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terça-feira, 6 de maio de 2014

Look up


Mesmo correndo o risco de este vídeo já se ter tornado viral e de eu ter sido a última a ver...
Mesmo assim achei que valia a pena.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A lei do ruído não se aplica em dia de jogos da bola

Em dia de jogo passou a ser permitido:

- Estacionar em cima de passeios, passadeiras e em cima da relva, desde que seja na zona de Benfica,

- Buzinar feito maluco até às tantas, acordando do sono tranquilo as criancinhas que se deitam a horas decentes, desde que seja entre Benfica e o Marquês de Pombal,

- Sujar com garrafas e latas os jardins, no percurso Benfica - Marquês de Pombal,

- Gritar a altas horas da noite pela rua fora, coisas sobre futebol (entre Benfica e o Marquês de Pombal), assustando as criancinhas que já estão despertas,

- Ocupar a Praça do Marquês de Pombal, fechar o trânsito e chatear toda a gente (que até pode gostar de um bom jogo de futebol, só não gosta de assistir a ajuntamentos de gente descontrolada por causa de uma bola).

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O bom tempo torna tudo menos difícil...


Chega o tempo de:
- Acordar com os passarinhos a cantar
- Deixar as janelas abertas até mais tarde
- Beber uma imperial na esplanada
- Fazer a pausa do almoço ao sol
- Esquecer o casaco em casa
- Não ter frio
- Ver as árvores a encherem-se de flores
- Começar a pensar no verão e praia e férias
- Secar a roupa sem que chova e faça sol e chova outra vez
- T-shirts e sandálias
- Cores vivas
- ...

Bem-vinda Primavera!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Desculpa, Laura...

Por estares enfiada numa sala, com esse rabinho que nunca consegue estar quieto, das 9h às 18h30. Por vires para casa a chorar porque a professora bateu na mão do teu amigo ou gritou contigo porque estavas a olhar pela janela a ver passar uma nuvem em forma de gato.


Por trazeres trabalhos de casa como castigo, quando te prometi que estudar seria sempre uma maravilha.


Perdoa-me, Laura, por teres ficado sem recreio, quando me recusei a ver o teu sofrimento num domingo de sol (e têm sido tão raros), sentada na tua secretária, a tentares escrever a pérola da pedagogia “Devo estar com mais atenção às correções” vezes sem conta, e decidi que era bem mais produtivo irmos ver o Palácio da Pena e apanhar flores na serra, depois de teres estudado sexta quando chegaste da escola, mais sábado durante grande parte da tarde.


Por  veres  a mãe de uma colega tua a consolá-la porque a professora não a deixou ir à casa de banho e ela fez xixi pelas pernas abaixo e por ouvires o desespero de uma mãe desempregada, que não tem dinheiro para pagar explicações fora da escola, o apoio escolar não está a resultar e a filha pergunta-lhe porque é que é burra. Respondo-lhe que não há crianças burras, mas sim com diferentes formas de aprendizagem. Que são os adultos, neste caso, os professores, que têm que descobrir maneira de a cativar, e ela agradece-me porque nunca tinha pensado nisso. Nunca ninguém lhe tinha dito que a filha não é efectivamente burra.


Por chorares com medo de errares. Porque na escola ralham contigo quando erras.


Por começares a ter medo de falar.


Isto tudo, numa “escola-modelo”, numa capital europeia.



Esta não é a escola que eu quero para ti.


Quero uma escola em que os professores são amigos dos alunos e os alunos amigos dos professores. Uma escola em que todos se respeitem. Uma escola compreensiva, solidária, integrativa, justa e criativa. Livre de violência, de preconceitos. Que não seja submissa. Que forme efectivamente cidadãos. Sem castigos, sem agressividade, respeitando a especificidade, as particularidades e o ritmo de cada aluno.


Acima de tudo, uma escola onde se seja feliz. Porque toda a gente sabe que crianças felizes aprendem melhor.


