terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ouvi dizer que estava de férias

E passo os dias ao sol, a ver o céu azul e as andorinhas. As cadelas estão felizes. A Essi já arranjou um namorado e gosta de dormir debaixo das figueiras. A Magali gosta de brincar com as crianças às mangueiradas. Há as birras da sopa e o vento que sopra demasiado forte à tarde, mas há as gargalhadas de meninos felizes, que brincam ao ar livre e nadam até à lua. Há conchinhas brilhantes nos bolsos dos meus calções e areia nos meus pés. Há mergulhos de sereias e gafanhotos à porta dos quartos. Há legumes descascados ao ar livre e boa companhia. Há beijinhos e miminhos a todas as horas do dia. Há telefonemas para matar as saudades de quem ficou no lufa-lufa da cidade. Há um céu que se perde de vista com tantas estrelas para contar e constelações para descobrir. Dizem que estou de férias. Eu cá sinto exactamente o mesmo que no resto dos dias, mas sem transportes públicos e sem o tic-tac a correr atrás de mim. Estou feliz. Sou feliz.


sábado, 4 de agosto de 2012

A felicidade numa bandeja


Querida mãe,

Hoje farias (fazes) anos. 60. Adorávamos quando na rua nos confundiam como irmãs. Eras uma vivaça. Bonita, de olhos verdes, calças de ganga e all star. Ou vestidinhos de verão. Sempre pronta para um passinho de dança e para conversar. Vemos os meus amigos a discutir com as mães por coisinhas de nada. Não me lembro de discutirmos. Conversávamos. E o engraçado é que ou eu acabava por concordar contigo ou tu comigo. Éramos cúmplices. Amigas. Divertidas.

Não precisa de me fazer de forte ao pé de ti. Apeteceu-me ligar-te quando as compressas ficaram presas nas feridas, no episódio do burro. Podia-te ligar e choramingar e tu havias de me dizer alguma coisa para me reconfortar. Liguei ao R. Ele também sabe sempre o que me dizer para me reconfortar, mas não gosto de mostrar que fraquejo. Que choro porque me doem os joelhos… coisas tontas… Mas também ele me percebe. Também passa por mim cá em casa inúmeras vezes e não me diz nada. Esboça um sorriso quando se cruza comigo e eu estou parada no meio do corredor a olhar para o vazio. Porque estou a pensar. Estou a processar o dia que passou ou um sentimento qualquer que quero perceber melhor. Tu fazias exactamente o mesmo. Davas-me o tempo que eu precisava. Estou bem entregue. Gente que percebe os meus devaneios. Que respeita o meu tempo. Que me ama e me quer bem.

Hoje não me vou pôr com lamechices. Mas não é um dia que me passe ao lado. Sinto-o bem no fundo do meu coração. Porque te amo e te hei-de amar para sempre. E as saudades hão-de apertar cada vez mais.

Hoje não vamos passear ao guincho, nem ver o pôr do sol a ser chicoteada pela areia, contigo ao meu lado, não vou fazer bolos nem deixá-los queimar, para depois raspar a parte queimada e enfeitá-lo com cerejas e velas malucas, não vou vestir o meu vestido preferido nem maquilhar-te, não vou deitar a cabeça no teu colo nem abraçar-te, não te vou fazer rir com as minhas caretas, mas hoje, no teu dia de anos, dou-te o que de melhor se pode dar a uma mãe: a minha felicidade.

Muitos parabéns, mãe.
Volta depressa!
Vera

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Viva o rock do bom!!!!

A música destes meninos é do melhor que há!!!!!!!!!
Meti uma cunha (fiz o meu olhar nº64467 - os olhinhos de bambi) e pude ouvir em primeiríssima mão o cd que vai sair em breve!
Eh pá! Fiquei maluquinhaaaaaaa!!! É rock do bom! É música que me leva a voar até à lua em 3 segundos! É música que dá uma pica inexplicável! Que nos arrepia cada pêlo do nosso corpo! Que nos faz tremelicar músculos que nem sabíamos existir! Que nos faz sentir poderosos! Que nos faz inventar autênticos videoclips mentais para cada música! Parece que estamos a viver numa outra dimensão, num outro filme! Cada vez que oiço as primeiras notas de cada música, tenho vontade de dar guinchinhos histéricos de alegria! Ai esta!! Esta é a minha preferida! Ai, afinal é esta! Aiiiiiii!! São todas preferidas!!! É música que me faz pular, dançar e que me põe um demóniozinho no corpo, mais forte que eu e quando dou por ele, a música ouve-se no fundo da rua - é o demóniozinho do volume!!!! Desculpem lá, vizinhos, estou possuída! Desculpem nada! Oiçam  que é bom! E música da boa só faz é bemmmmm!!!!!!!!!

