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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Maminhas!

Estou tão orgulhosa de todas aquelas mães na Argentina!

A Eva tem sido amamentada desde que nasceu. Desde o primeiro segundo. Já a amamentei no meio da rua, enquanto corria para a escola da mana mais velha. Amamentei-a na escola da mana mais velha. No autocarro, no metro. Em praticamente todas as lojas e supermercados onde entrei desde fevereiro. Num concerto de rock. Num espetáculo de dança. Na praia. À beira de piscinas, com os pés de molho. No parque infantil. Em esplanadas. Em todos os restaurantes onde comi. Numa despedida de solteira (querida Eurídice!!). No parque de estacionamento. Enquanto corrigia os trabalhos de casa da Laura ou enquanto estendia a roupa. Até durante uma depilação às virilhas (sim, é verdade!!).

É o meu corpo, as minhas mamas, a minha bebé, a minha decisão! Deal with it!


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Os nossos filhos são muito mais que uma nota num exame!

Hoje entreguei a minha filha na escola para fazer o teste intermédio de português do 2º ano de escolaridade.

Não há problema nenhum, porque não há alunos com menos 1 mês e meio de aulas.

Não há problema nenhum, porque toda a gente sabe que as crianças são todas iguais e aprendem todas da mesma maneira.

Não há problema nenhum, porque estamos a tratar estes alunos, como se fossem pequenos adultos, treinando-os como animais de circo para os exames do 4º ano, depois do 6º, do 9º e por aí fora.

Não há problema nenhum em trabalhar 1 ano inteiro tendo como único objectivo o bom rendimento nos exames.

Não há problema nenhum se o que queremos são crianças sem sentido crítico e que não pensem muito.

Hoje levei a minha filha à escola e disse-lhe o que lhe digo todos os dias "Amo-te muito, toma atenção e acima de tudo, diverte-te!". E as notas que se fodam!




quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Prometi-te, Laura

Que ias ser feliz na escola.

Que lá ias passar 5 dias por semana e que isso ia ser maravilhoso. Que virias para casa toda contente porque aprendeste coisas novas. Que não irias ter medo do teu professor. Nem de errar. Que ias ter um professor que jamais bateria na mão do teu amigo. Que jamais gritaria contigo por estares no mundo da lua.

Prometi-te que ias ter um professor amigo.

E este ano tens um que te dá colo quando choras porque tens uma otite e não podes fazer a aula de natação.

Que não te castiga porque isso "não é possível". Porque não é possível repreender uma menina tão amiga dos seus amigos, que nunca faz nada com maldade. Chama-te antes com calma para regressares à terra.

Que te elogia e te diz a quantidade de coisas em que acertaste e não as que erraste.

Que te trata por Laurinha.

Que te deixa falar e te ouve com atenção.

Que não te passa trabalhos de casa. Envia trabalhos para casa. Divertidos. Úteis. Para fazermos em conjunto.

Vens aos saltinhos para casa e com tanta coisa para nos ensinar.


Esta é a escola que quero para ti. Este ano conseguimos. E um dia, mais tarde quando cresceres mais um bocadinho, vou-te poder explicar porque é que te sentes tão grande e tão feliz este ano.Um dia vou-te poder dizer que és uma super criança, porque nunca desististe e, apesar do medo, nunca te calaste.

