas é a pura das verdades. Para mim não é este o caminho.
E esta Jonet coitadinha... sofre do síndrome da terra da fantasia ou coisa parecida. Ou então é mesmo uma atrasada mental.
Até que um dia fui a um supermercado comprar fraldas para a minha filha. Um rapazito espetou-me um saco de plástico na cara. Eu disse que não queria, obrigada, e segui caminho. Estava a passar tempos difíceis e todos os tostões contavam. E o raio do puto começa a insultar-me! Que um dia podia ser eu a passar fome, que nunca pensamos nos outros, blá, blá blá, blá. Quando dei por mim, já tinha dado meia volta e já estava de dedo espetado, praticamente enfiado dentro do nariz do miúdo. Gritei com ele, obviamente. Que sabia ele sobre mim? Depois vem de lá um senhor, pediu muitas desculpas, que o miúdo não sabe o que diz, eu resmunguei mais umas coisas do tipo "e formaçãozinha para os voluntários era capaz de ser boa ideia, não?".
Enfim, fiquei capaz de enfiar o raio do saco cabeça-abaixo do raio do puto!
Neste fim de semana fui às compras com a piolha. E novamente espetaram-me um saco de plástico na cara. Levaram com um "Não, obrigada" e eu levei com os olhares reprovadores dos voluntários.
Entretanto a L. perguntou-me porque estavam a dar-me um saco e eu recusei. Não lhe expliquei porque recusei - prefiro que ela decida no que quer acreditar, sem juízos de valor da sua mãe - mas expliquei-lhe o que era o Banco Alimentar.
Prometi-lhe a moeda do carrinho de supermercado quando estivéssemos despachadas e ela ficou muito pensativa, a tentar decidir se guardava a moeda no mealheiro dela ou se comprava comida para entregar ao Banco Alimentar.
Dei-lhe a moeda, ela passou pelos voluntários e foi dar ao rapaz sem pernas que estava ao frio, lá fora.
E eu fiquei estonteada a assistir à cena. Está uma pessoa, ao frio, com fome, com um ar miserável à porta de um supermercado e há gente a brincar às caridadezinhas. Está um ser humano ao frio, com fome, doente, à porta de um supermercado a assistir a toneladas de alimentos a passarem-lhe à frente da cara... Mas aquilo não é para ele... É para outros pobrezinhos. Se calhar, para pobrezinhos com melhor aspecto.
É tudo muito triste, mas só não vê quem não quer. São os empregados dos supermercados que deitam lixívia para cima dos frangos assados que sobram para não terem pessoas a remexerem-lhes o lixo, são voluntários a gabarem-se de terem arroz para o ano inteiro, para não falar nos lucros que as grandes superfícies têm com estas acções... são histórias infindáveis, cruéis, tristes, desumanas.
Eu não pactuo mais com popotas, idiotas ou bancos alimentares. Isso é desresponsabilizar o Estado da sua função social! E não é isso que vai tirar a fome ninguém... lamento. Mas é a pura das verdades. Para mim não é este o caminho.
E esta Jonet coitadinha... sofre do síndrome da terra da fantasia ou coisa parecida. Ou então é mesmo uma atrasada mental.
Roubado do facebook do Rui Zink.
Entretanto o que me vai dando alento é a L. Ainda não percebe a dimensão da podridão do nosso mundo e para ela tudo tem solução.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Nem sei o que sentir, quanto mais o que escrever...
Ontem foi dia de transformar em cinzas o passado. Ainda andei a passear a minha mãe por Lisboa, se bem que não me respondeu a nada do que perguntei. Nem quando lhe perguntei se preferia ir por São Sebastião ou pela Lusíada. Passou a nossa música no rádio. Caramba! - pensei eu... quais são as probabilidades de isto acontecer??!!! Quando estacionei apercebi-me do peso. Do peso que me deu cabo do braço e do peso no peito. Tentei dormir. Nada. Por culpa dos elefantes com cascos que vivem no andar de cima. Optei por me deitar no chão e ser lambida pelas minhas amigas 4 patas, até rirmos as 3 às gargalhadas. Depois fui estender roupa. Adoro o cheiro a roupa lavada.
Fui buscar a piolha à escola. Adoro ir buscá-la à escola. Perguntou-me se o meu dia tinha sido bom. Se me tinha corrido bem o trabalho e que tinha tido saudades minhas. Nem imaginas as saudades que tive tuas, Laurinha. Nem imaginas.
Fomos tirar fotos tipo-passe. O banco era areia e o chão era o mar. As fotos ficaram o máximo.
Fomos inscrevê-la na nova escola de dança. As senhoras da secretaria ficaram fãs dela - que querida, tão educadinha, tão simpática, fala tantoooo.
E para festejarmos a tarde boa que tivémos fomos comer um gelado de mão dada e ler uma história na esplanada. O sorriso e as gargalhadas dela mantém-se inalteráveis - era ainda um bebé de colo, que nem o pescoço conseguia aguentar e ria-se exactamente como se ri hoje, quando leio para ela.
A Laura não é nenhum medicamento. Nem serve para me fazer sentir bem. Mas que me faz esquecer os males que me perseguem, isso sem dúvida que sim. É pura magia, digo eu.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Desafiem as Lolitas! (pelo menos esta!)