Os Quartet of Woah vão dar tanto que falar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Preparem-se!!!

Eu cá já estou pronta para namorar, limpar a casa, jardinar, brincar, passear as minhas 4 patas e enfrentar os perigos dos transportes públicos da cidade de Lisboa com esta banda sonora como fundo!
Se virem uma rapariga a passar por vocês, de all star nos pés, a correr, de sorriso nos lábios e braços ao alto, sou eu, a dar a volta ao mundo, e a ouvir esta bomba!
E a pequenina, é a Laura!



PS. Mariana, os créditos da foto são todos teus! Obrigada!

You're just to good to be true

Depois de uma semana com burros, sem chucha, com despedidas dos amigos da escola, com correrias para o autocarro para ir comigo para o trabalho, é isto que eu ganho! Vale  TUDO, TUDO, TUDO e mais TUDO! I'm such a lucky girl!


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Para a Inês

Nunca tinha pensado muito no assunto, para ser sincera, mas o episódio que se passou no sábado levou-me a pensar sobre isso. A Laura deixou a chucha e como ela adora animais decidimos levá-la a passear de burro. Foi lindo, a piolha estava delirante, orgulhosa em cima do burro alfredo. Uma paisagem linda, com o mar ao fundo, ovelhas, póneis, um sol magnífico, amoras silvestres, um dia mais do que feliz. Só que a meio caminho, o burro alfredo passou-se e desatou a correr com a Laura às costas. Eu era quem estava mais perto, agarrei-me à corda que o alfredo tinha presa, mas o bicho era mais (bastante) forte que eu e muito mais rápido, caí e fui a arrastar pela gravilha. Queimei a mão toda que tentava agarrar a corda até não haver mais corda e ali fiquei a ver a minha mais que tudo a ser levada por um animal a alta velocidade.
Desta vez aprendi que as mães deviam vir com asas.
A Laura, a menina mais corajosa deste planeta, deixou-se ficar de lado até roçar o chão e deixou-se cair, de olhos fechados e braços a proteger a cabeça. Nem com um arranhão ficou. Nem lágrimas lhe vimos.
Se lhe perguntarem, diz que a mãe se atirou para o chão para a salvar e ficou com sangue, mas nem lhe doeu. Porque sou a mãe dela e seja em que situação for, hei-de me arrastar na gravilha as vezes que achar que são necessárias porque ela é o meu tesouro. E não são uns joelhos esfolados, umas calças rasgadas que me vão parar.
É mesmo isso que lhe digo, querida Inês, tenha ela 2 anos ou 30. Que arrisque. Eu arrisquei, não ia valer de nada, mas arrisquei. Nem pensei. Muitas das vezes nem penso. Faço. Porque pelo menos fiz. Arrisco! Prefiro arrepender-me do que fiz, do que do que não fiz. Se não tivesse (tivéssemos) arriscado, não haveria uma Laurinha nas nossas vidas.

E sim, apanhámos o susto das nossas vidas! Foi inevitável pensarmos em tudo o que poderia ter corrido mal. Que poderíamos não estar no sofá, enroscadinhos a dar graças por tudo ter acabado bem. Por termos a nossa pequenina sã e salva a dormir um soninho descansado.

Mas demos-lhe um dia fantástico, com um final feliz. E é disso que a vida deve ser feita! De finais felizes!

A Laura continuou muito amiga do alfredo e prometeu visitá-lo mais vezes.