Ainda vou a tempo, Laura. E isto é uma promessa.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Hoje levei uma chapada... duas para ser mais exacta

Hoje vi uma criança sair do ATL, dirigir-se à mãe e levar com um "ou vestes o casaco ou levas duas chapadas"...

Não houve troca de beijinhos, nem de abraços. Não houve qualquer tipo de afecto. Nem um "olá", nem um "tiveste um dia bom?", e muito menos um "tive saudades tuas!"...

Já não é a primeira vez que assisto a este tipo de miminhos dos pais quando vão buscar os miúdos, mas gostava mesmo que esta tivesse sido a última.

A criança que saiu do ATL é a criança que me pede sempre um beijinho quando deixo a Laura de manhã na escola.

Deve ser tão difícil ser criança quando se cresce entre monstros...


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Deixam-me a almoçar sozinha e depois dá nisto

- Porque é que quem não tem dentes tem tantas nozes?
- Porque é que temos direito a mais dias quando nos casamos do que quando nos morre alguém? E se for um dos animais de estimação não temos direito a dia nenhum?
- Porque é que nunca me lembro do nome das bandas novas que gosto e depois é um 31 para as descobrir no youtube?
- Porque é que o preço das azevias é tão insultuoso?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sobre as 40 horas semanais

Laura... Sabes aqueles dias magníficos em que o papá te vai buscar mais cedo à escola? Aqueles dias em que podes ir andar de baloiço ou ir passear ao jardim? Aqueles dias que parecem maiores porque em vez de 9 horas passadas na escola, passas apenas 8 e isso faz toda a diferença?
Pois bem, alguém achou que nem tu, nem o teu pai, nem eu merecemos isso. 
Alguém achou que trabalhamos poucas horas, que produzimos pouco (seja lá o que isso signifique) e que devemos trabalhar mais 1 hora.

Apesar de não ser funcionária pública, a minha filha vai ter que trabalhar mais 1 hora por dia, 5 dias por semana. Nem 6 anos tem.
As minhas cadelas vão passar a esvaziar a bexiga 1 hora mais tarde.
E eu estou passada dos carretos com esta medida! Já não aguento o "discurso do empreendedor" que temos que produzir mais, que temos que trabalhar mais horas e o que os funcionários públicos passam o dia a coçar a micose e deviam trabalhar as mesmas horas que os do privado. É um discurso idiota, invejoso e mesquinho.
Enquanto andarmos ocupados a apontar o dedo a direitos fundamentais dos trabalhadores, conquistados com enorme esforço, em vez de lutarmos para termos a vida e a dignidade que merecemos não vamos a lado nenhum. E que tal os do privado trabalharem 35 horas semanais, em vez das 40?

Parece que agora só não é crime querermos trabalhar até morrer. 
Tempo para passear, descansar, namorar, foder, ler um livro, ir ao cinema, ver as vistas, ouvir música, contar as estrelas? Está tudo maluco? Qualquer dia querem viver, não? Nã nã! Trabalhar é que é bom! Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Acabem-se os feriados, as horas extraordinárias pagas como deve ser, os subsídios de natal e de férias e com as baixas. Férias. Que acabem com as férias também! E com as famílias! Que se comece a viver no local de trabalho. A dormir lá. Os nossos miúdos já passam tanto tempo na escola, dá-se-lhes um saco-cama e eles ficam na boa a viver na sala de aula. Com alguma sorte, ainda nos dão o Domingo para matarmos saudades. Ou não. Fechem-se as portas das galerias do povo, para que as leis possam ser aprovadas à porta fechada. Escravos, submissos, endividados com dívidas que não contraímos, completamente vazios de acção, resignados. É assim que nos querem.

São mais 5 horas de trabalho por semana, pagos a custo zero, são 260 horas num ano que a minha filha vai passar na escola. Em vez de regar as nossas plantas, levar as nossas cadelas a passear ou ler um livro aninhada nos braços de quem mais ama.