sábado, 23 de agosto de 2014

7 anos

- Um dia destes forma o "movimento dos indignados dos picos nas janelas para os pombos não poisarem".
- Quando apanha os textos que escrevo sobre ela, fica de lágrimas nos olhos.
- Tem um coração de ouro, caraças, se tem!
- Adora a sacana da Violetta.
- Tem terror de caranguejos. Viu uns meninos a apedrejarem uns quantos (devem ser amigos do Bandini). Foi até lá, apanhou os bichos e guardou-os no balde para que não lhes acontecesse nada de mal. Acabaram por morrer, mas ela sabe que tentou.
- Não resiste a dar colinho aos bebés que se cruzam com ela.
- Acha que a ponte 25 de Abril se chama 25 de Abril sempre!
- Respeita o mar como eu nunca vi. Delicia-se com o mar, dá abraços e beijinhos na espuma das ondas e guarda centenas de conchinhas e pedrinhas, religiosamente.
- Faz "blagh" sempre que ouve na rádio o nome do Bunny Steps.
- Dá abraços daqueles "aquele abraço".
- Tem o tempo de concentração de uma formiga, excepto se estiver a dançar ou a ouvir histórias.
- Ainda diz que "piroso é bom".
- Pediu-me para em vez de lhe desejar "sonhos cor de rosa", lhe desejar "sonhos da cor do arco-íris" para todas as cores poderem fazer parte dos seus sonhos.
- Não consegue mentir. Não o sabe fazer, nem sequer tenta.
- É refilona.
- Não se cala. Nunca!
- É mega popular na escola, porque tem sempre uma palavra amiga para dizer.
- Quer ir a Londres, Paris e Nova Iorque. E à Serra da Estrela.
- É doida por sapatos, mas à primeira oportunidade, descalça-se.
- Aprendeu a andar de bicicleta e patins em linha.
- Guarda as angústias e as frustrações dias a fio e acaba num pranto por uma coisinha de nada (basta um rabo de cavalo que teima em ter cabelos desalinhados ou tropeçar num buraco na rua e saltar-lhe o chinelo).
- Faz amigos por todos os sítios onde passa.
- Decididamente, não gosta de sopa. Nem de leite. Nem de migas.
- Tem memória de elefante.
- Pede para ouvir rock do bom.
- Dorme até tarde.
- É o nosso tesouro.






sábado, 14 de junho de 2014

Summertime

A menina que devia ter nascido estrelinha do mar. Que agradece ao mar cada vez que as ondas nos devolvem a bola. Que abraça a água e lambe o sal. Que é feliz com o sol, os mergulhos, os búzios, as conchas, o cabelo desgrenhado e o corpo cheio de areia. As danças à beira mar e as piruetas.
Os dias maiores. Os sorrisos gigantes.
A ligação que esta meia leca tem com o mundo é qualquer coisa de extraordinário. Ela consegue fazer de cada dia, o melhor dia de sempre.
 
Boas férias, miúda gira!

domingo, 11 de maio de 2014

De coração cheio


Acordámos com despertador, comemos, eu bebi café, arranjámo-nos e saímos porta fora. Último ensaio antes do espectáculo final.
Fui apanhar sol para a esplanada para fazer tempo. Apanhei-a 1 hora depois, com aquele sorriso gigante. Levei-a a almoçar ao chinês, para evitar os nervosos miudinhos que antecedem a subida a um palco. Contei-lhe histórias boas de quando a Sandra era nossa professora de teatro. Comemos dois pratos, só pagámos um. O senhor que nos atendeu disse que "menina muito educada não paga". Fomos comprar flores. Pagámos duas, trouxemos cinco - a florista derreteu-se com a tagarelice da Laura e desejou-lhe muito sucesso para o espectáculo e para a vida. Prometemos voltar e passar a comprar flores ali todas as semanas.
Fui deixá-la ao teatro. Pelo caminho confessou-me que não tinha medo, não via a hora de pisar aquele palco, mas que não queria falhar, que não queria desiludir ninguém. Laura, trabalhaste tanto para este dia. Estamos tão orgulhosos de ti. Diverte-te. Acima de tudo, diverte-te naquele palco. Amo-te. Ela abraçou-se a mim de lágrimas nos olhos, "assim fazes-me chorar, mãe", deu-me um beijo e entrou com uma segurança que eu não esperava. Fiquei a vê-la. Olhou para trás, sorriu e piscou-me o olho.
Quase duas horas mais tarde entrámos na sala. Ouvi-a chamar por mim. Estava na plateia aos pulinhos, feliz, a dizer-nos adeus.
Foi altura de subir ao palco. Ao som de um coro maravilhoso, vi-a dançar palco fora. Concentrada porque não queria falhar. Caiu uma vez, levantou-se e continuou como se nada fosse. Ajudou as mais pequeninas que se perdiam nas piruetas. Brilhou a dançar com as mais velhas. Sorriu cada vez que o seu olhar se cruzava com as parceiras de dança.Vi-a maior, vi-a realizada, vi-a sem vergonhas, sem medos e a sentir-se especial.
Eu, e uma Vera não chora, aproveitei o escuro da sala para deixar cair umas lagrimitas. Porque vê-la realizada e gigante de tanta felicidade com o que conquistou é o melhor que me pode acontecer.
Aproveito para agradecer ao professor dela, que aceitou ter apenas uma aluna na aula. Que criou laços de confiança e amizade, que acreditou nela e que com ela coreografou o espectáculo.