Proposta do dia para os/as nossos/as queridos/as leitores/as:
Lancem um tema! e cada lolita responderá a esse tema como entender.
Eu prometo responder, pelo menos! Preciso de jogos, é sexta-feira, o país está a arder e foram abatidas a tiro uns americanos, na fila para irem ver um filme do batman (e continuam a não rever o raio da lei das armas!!!)...
Distraiam-me, por favor!
Lancem um tema! e cada lolita responderá a esse tema como entender.
Eu prometo responder, pelo menos! Preciso de jogos, é sexta-feira, o país está a arder e foram abatidas a tiro uns americanos, na fila para irem ver um filme do batman (e continuam a não rever o raio da lei das armas!!!)...
Distraiam-me, por favor!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
O Passos Coelho é que é inconstitucional!
Desde quando é que ter um tecto, comida na mesa, serviços de saúde que funcionem, escolas que eduquem é inconstitucional?
Inconstitucional é não exigir aquilo a que temos direito!
Somos pessoas! Somos pessoas que querem trabalhar e viver com dignidade!
Eu não ando aqui a educar uma criança baseada em conceitos de paz, justiça, solidariedade e igualdade de oportunidades para vir este palhaço tentar trocar-me as voltas!
Este gajo é um daqueles casos clássicos de menino nascido em berço de ouro que nunca teve que trabalhar na vida e frases como "fome" e o "dinheiro não chega ao final do mês" não fazem parte do vocabulário dele.
Por mim tudo preso, ele, os boys dele, a mãezinha dele (que devia ter vergonha por ter criado uma amiba em vez de um ser humano), mais o gato por não o ter arranhado todo, mais as tias e os primos e o raio que os parta!!!
Até quando, meus amigos e amigas vão tolerar este atentado??? Até quando???
SAUDADES E INVIDIAE
Poder lutar.
Dar um murro bem dado. Provocar sem piedade e saber que não se vai para casa com um olhar superior no saco, com um sorriso de desdém de quem soube ser «melhor». Ser provocado e não ter de ter um olhar e um sorriso especial para a situação; não estar quase a chegar a casa e lembrar-me, finalmente, do que teria sido perfeito dizer porque há situações para as quais as nossas capacidades linguísticas e cognitivas não são chamadas; não ter de dar uma desculpa - perfeita como esta que seja;
é fechar o punho, sentir a cabeça ficar quente, a ferver, a consciência da irresponsabilidade do acto acompanhado de uma tranquilidade imensa descida sobre nós, das alturas, como um cobertor de papa a cobrir-nos de superioridade física e moral - ilusões doces como gomas de melancia. Não fomos nós, foi o sangue, foi outro, foi o vento, olha ali um elefante, viste aquilo?
Não é um tabefe, um puxão de cabelos, um pontapé nas canelas, um empurrão. É um murro. Dá-lo e ficar à espera do troco. As sinapses todas a gritar BRING IT ON, BITCH! na arena do meu córtex pré-frontal. Até que alguém nos separe. (Por favor, alguém nos separe!)
No entanto, por razões técnico-biológicas, não sei o que é dar um murro valente e ficar de pé nos 5 segundos seguintes para contar como foi. Nunca ninguém do meu tamanho se meteu comigo e nunca me meti com ninguém do meu tamanho. Sempre gostei de pensar em grande, muito grande. Dimensões mastodônticas, de preferência.
Não é violência - isso é coisa de cobardes.
E o Camilo que trago no ventrículo esquerdo diz-me que nunca este punho se ergueu que não fosse em defesa de um honra qualquer - a minha, a da amiga, a da mãe, a do direito e ter o peso e a cara que me calharam em sorte.
Descubro-me, às vezes, nas saudades das coisas mais estranhas.
Dar um murro bem dado. Provocar sem piedade e saber que não se vai para casa com um olhar superior no saco, com um sorriso de desdém de quem soube ser «melhor». Ser provocado e não ter de ter um olhar e um sorriso especial para a situação; não estar quase a chegar a casa e lembrar-me, finalmente, do que teria sido perfeito dizer porque há situações para as quais as nossas capacidades linguísticas e cognitivas não são chamadas; não ter de dar uma desculpa - perfeita como esta que seja;
Não é um tabefe, um puxão de cabelos, um pontapé nas canelas, um empurrão. É um murro. Dá-lo e ficar à espera do troco. As sinapses todas a gritar BRING IT ON, BITCH! na arena do meu córtex pré-frontal. Até que alguém nos separe. (Por favor, alguém nos separe!)
No entanto, por razões técnico-biológicas, não sei o que é dar um murro valente e ficar de pé nos 5 segundos seguintes para contar como foi. Nunca ninguém do meu tamanho se meteu comigo e nunca me meti com ninguém do meu tamanho. Sempre gostei de pensar em grande, muito grande. Dimensões mastodônticas, de preferência.
Não é violência - isso é coisa de cobardes.
E o Camilo que trago no ventrículo esquerdo diz-me que nunca este punho se ergueu que não fosse em defesa de um honra qualquer - a minha, a da amiga, a da mãe, a do direito e ter o peso e a cara que me calharam em sorte.
Descubro-me, às vezes, nas saudades das coisas mais estranhas.
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