Já a minha avozinha dizia que "quem não deve, não teme". Não podemos continuar a ser (des)governados por quem tem medo de nós!
Para a próxima que não sejam os inocentes a abandonar o parlamento!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A minha criança

 de 5 anos respeita e ama todos os animais do mundo. O que a minha criança não sabe é que existem touradas. Que há gente que esfola animais para lhes ficar com o pêlo.

A minha criança sabe que existem meninas e meninos com dois pais ou duas mães e indigna-se na escola quando lhe dizem que uma menina não pode namorar com outra menina. O que ela não sabe é que provavelmente vai passar a vida toda a indignar-se contra gente preconceituosa.

A minha criança sabe que se as pessoas estão descontentes, têm o direito de se manifestar. O que a minha criança não sabe é que cada vez mais existe uma coisa chamada violência policial e que morrem manifestantes pacíficos.

Com 5 anos, a minha criança fica preocupada sempre que vê uma criança sozinha na rua. O que a minha filha não sabe é que há muitas crianças que, mesmo acompanhadas, vivem sozinhas no mundo, sofrem abusos e não sabem sonhar nem brincar como ela.

A minha criança sabe que se fica doente os pais tratam dela e levam-na ao médico. O que ela não sabe é que há gente que perde a vida por não ter acesso a cuidados de saúde.

A minha criança sabe que só tem cinco dias de praia com a escola este ano. O que a minha criança não sabe é que a associação de pais não tem dinheiro. E quando numa reunião eu sugeri que quem pode deveria pagar mais para que todas as crianças fossem os quinze dias como habitualmente, o silêncio foi geral. Só vão cinco dias e não vão as crianças todas que queriam ir.

A minha criança diz que sabe o que quer ser quando for grande. Bailarina. O que ela não sabe é que a escola de dança pediu insolvência no princípio desta semana, que uma data de gente perdeu o emprego e
que muito provavelmente não haverá aulas para ninguém ali nunca mais.

Sabe que a fada dos dentes mora numa parede no quarto dela. O que ela não sabe é que sou eu que coloco, no buraquinho da parede, enquanto ela dorme, as estrelinhas azuis a fazer caminho até debaixo da almofada.

A minha criança sabe os benefícios da sopa e mesmo assim, todos os dias, torce-lhe o nariz. O que a minha filha não sabe é que se um dia tiver filhos, há-de lhes dar sopa ao almoço e ao jantar.

A minha filha sabe que se eu a castigo, castigo mesmo e não há volta a dar. O que ela não sabe é que fico com o coração todo partidinho em mil e um bocados, mesmo que o castigo seja não comer um rebuçado.

O que eu sei é que se o mundo fosse gerido por crianças era bem mais justo, mais feliz, mais pacífico e mais bonito. Mais colorido e desdentado também. Sei porque há cinco anos que sou ensinada que não há nada mais extraordinário que aprender a ver o mundo pelos olhos de uma criança. A minha criança. Que não tarda terá seis anos.


terça-feira, 28 de maio de 2013

Ah muito giro e tal ... "é pena é não ser em português"

já deito esta expressão pelos ouvidos. Sempre que algum português canta alguma coisa em inglês, zás, leva logo com este tipo de comentários.

Somos cidadãos do mundo. Compomos como bem nos apetece. E se me apetecesse compor em chilibibilidês? Hã? Não podia só porque nasci em Portugal? Que raio de argumento é este??!! Não posso ter chilibibidês no coração? Não me pode servir de referência, de inspiração?

Como portuguesa que sou, tenho que gostar de cozido à portuguesa, de galos de barcelos, de touradas, de matanças do porco, de vinho tinto, de fado e da Joana Vasconcelos? Not! Por acaso dos galos de barcelos até gosto. Mas se fossem galos de outra cidade qualquer ia gostar também. Eu gosto é das cores, tanto se me dá de onde é que vêm.