Sinto um orgulho infinito por ser mãe desta menina que me ensinou a dançar no meio da rua ao som do vento que bate nas árvores.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sem roooodinhas!!!

Bem sei que tenho um temperamento difícil e implico com as coisas mais parvas... uma das minhas irritações são as ciclovias.

Primeiro, porque o meu desporto favorito é arrastar-me até à esplanada mais próxima e beber um café, enquanto fumo um cigarro.
Segundo, porque as ciclovias invadiram as ruas e os jardins, de tal maneira desgovernada que é raro o dia em que eu ou as cadelas não temos que nos desviar em saltos (quase mortais) para não sermos atropeladas.
Terceiro, implico com aqueles capacetes manhosos que me fazem lembrar um pelicano poisado em cima da cabeça de alguém.
Quarto, não é tão mais fixe andar de bicicleta no campo que na cidade, a levar com os tubos de escape dos carros?

Entretanto, no fim de semana passado, o R. decidiu tirar as rodinhas à bicicleta da Laura. E lá fomos nós, ciclovia fora. A miúda espalhava-se, chorava, levava um beijinho, levantava-se, caía outra vez, chorava mais um bocadinho, levava mais uns miminhos e foi assim durante laaargos minutos. Até que de repente pedalou umas quantas vezes antes de cair. Era vê-la no chão, com o choro a meio, a bicicleta em cima dela e nós aos gritos yeahhhh boaaaa vivaaaaa!

Isto tudo para vir aqui engolir tudo o que disse sobre os utilizadores das ciclovias. É que no meio desta iniciação à bicla sem rodinhas, foram vários os incentivos dados à nossa filha por autênticos desconhecidos (os tais com o pelicano na cabeça, mais os que só estavam sentados no banco de jardim a apanhar sol) - Vai, tu consegues!! Força!! Ai, é tão gira esta fase! - e perdi a conta à quantidade de gente que estremecia e que iam na direcção dela com os braços estendidos cada vez que ela caía.

Por isso, resta-me resumir, que há pessoas sensíveis, solidárias e fofinhas nas ciclovias.

De resto, só nos falta afinar os comandos. Enquanto eu grito "TRAAAAAAVAAAAAAAAAAA", o pai grita "PEDALAAAAAAAAA, NÃO PÁRES!!!". E tenho que inventar outra irritaçãozinha de estimação que esta deixou de ter argumentos...


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Desculpa, Laura...

Por estares enfiada numa sala, com esse rabinho que nunca consegue estar quieto, das 9h às 18h30. Por vires para casa a chorar porque a professora bateu na mão do teu amigo ou gritou contigo porque estavas a olhar pela janela a ver passar uma nuvem em forma de gato.


Por trazeres trabalhos de casa como castigo, quando te prometi que estudar seria sempre uma maravilha.


Perdoa-me, Laura, por teres ficado sem recreio, quando me recusei a ver o teu sofrimento num domingo de sol (e têm sido tão raros), sentada na tua secretária, a tentares escrever a pérola da pedagogia “Devo estar com mais atenção às correções” vezes sem conta, e decidi que era bem mais produtivo irmos ver o Palácio da Pena e apanhar flores na serra, depois de teres estudado sexta quando chegaste da escola, mais sábado durante grande parte da tarde.


Por  veres  a mãe de uma colega tua a consolá-la porque a professora não a deixou ir à casa de banho e ela fez xixi pelas pernas abaixo e por ouvires o desespero de uma mãe desempregada, que não tem dinheiro para pagar explicações fora da escola, o apoio escolar não está a resultar e a filha pergunta-lhe porque é que é burra. Respondo-lhe que não há crianças burras, mas sim com diferentes formas de aprendizagem. Que são os adultos, neste caso, os professores, que têm que descobrir maneira de a cativar, e ela agradece-me porque nunca tinha pensado nisso. Nunca ninguém lhe tinha dito que a filha não é efectivamente burra.