PS. Mil obrigadas ao Rui e à Marília que nos acolheram e me trataram das mazelas!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Poesia na lancheira

Foram quinze dias de praia com a escola. Com os coleguinhas e a pulseirinha com o nome e o número de telefone, caso se perdesse. Foram quinze dias a atravessar a ponte sem a mãe e sem o pai. Foram quinze dias felizes, com um lanchinho que levava de casa, preparado com todo o amor e carinho, para ela comer, não comigo num piquenique num qualquer jardim, mas na companhia do sol e do mar. Foram quinze poemas e canções para ela descobrir na lancheira. Fernando Pessoa, Sérgio Godinho, Delfina Figueiredo e tantos outros. Porque ela é o nosso poema!




segunda-feira, 23 de julho de 2012

mini lolita

as lolitas dão muitas roupas umas às outras, e trocam roupa. há algumas roupas que eu usei na adolescência que eu adorava mesmo muito e que marcaram muito posições do que acreditava e do que eu era. roupas que me valeram comentários na escola, claro e que eu na altura adorava. ser diferente era o meu statement preferido. essas nunca as dei a ninguém, nem as lolitas as quereriam agora nem serviam a ninguém.
vim para malavado com os meus miúdos e a minha mãe trouxe um saco dessa roupa que ela encontrou onde eu a tinha escondido. a leonor que é linda, tem cabelo pelas costas como eu tinha, é doce e tímida como eu era na idade dela (ainda hoje lhe explicava que as pessoas mudam muito...), apaixonou-se pelas roupas todas. experimentou uma a uma e era uma alegria que nem imaginam. de repente ela pareço eu e substituiu as calças de ganga justas da moda por vestidos bordados pelos pés e brincos de penas.
eu já acho que estes três miúdos são as crianças mais fixes da humanidade mas vê-la a levar este bocado de mim encheu-me o coração. e logo depois fui deitar a minha bebé luísa que me pediu "coceguinhas das boas" nas costas para adormecer enquanto lhe cantava as "três irmazinhas", a música heróica que combate todas as tristezas e birras da minha menina e ela adormece a sorrir, de mão dada comigo.
fogo, isto sim são férias. fazer buracos na praia, ouvir de manhã os sonhos que tiveram, estar na praia com as crianças empoleiradas em mim com a luísa abraçada a dizer que sou fofinha e quentinha, rir o dia todo com as parvoíces das músicas inventadas, pirraças infantis, discussões de irmãos, rir a pedir à minha mãe que não se ria mais quando pedimos às crianças para serem obdientes.
gosto deles. mais do que do meu sangue são de todos os meus dias. este início de férias cheira a marshmallows.  

Vamos ajudar estes cãezinhos que se perderam de casa por causa dos incêndios!!!


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Lá história ele fez...

na vida das pessoas que mandou espancar, prender e torturar. Na vida das pessoas que passaram fome. É impossível falar do historiador sem falar da pessoa. Era um fascista! E um fascista nunca é boa gente.
Por isso, irrita-me solenemente todos os posts ridículos do facebook, "era um grande homem", "é uma grande perda para portugal!"... como é que se pode ser uma grande perda, quando se é conivente - e muitas vezes mandatário - de tortura? Provavelmente foram os vossos pais que ele mandou espancar, que tentou calar, que torturou com espancamentos, com medos, com torturas de sono e de ratos!
Como a L., uma grande amiga da minha mãe que se suicidou depois de ter sido submetida aos miminhos da pide. Como outro amigo da família, capturado pela pide e que não cedia nem por nada. Só olhava por uma janela. Era o escape dele. Os pides perceberam, foram buscar a mulher dele a casa, subiram até ao último andar, atiraram-na e ele viu o amor da vida dele morrer, diante dos seus olhos, sem poder fazer nada.
É por um monstro deste calibre que permitiu e apoiou isto que vocês hoje choram?
Realmente, a vossa memória é muita curta!

Desafiem as Lolitas! (pelo menos esta!)

Proposta do dia para os/as nossos/as queridos/as leitores/as:

Lancem um tema! e cada lolita responderá a esse tema como entender.

Eu prometo responder, pelo menos! Preciso de jogos, é sexta-feira, o país está a arder e foram abatidas a tiro uns americanos, na fila para irem ver um filme do batman (e continuam a não rever o raio da lei das armas!!!)...