Também diriam ao Dali que os quadros dele eram bem fixes, mas faltam ali umas tortilhas para compor o ramalhete?!

A sério que não compreendo este tipo de posições. Acho totalmente desprovidas de sentido.

A arte e a cultura são universais. Têm todas as cores, todas as línguas, todos os instrumentos, todos os materiais que quisermos.

Ainda estou à espera do argumento que me convença. Ou talvez não. Não vale a pena darem-se ao trabalho.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Se a Angelina Jolie recorresse ao SNS

ainda teria as duas mamas. Provavelmente nunca teria sequer feito exames para detectar as alterações genéticas que fazem com que tenha mais de 80% de ter cancro da mama.
Provavelmente passaria 6 meses com sintomas e dores e má disposição, para lhe diagnosticarem uma depressão. Ela insistia que não existia qualquer tipo de depressão, a família perderia a paciência e gastaria balúrdios num hospital privado para que lhe fizessem um diagnóstico correcto.
Aí, iria ser encaminhada para o público para começar os tratamentos. Deixariam-na horas à espera em salas frias, cheias de gente, para um oncologista nem sequer a olhar nos olhos. Deixariam-na esquecida, a apanhar correntes de ar, numa sala com um qualquer programa da tarde a dar na televisão, à espera da radioterapia, até os familiares darem com ela e reclamarem.
Provavelmente levaria adesivo de casa para prender as agulhas e os fios, porque no hospital não havia.
Provavelmente, ligaria a quem mais ama, a pedir socorro, a chorar, porque está doente, cansada, não se consegue levantar da cama e nenhuma enfermeira foi capaz de lhe mudar os lençóis durante a noite.
Quase de certeza que, no dia seguinte, a família a tira do hospital e a leva para casa, contra as ordens médicas.

Foi das últimas vezes que vi a minha mãe rir às gargalhadas. Em casa. Connosco. Protegida.

Provavelmente, os familiares teriam que deixar de trabalhar e estudar para ter a certeza de que estava bem acompanhada. Para estarem atentos de cada vez que lhe trocavam os exames ou não lhe tiravam as dores.


Foi de uma coragem transcendente o que a Angelina fez. Aliás, esta mulher é extraordinária. Usa o mediatismo que tem para praticar o bem. Isso é inegável.
E como mãe, acho lindo ela ter tomado esta decisão a pensar nos filhos. Derreteu-me o coração.

A minha mãe morreu com a idade que a mãe da Angelina Jolie morreu.
A minha mãe nunca conheceu a neta.
O SNS fez questão de lhe roubar o tempo que poderia ter para lutar contra esta doença.
A mim roubou-me a mãe.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Lolita que é blogger estica o cabelo na marquise da Rosa

Comecei a ler blogs na tentativa de trocar experiências com outras pessoas, mulheres e especialmente mães.

Completamente cega, toca de subscrever uma data de blogs. Depois para deixar de os seguir tive que pedir ajuda ao blogger, que a tarefa estava difícil de concretizar!
E agora, fartíssima de mães betas que vestem os filhos com rendas, mulheres que parece que não fazem nada da vida além de dietas e de fotografar o que trazem vestido, pessoas sem nada em comum comigo, que não me faziam rir sequer. Que não vivem no mesmo mundo que eu e que tenho vontade de insultar. E os concursinhos ou (giveaways para ser mais fashion) já me estavam a pôr doida. Quando começo assim, com as nerveiras e com vontade de atirar o monitor pela janela, mais vale bloquear a cena.
Assim sendo, renovei a minha lista de blogues e agora leio coisas cheias de asneiras, coisas sobre filmes e livros, sobre política e sobre animais. Enfim, coisas sobre gente e gente feliz. Gente do contra!
Agora estou, pelo menos, mais calma. Hoje até abriguei um rapazinho que estava à chuva na paragem de autocarro. Tanta gente com chapéus de chuva gigantes e o rapaz ali, a ficar todo molhado. Eu fiquei encharcada no meu lado direito, ele do lado esquerdo. O meu chapéu é minúsculo. Mas ganhei conversa para a viagem toda. Acho que não tenho assim tão mau feitio como mo pintam.
Rosa, esticas-me o cabelo?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Das duas, uma

Ou obrigam os pais a terem formação e oferecem-lhes as cadeirinhas auto para os grupos todos ou
 isto só lá vai com muitaaaaaaaaaaaaaaa fiscalização e multas e mais multas!