Por chorares com medo de errares. Porque na escola ralham contigo quando erras.


Por começares a ter medo de falar.


Isto tudo, numa “escola-modelo”, numa capital europeia.



Esta não é a escola que eu quero para ti.


Quero uma escola em que os professores são amigos dos alunos e os alunos amigos dos professores. Uma escola em que todos se respeitem. Uma escola compreensiva, solidária, integrativa, justa e criativa. Livre de violência, de preconceitos. Que não seja submissa. Que forme efectivamente cidadãos. Sem castigos, sem agressividade, respeitando a especificidade, as particularidades e o ritmo de cada aluno.


Acima de tudo, uma escola onde se seja feliz. Porque toda a gente sabe que crianças felizes aprendem melhor.


Ainda vou a tempo, Laura. E isto é uma promessa.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Aos seis anos e meio

- É fã dos The Beatles, The Quartet of Woah!, Queen, Pink Floyd, Nirvana, Eddie Vedder, David Bowie, Band of Skulls e Elis Regina.
- Chorou a ver o Little Stuart e um filme de natal em que transformavam um cão em pedra.
- Não compreende como é que as praxes integram alguém. Desde quando é que humilhar, dar ordens e sujar alguém é ser amigo. Já deixou bastante claro que se alguém a tentar pintar, espeta-lhe a caneta pelo nariz acima.
- É do quadro de honra da leitura (merda para os quadros de honra!!!!) - but of course i'm proud.
- Acha esquisito que no livro de estudo do meio existam todo o tipo de famílias, excepto dois pais ou duas mães.
- Gosta de se enfiar a meio da noite na nossa cama. Dormimos mal que a miúda está enorme e ginastica a noite toda, mas sabe bem como tudo.
- Deixou o ballet clássico e passou para o contemporâneo. Tem um professor só para ela. O melhor professor do mundo e nunca a vi tão feliz e tão aplicada.
- Adora dançar, cantar, tocar órgão, bateria e harmonica e pintar grandes telas.
- Ouve música nas portas a bater e na chuva a cair.
- Adora animais. Adora que a Essi durma com ela nas noites frias.
- Ficou de boca aberta quando a levei ao Mosteiros dos Jerónimos. Quando vê arco-íris fica com essa mesma expressão: "Como é que isto é possível??!!".
- Não gosta de fazer os trabalhos de casa. Trá-los praticamente todos os dias e fá-los. Mas com a mão a segurar a cabeça.
- Recusa-se a ir a circos com animais.
- Está a aprender a fazer tricot.
- Na escola conhece toda a gente. Gosta de toda a gente e toda a gente gosta dela.
- É altamente generosa. Leal. Sincera. Carinhosa.
- Fica sentida quando gritam com ela.
- Pergunta-me várias vezes se o Passos Coelho e os seus amigos já se foram embora, para ter um mano.
- A maior alegria seria ter um mano.
- Continua a gostar de saltar nas poças da chuva e nas folhas secas. Pára na rua e fecha os olhos para sentir o sol na cara, nos dias de inverno.
- Adora apanhar conchas.
- Detesta não saber saltar à corda, mas também não tenta aprender.
- Adora que lhe contemos histórias de quando era bebé.
- Continua a não gostar de sopa e pede-me com jeitinho para lha dar à boca nos dias em que está mais cansada.
- Tem uma letra maravilhosa.
- A matemática fascina-a.
- Adora futebol. É do Porto porque gosta de azul.
- Quando está preocupada com alguma coisa, pede ao pai que lhe cante o Summertime.
- Não gosta de ser fotografada e tenho que a fotografar sem que ela repare.
- Gosta de fingir que sabe inglês. E francês.
- Ri-se quando eu e o pai nos beijamos. Ri-se muito e abraça-nos as pernas.
- Sabe falar com as árvores. E com todos os animais. Acha que os pombos a perseguem porque ela os compreende.
- Não toca em leite. Só com chocolate. Não aprecia bolos. Nem sumos. Mas faz cara séria, quando o pai a deixa dar um golo no copo de coca-cola. Sente-se mais crescida.
- Acredita na fada dos dentes e no pai natal.
- Detesta acordar cedo.
- Tem orgulho em ser a única criança a ter a árvore de natal montada na sala. Em Fevereiro.
- É pedinchona e teimosa como tudo.. A maior drama queen com que já me cruzei.
- Nunca se cala. Nunca!
- É maravilhoso ser mãe dela.