DGS promove transporte seguro de bebés



Quando vou levar a Laura à escola é ver os pais a chegarem com os miúdos sem cadeirinhas, sentados nos bancos da frente. Fico doente! Possessa!

No outro dia, queixei-me disso à Educadora da Laura.
Ela olhou para mim e disse-me com um ar cabisbaixo: - Pois, é inacreditável! Só que neste momento ainda estou em choque com outra situação - o pai veio trazer o B. à escola e como a M. (a irmã gémea de 5 anos) estava doente, deixou-a em casa, sozinha.

Choca-me que os adultos se comportem como autênticos atrasados mentais! Choca-me que não previnam os acidentes. Choca-me que crianças tenham que crescer no meio de gente que nunca deveria ter à sua guarda seres tão frágeis.

Há tanta tragédia que podemos (e devemos) prevenir!


domingo, 13 de janeiro de 2013

Das certezas de ser mãe (ai vou-me repetir tanto!)


Partindo de um post que li no blog da doce Maggie...
Acredito que uma mãe preocupada, que questiona a educação que dá aos seus filhos tem tudo para ser uma boa mãe.

Não sei se se me consigo explicar bem, até porque há coisas que nem eu compreendo, mas dias antes de saber que estava grávida, fui "assombrada" por uma mistura de sentimentos. Sentia-me diferente. Pela primeira vez desde que a minha mãe morreu, acordei feliz e com a certeza de que queria ser feliz. Dias depois fiz o teste - ok, foram vários, imensos, todos os disponíveis - e percebi o que estava a sentir.

Ia ser mãe e deixei de ter qualquer tipo de medo. Nunca me passou pela cabeça que alguma coisa fosse correr mal. Nunca tive medo do parto. Foram fundamentais duas coisas que a minha mãe me ensinou "Pode custar um bocadinho, mas ao bebé também custa e o nosso papel é ajudá-lo a nascer" e "É só uma pessoa mentalizar-se que cada contracção que tem, está mais perto de ter o bebé nos braços."
O meu parto demorou 3 horas. E quando o R. me pôs aquela bebecas linda nos braços nunca senti nada parecido com medo. Muito pelo contrário. Senti foi um grande amor e o amor não me assusta!

Sinto todas as certezas do mundo porque sei o que quero e o que posso exigir dela. Exigir-lhe que seja, acima de tudo, feliz. E ser feliz significa ser sensível, não ser indiferente. Significa amar e ser amada.significa que lute pelas coisas que acredita. Significa ter confiança nela e dar-lhe a liberdade de fazer as escolhas dela, dando-lhe a certeza de que estaremos sempre do lado dela.

E digo com toda a certeza que não me arrependo de opções que tomámos. Se ela cai e chora, sempre foi nosso lema dar-lhe a atenção, o abraço e o mimo que precisa. Nem que seja porque se assustou. Se faz birras é porque precisa de as fazer e também optámos por lhe dar o tempo que ela precisa para chorar, com paciência, com colo, com compreensão. E a L. não é nem "mariquinhas" nem "birrenta". É uma menina decidida que já começa a compreender que leva ralhetes porque é o nosso tesouro e queremos o melhor para ela.

Pode parecer lamechas ou demasiado simplista, mas acredito que o ponto de partida (e o de chegada) para educar um filho é o amor. Amá-los e não ter medo nem preguiça de o dizer nem de o demonstrar, nem desvalorizar o que isso significa. É um amor tão forte que me faz acreditar que posso tornar este mundo num lugar melhor. É um amor que me faz feliz, mas tão feliz, que não cabe em lado nenhum. É um amor que me faz rir. É um amor que faz com que fiquemos a admirá-la enquanto dorme, apesar de termos às costas o peso de um dia duro no trabalho e de ela ter feito birrinha para dormir.

O lugar que esta criança ocupa nos nossos corações, como alimenta o nosso mundo é de um poder, de uma imensidão, incalculáveis. É maravilhoso, é extraordinário, é o amor a acontecer.

Os conselhos que pedi - e que peço, as histórias que ouvi - e oiço, os livros que li - e leio, os comentários que ouvi - e oiço, fazem de mim a mãe que sou hoje. Boa ou má mãe? Não sei. Que amo a minha filha mais que tudo no mundo? Que lhe digo isso vezes sem fim? Que a beijo e abraço vezes sem conta? Que fico maravilhada cada vez que olho para ela e me lembro que fomos "nós" que a fizemos? Que aprendo coisas novas com ela todos os dias? Que ela me diz, sempre a sorrir, que é feliz? Que a oiço e ela me ouve a mim? Que tenho imenso orgulho dela? Que tenho saudades dela desde o momento em que a entrego na escola? Que nada na minha vida como mãe é um sacrifício? Sem dúvida que SIM!


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Sei lá, tipo...

O anúncio da samsung começa por disparar palavras como amor, saúde, alegria e depois aparece uma miúda que nem falar sabe, cujo seu desejo para 2013 é ter uma mala, tipo, daquelas clássicas.

A minha miúda tem 5 anos. O desejo da minha miúda para 2013, com os olhinhos a brilhar e a encostar com toda a força, as mãos pequeninas ao peito, é que toda a gente no mundo inteiro seja feliz.

No fundo acho que, tipo, sei lá, chego a ter pena da Pépa... nunca ninguém lhe ensinou a ser uma pessoa de verdade.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Uma pieguice pegada


Hoje estou piegas... Porque não segui o conselho para emigrar, porque nem dinheiro para apanhar o barco para Cacilhas tinha. Porque tenho amigos desempregados, assustados, apavorados e desiludidos e isso faz-me doer o coração. Porque há gente que vem para a praça pública dizer as maiores barbaridades sobre o SNS ("morre que és despesa") e não leva dois estalos na fuça. E mais um pontapé no rabo. Ou dois. Ou três. E porque não é demitido. E obrigado a emigrar para a Antártida. E ser comido por bichos que lá habitem.
Ando piegas porque andamos a adiar as nossas vidas. Ando piegas porque queria ter uma catrefada de filhos e não os posso ter porque não os iria conseguir sustentar. Nem vendendo a minha querida estante do IKEA, que custou 129 euros e nos levou meses e meses a fio de planeamento e tentativa de poupanças. Já nem tenho vontade de lhe limpar o pó. Foi o nosso luxo. Arrumarmos os livros, os vinis e as recordações dos nossos amigos que viajam e nos trazem lembrancinhas, numa estante. Que está agora cheia de pó. Há quem queira carros e casas e ipod e ipads (nunca percebi a diferença, um escreve-se com "o", outro com "a" - que falta de imaginação!!), eu cá queria uma estante e filhos. Já tenho uma estante e uma filha. As duas magníficas. Agora a filha também quer um mano ou uma mana. Terá que se contentar com a estante, enquanto este governo não cai.
Estou piegas porque me doem os dentes e não tenho dinheiro para ir ao dentista. E é precisamente o dente que a dentista (ai odeio-a) insistia ser deficiente porque só tinha 2 canais, e os dentes supostamente tem 3. Ou seja, não foi desvitalizado, como ela insiste que foi, porque me dói!!! E também não tenho dinheiro para a processar. Lá ando a paracetamol, que o benuron tem a caixa mais bonitinha, mas é mais caro.
Já vos disse que hoje estou piegas? Então o bunny steps não vem dizer que "Se isto vai tudo correr bem ou tudo correr mal depende da nossa vontade colectiva". Mas o homem para além de estúpido, aldrabão, mentiroso, ainda anda a gozar com as pessoas? Tem com certeza algum atraso mental e precisa de ser internado. É um perigo para a sociedade.
E para não ter que dar com a minha estante nos cornos destes putos, nascidos em berço de ouro armados em políticos, mas sem qualquer noção da realidade, fico piegas...