...
One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky

But until that morning
There's a'nothing can harm you
With your daddy and mammy standing by

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Hoje levei uma chapada... duas para ser mais exacta

Hoje vi uma criança sair do ATL, dirigir-se à mãe e levar com um "ou vestes o casaco ou levas duas chapadas"...

Não houve troca de beijinhos, nem de abraços. Não houve qualquer tipo de afecto. Nem um "olá", nem um "tiveste um dia bom?", e muito menos um "tive saudades tuas!"...

Já não é a primeira vez que assisto a este tipo de miminhos dos pais quando vão buscar os miúdos, mas gostava mesmo que esta tivesse sido a última.

A criança que saiu do ATL é a criança que me pede sempre um beijinho quando deixo a Laura de manhã na escola.

Deve ser tão difícil ser criança quando se cresce entre monstros...


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Um Ministério da Educação que brinca às escolas

Estive agora a ver a reportagem na TVI sobre o financiamento de colégios privados com dinheiros públicos...

Estão a destruir a escola pública. A treta da liberdade de escolha… Querem falar sobre liberdade de escolha????!!!!

Liberdade de escolha é a minha filha não começar o ano sem professor, é que não lhe chova dentro da sala de aula, é que o coleguinha não parta a cabeça no recreio porque a Parque Escolar projectou uma escola sem pensar na segurança das crianças. 

Liberdade é nenhuma criança passar fome na escola, é não ter que decidir se usa o papel higiénico para limpar o rabo ou para se assoar, porque para as duas coisas não chega. 

É terem transporte para não andarem 1, 2, 3 ou mais quilómetros para chegarem à escola. 

É poderem escolher se querem ter aulas de piano, educação física, música, ballet, pintura ou teatro. É não terem turmas sobrelotadas. 

Liberdade é apoiarem o ensino especial, sem excluir as crianças com necessidades educativas especiais, retirando-lhe verbas. 

É não atirarem para o desemprego milhares de professores e auxiliares e não autorizarem as escolas públicas a abrir mais turmas para que não faltem alunos no privado.

A educação não é um negócio.


154 milhões de euros, Crato?! Isto é criminoso! Bolinha vermelha para ti!




quinta-feira, 31 de outubro de 2013

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Uma roda por dia nem sabe o bem que lhe fazia

Eu queria acreditar que a escola tinha mudado muito desde a minha altura. Os jardins de infância que a Laura frequentou fizeram-me acreditar ainda mais numa escola onde se aprendia a brincar, onde se respeitavam as características de cada aluno e se as aproveitavam para uma aprendizagem criativa e positiva.

Mas agora, não sinto nada disso. Os miúdos que só vivem neste mundo há uns 5, 6 anos, são obrigados e ficar fechados dentro de salas, sentados, quietos e de preferência calados, porque entraram para essa grande instituição "a escola dos crescidos". E se ser crescido significa não ter tempo para brincar, se significa levar gritos dos adultos porque se escreveu com esferográfica e não com lápis, se significa levar trabalhos para fazer em casa, religiosamente, todos os dias da semana, não permitindo a descontração e a brincadeira em casa, apesar de já terem feito mil e uma fichas nas horas que estiveram na escola, então ser crescido é uma bela duma merda.

A escola não é gira. Já não se dão reguadas, mas não se permite às crianças que sejam isso mesmo: crianças. Há uma pressa em fazer deles "homenzinhos" e "mulherzinhas" submissos, calados e quietos, como se de máquinas se tratassem, cheios de regras, muitas das vezes absurdas e antipedagógicas, onde as notas valem muito mais que os valores.

Já repararam que os nossos filhos trabalham muito mais horas do que nós?

A Laura está contente. Gosta de ir para a escola. Gosta dos colegas e das aulas de expressão dramática. Não gosta da professora porque ela lhe grita. Não gosta de fazer os trabalhos de casa porque já fez inúmeras fichas na sala de aula e está saturada.