fim de semana com o coração

este fim de semana não vou estar cá em lisboa e por isso não vou à manifestação amanhã. com alguma / muita pena minha mas este fim de semana escolhi o coração. não vou dizer como quase instintivamente ia dizendo "egoisticamente" porque não é egoísmo. o meu coração precisa de mim. de silêncio. das amigas que eu amo e que vão passar o fim de semana comigo. preciso mesmo delas. de acordar com elas. de falar horas com elas. de andar em silêncio com elas. de me afastar dois dias para respirar um bocado. as notícias más repetem-se, os amigos estão desempregados, tristes, eu guardo as minhas amarguras e tristezas e cansaços como num cofre para tentar ter uma vida normal. estou cansada minhas lolitas. e não quero perder anos de vida. quero voltar a mim.
por isso manifestem-se por mim que eu descansao por vocês também. e para voltar a vocês mais bonita, mais pronta, com mais braços. guardo a revolta e não a esqueço. tenho as vergonhas todas que se passam dentro da cabeça o dia inteiro. por mim, vou fazer esta pausa. sentar-me com elas à beira da estrada a rir das histórias mais parvas. à chuva a pensar "porque raio escolhemos nós este fim de semana para isto?". preciso sentir outras coisas. por isso este fim de semana escolho o coração. até já.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Coisas que sei que não devia fazer


mas faço na mesma...

- Fumar - sempre que tenho que correr para apanhar o autocarro ou quando se aproxima um check-up qualquer médico, lembro-me disto;

- Perguntar ao segurança do Lidl se me quer carregar as compras, já que não pára de me seguir - o senhor está a cumprir ordens e não tem culpa de ter um trabalho que o faz andar a perseguir quem vai comprar o jantar;

- Aceitar a sugestão da Laura e saltar em cima de folhas caídas das árvores, sem antes verificar o terreno - calham-se sempre a mim, que nem galochas tenho, o raio das poças de água fria e suja de terra;

- Desligar o despertador e deixar-me ficar só mais cinco minutos - não aprendo! e depois é uma correria de manhã;

- Vestir collants no inverno, só para não dizerem que ando sempre de calças de ganga - passo o dia a coçar-me e a puxar o raio dos collants para cima;

- Não levar chapéu de chuva, mesmo quando sei que vai chover - tenho a mania que nunca me molho, o que é um autêntico mito;

- Pentear as bonecas da Laura com a minha própria escova - depois ando cheia de cabelos loiros e tão brilhantes que ofuscam qualquer pessoa, presos ao meu cabelo;

- Ignorar as polaroids que se vão descolando e caíndo no chão, só porque tenho preguiça de me baixar - qualquer dia o R. faz o mesmo e passamos a ter soalho de fotografias, em vez de madeiras;

- Negar-me a pagar para ter televisão em casa - tenho saudades de vegetar no sofá a ver séries estúpidas;

- Lavar o cabelo todos os dias - qualquer dia fico careca;

- Deixar de tocar trombone quando espirro - a Essi fica com medo de mim;

- Atirar tudo o que é papelada para dentro da mala - quero tirar o passe e sai-me a conta da electricidade;

- Comer bitoques em frente à Magali - a cadela um dia destes passa-se e ataca-me;

- Achar que as pessoas sentem que estou perto só porque penso nelas - outro mito: a telepatia;

- Stressar-me com a falta de tempo - o tempo não pára lá porque eu ando tipo barata-tonta a correr de um lado para o outro.