Falei com vários amigos com filhos mais velhos que a minha. "Vai correr tudo bem, é mesmo assim. Há um período de adaptação. Sim, o ensino está uma desgraça. Mas ela vai sobreviver".
Eu não tive filhos para que eles sobrevivam. Eu tive uma filha para que ela viva.

Ontem levou bolinha vermelha porque fez a roda no meio da sala quando a professora lhe chamou a atenção. E ela nem percebe muito bem, porque é sempre correta, educada e gentil com toda a gente, especialmente com os adultos. Gostava de ter tido bolinha azul, mas o vermelho até é a cor preferida da sua mãe e fazer a roda depois de uma manhã inteira a aprender foi o que lhe soube bem.
Até porque com os TPCs diários dificilmente arranjará tempo para regressar às suas aulas de dança... e a miúda tem que gastar aquela energia de alguma maneira.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

2ª semana de aulas sem professor

Pensava eu que ia mais furiosa, raivosa, revoltada e a espumar pela boca do que qualquer encarregado de educação daquela escola. Só não me lembrei que eu sou novata nesta coisa do 1º ciclo. Há gente que lida com isto há quatro anos. Por isso, havia gente bastante mais exaltada do que eu, que gritou, reclamou e esbracejou.

Ficámos a saber que (talvez) na 2ª feira já pode haver professor para o 1º ano. Que este atraso todo é culpa do Ministério da Educação que bloqueou o processo com burocracias, uma vez que se trata de uma escola TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), não foi possível iniciar-se a contratação de escola mais cedo.
O Director do agrupamento prometeu combater este cenário durante o próximo ano, para evitar futuras situações de turmas sem professor.

Também fiquei a saber que os alunos do 4º ano não têm porta na sala (sim, leram bem), porque a Parque Escolar não deu dinheiro para a arranjar.
Isto também é válido para uma "divisória" no recreio que divida os alunos do 1º ciclo do 2º e 3º ciclo (existe portanto uma linha imaginária, sem custos) e para a caldeira do balneário dos rapazes.

Há filas intermináveis para a compra de senhas de refeição porque não há pessoal - existe uma tesoureira para 1000 alunos e não há dinheiro para contratar mais pessoal.

Para terminar, houve queixas em relação aos alunos frequentarem as piscinas municipais 1 vez por semana. Porque chegam a casa muito cansados. E nem mesmo quando o Director os chamou à razão "há crianças que se não aprendem a nadar através da escola, nunca o vão fazer porque os pais não têm posses para isso", mudaram de opinião.

Vi professores dedicados que gostam daquilo que fazem. Que gostam de ensinar e que gostam das crianças.
Que se riram quando lhes perguntei se não havia maneira de pressionar as entidades (in)competentes, porque não têm eles feito outra coisa.
Pude finalmente agradecer pessoalmente à professora dos "meninos crescidos" que "acolheu" a minha filha.

A Laura não chorou mais para ir para a escola. Ainda não percebeu muito bem porque é que não tem professor, mas eu pedi-lhe para confiar em mim, que em breve irá para a sua sala de aula aprender a ler e a escrever.
Já é conhecida como a menina "despachada", que tem sempre alguma coisa para dizer.

Há falta de professores, inclusive do ensino especial, há falta de auxiliares e de pessoal administrativo (o que não se entende com tanta gente desempregada!) e os edifícios estão degradados (o caso do Liceu Camões é outro escândalo). Onde deveria ser a 2ª casa dos nossos filhos. Onde deveriam ser acarinhados e respeitados - O Ministério da Educação e a Parque Escolar não têm feito outra coisa se não desrespeitar a escola pública e a comunidade escolar (em particular, professores e alunos).

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A primeira semana no 1º ano

- Continua sem professor e passa o dia na sala dos "crescidos" a fazer desenhos e a escrever a palavra "ovo".

- Hoje, no meio da brincadeira pré-banho, disse "cu", riu-se e nós não!

- Tem duas colegas "incranianas" - com esta ri-me, claro.

- Uma das novas regras no 1º ciclo é que não se pode conversar durante as refeições - regra essa que terei que investigar, uma vez que os miúdos já passam horas a fio fechados dentro de salas, era só o que faltava não poderem falar uns com os outros enquanto comem.

- Outra regra é que não posso entrar no CAF quando vou buscar a miúda, porque gera muita excitação nas crianças e ficam desconcentradas (enquanto lancham)... pergunto-me se têm crianças dentro daquela sala ou animaizinhos ferozes que ninguém controla. Pergunto-me também qual o nível de concentração exigido para a hora do lanche.

- A segurança da escola é anedótica, nunca ninguém me pediu identificação e ontem apanhei um miúdo que tinha fugido do CAF pelo 2º dia consecutivo. No 1º dia não tinham dado pela falta dele, sequer - a auxiliar que estava ao portão confirmou que o menino tinha andado por ali ao final do dia e que a mãe o tinha vindo buscar ao portão e não dentro das instalações do CAF, onde era suposto.

- Ninguém me sabe dar informações sobre as AECs, o que é no mínimo estranho, porque a miúda já teve música, teatro e duas aulas de ginástica. Ninguém sabe de nada, mas lá que elas andam por aí, lá isso andam, ou então a minha filha tem uma imaginação muito fértil.

- Leite escolar, até agora, nicles!

- Caiu-lhe uma das patilhas do fecho da mala, ela chorou e a professora que a está a acompanhar consolou-a e pôs um clip para ela conseguir abrir e fechar a mala.

- Já faz o pino durante 10 milésimos de segundo e faz cambalhotas para a frente e para trás com uma facilidade que eu invejo.

- Já teve que mostrar de que fibra é feita a uma miúda mais velha que se meteu com ela. Mas também há um grupo de "mais crescidas" que a protegem, chamam-lhe Laurinha, abraçam-na e enchem-na de beijinhos como se fosse uma boneca.

- Não voltou a chorar para ir para a escola e tem saído da feliz da vida.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Hoje a minha filha foi para a escola a chorar

porque ainda não tem professor. Porque não gosta de estar na sala do 4º ano. Porque ainda não percebeu quem são os colegas com que vai partilhar a sala. Porque nunca imaginou que a entrada para a escola seria assim... com tudo ao contrário do que a mãe, o pai, os avós, os tios, os primos e os amigos lhe foram dizendo que seria entrar para o 1º ano.

Mas diz o ministro da educação que está tudo a funcionar correctamente.
Se por "correctamente" quer dizer que há escolas que ainda não abriram por falta de pessoal, que há crianças do pré-escolar e do 1º ciclo sem professor, que está instalado o caos, então sim, se é esse "correctamente", então eu aceito.

Este governo está a destruir a nossa escola pública. A desrespeitar professores, alunos, pais e toda uma sociedade que contribui com os seus impostos.

É suposto a escola onde passam 8, 9 e até 10 horas por dia seja um sítio de estabilidade e de carinho e não um sítio desorganizado e assustador, onde ninguém está satisfeito nem motivado.

Passei o dia com o coração apertadinho, a pensar como estaria a piolha. O dia acabou por lhe correr bem. A professora do 4º ano deu-lhe um trabalho para fazer e como correu tão bem, mostrou-o à turma dos "meninos mais velhos".

Só me resta agradecer à professora que entre dar o programa aos alunos do 4º ano, ainda tem que se desdobrar em mil para cuidar de umas quantas crianças do 1º ano que caíram ali de páraquedas.

E Crato... uma imagem vale mais que mil palavras.




"Não se pode ensinar bem o que não se sabe bem" - Um ministro da educação que atribui a culpa da falta de professores nas escolas à falta de interesse dos mesmos nas vagas, só pode significar que não conhece minimamente a realidade do ensino no nosso país. E isso, além de ser altamente insultuoso, só pode significar DEMISSÃO!

A bem ou a mal vamos ter que dar a volta a isto!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Autch!

- a Magali teve outro ataque epiléptico e é sempre horrível assistir a uma coisa destas. Doeu-me de tal maneira que chorei.

- bati com o dedo pequenino do pé na esquina do carrinho de chá que está no corredor e quando ainda estava a recuperar o fôlego, bati com o cotovelo na parede. Doeu-me tanto que deixei de respirar.

- a minha filha viu um gato morto e fez a cara mais trágica do mundo quando lhe disse que não o podíamos salvar. Chorou com uma tal tristeza, incompreensão e desespero que fez parar o trânsito nas avenidas novas. Doeu-me de tal maneira que nem tenho palavras.

- a hortelã e o manjericão não gostaram da onda de calor e secaram. Ainda não tive coragem para me desfazer dos ramos secos.

- fui ao dentista sem me doer nada e saí de lá cheia de dores. De tal maneira que andei a sopas e a iogurtes líquidos.

- O H. arranjou um banjo e os músicos do 1º andar (minha casa incluída) andam doidos com aquilo... aquele som entra-me pelos ouvidos como se me espetassem agulhas e tenho a sensação de que a minha cabeça vai explodir a qualquer momento. Quando me dói tomo um benuron.

- A minha mãe fez anos e não lhe dei flores. Vai-me doer sempre.

- Disse à Laura: filha, preciso de falar contigo sobre os teus anos. Ela interrompe-me: "Mãe, eu percebo, a sério. Não precisas de me dar uma prenda, mas posso ter cá os amigos para brincar?". Doeu-me de tal maneira que acho que morri um bocado. Porque queria vê-la com os olhos de bambi, com as palmas daquelas mãozinhas de boneca juntas, a pedir "gostava tanto, mas tanto, de ter. Posso mãe, posso? Por favor, vá lá, vá lá, por favor", com um sorriso meiguinho que me põe zonza de tão fofo que é. Só lhe queria falar sobre o bolo e sobre as brincadeiras.Porque é óbvio que vai ter as prendas que nós lhe podermos dar. Achava eu que a protegia da realidade miserável que vivemos neste mundo por não vermos televisão, por nunca lhe faltar nada. Mas ela tem olhos e ouvidos. Só não queria que ela deixasse de sonhar. Para a próxima prefiro uma bela birra de menina insolente, em vez desta chapada de menina crescida e consciente.

- Ainda não estou de férias.



domingo, 4 de agosto de 2013

O dia da minha mãe

Todos os anos desde que a minha mãe partiu, ia com o meu pai emprestado ao cemitério.
Comprávamos as flores mais bonitas, regateávamos o preço e riamo-nos com isso. Descíamos lentamente até ao sítio onde estava a campa. Pousávamos as flores e eu deixava-lhe uma carta. Chorávamos. Limpávamos as lágrimas e iamos almoçar a sítios lindos para festejar o aniversário dela. Com toda a certeza que ela gostaria disso.
Da primeira vez, custou-me imenso. Não conseguia controlar a tristeza e o vazio que estava a sentir. Depois, sem saber bem porquê, percebi que me sabia bem. Sentia-me mais leve, mais aliviada. Com um grande vazio, mas menos sofrido.
Então, comecei a ir mais vezes. Sozinha. Levava-lhe as flores mais bonitas e uma carta a contar como estava tudo e o quanto gostava dela. Por engano, deixei várias vezes as flores e as cartas na campa do lado. E no dia de anos dela, com o meu pai emprestado, riamo-nos quando eu lhe dizia "ai é aqui? acho sempre que é a do lado".

Mãe:

Estamos todos bem. 
O R. diz que a Laura tem o meu sorriso. Eu reconheço o teu nos lábios dela, naqueles olhos que riem, nas covinhas daquelas bochechas gigantes.
Obrigada pela alfabeto feito em cartolina, por vires a correr quando tinha os pesadelos com as girafas a entrarem pela janela do meu quarto, por estares lá sempre que estava doente, por me dizeres que tudo ia correr bem, pela lasanha com as natas de soja, pelos banhos no alguidar, por me teres oferecido o Bob, por me teres dado a conhecer a Lídia Jorge e o Vergílio Ferreira, pelo Miró e pela Vieira da Silva, por não teres medo de andar de carro comigo, pelas tardes de Inverno no Guincho, por me deixares dormir até tarde, por me deixares plantar contigo os coentros e as roseiras, por só quereres que fosse eu a pôr-te o lenço na cabeça e obrigada pela última promessa que me obrigaste a cumprir.
Desculpa por não te ter deixado partir mais cedo e desculpa, mais uma vez, por te ter forçado a comer a gelatina.
Adoro-te.
Muitos parabéns.
Volta depressa.