Distraiam-me, por favor!


quarta-feira, 18 de julho de 2012

“The greatness of a nation and its moral progress can be judged by the way its animals are treated”

Dizia o Gandhi, digo eu e devíamos dizer todos nós.
Um dia a Laura chegou horrorizada a casa porque na escola havia uns meninos maus que o divertimento que arranjaram foi esmagar caracóis. Expliquei-lhe que há meninos que têm que ser ensinados a ser gente e que com certeza eles não gostariam que algum gigante de bibe e chapéu vermelho se chegasse ao pé, os tirasse do escorrega e os esmagasse com os pés.
Ela deve ter-lhes explicado porque não voltou a acontecer.
Os animais são ser parte da família. Devem ser respeitados, amados e estimados. Devem ser felizes e protegidos por nós. Sejam cães, gatos, minhocas, peixes, ratos, coelhos ou bichinhos da seda.
Nunca cá em casa foi admitido puxões de pêlo, incomodá-las enquanto dormem ou pontapés. Nem cá em casa nem em nenhuma situação nessas casas e ruas espalhadas pelo mundo fora que eu presenciasse.
Curiosamente, neste ninho, nunca foi admitido, nem nunca foi tentado! Elas amam-se! Desde sempre. E para sempre.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Existe lá coisa melhor

que receber prendas de natal em pleno mês de julho!


O admirável mundo da Laura


Se ela mandasse no mundo, as nuvens eram baixinhas, podíamos moldá-las em forma de animais e lambuzarmo-nos tal e qual como fazemos com o algodão doce, não havia noite a não ser quando quiséssemos ver as estrelas e a lua, não havia acordar cedo nem tempo nem atrasos, não havia nem guerras nem sopa. Havia espuma em todos os banhos e andar de pé descalço o dia todo. Havia neve no chão e nos telhados das casas, folhas secas para pisar e poças de água para chapinhar. Havia flores de todas as cores em todos os lugares. Havia morangos e cerejas para comer. Árvores para trepar. Havia areia para fazer castelos. Com pontes, torres e cavaleiros. E praias a perder de vista com ondas pequeninas. Havia viagens de barco e excessos de velocidade em patins. Havia beijinhos e abraços para dar e receber. Havia histórias com final feliz e cantigas a cada segundo. Palácios, princesas, sapos e tesouros. Nunca havia lágrimas nem medo do escuro. Gatos bebés, bambis e joaninhas. Tubarões e lobos bons. E memória de elefante. Vestidos que rodam. Corações pintados em cada parede branca. Baloiços nas tardes de primavera. Arco-íris. Preguiça no tapete. Rebolanços na relva fresca. E uma palavra para cada momento. Ou várias. Um aceno e um sorriso a quem passasse por nós. Tudo cheirava a mar, a baunilha, a pêssego e a rosas.
Tu mandas no mundo, só ele é que ainda não sabe.





É isto a maturidade?

Saí do trabalho e fui para a paragem de autocarro. Encontrei a mãe do G. que é um coleguinha da Laura que eu adoro.
- Olá! Estava mesmo agora a ligar à minha mãe para ir buscar o G.
- Olá! Ai sim?
- Sim, ainda ir buscar o carro e ir buscá-lo... Puff! Uma canseira!
- Ahhhh moram longe, é?
- Não, moramos mesmo ali pertinho. Somos vizinhas.
- Ah. Ainda têm que ir a algum lado...
- Não...
- Ir buscar o carro para subir a rua? - silêncio - Está um calor, não é?

No caminho para a escolinha há lebres, há andorinhas, também há muitos cócós, mas há flores de todas as cores e um céu infinito. Depois queixam-se que são gordas. Quem é que no seu perfeito juízo vai buscar o carro para subir uma rua? Mas não disse nada disto. Pensei, mas não disse. Falei sobre o tempo. Eu, Vera, falei sobre o calor. Calei-me e nem sequer frazi o sobrolho. Ok, tlvez um bocadinho, são tiques que não se controlam. Mas não disse nada desagradável. Acho que mereço uma prenda!




Há dias em que é um privilégio trabalhar escondidinha atrás de uma secretária!


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Flor de jacarandá


Enquanto umas lolitas enfiam vidas inteiras dentro de caixotes e mudam de casa, outras lolitas preparam viagens. Outras acordam às seis da manhã para levarem os filhos à escola (chegou a altura de praia yeah!!).
É o final do ano lectivo. Eu cá acho mais importante que o ano novo. É a altura ideal para fazer um balanço do ano que passou. E fazer planos para o que aí está para vir.
O meu ano começou com medo. A minha piolha ia mudar de escola e eu estava desempregada. E não podia ter corrido melhor. Arranjei emprego, um emprego que adoro, que me dá a estabilidade que preciso e me apresenta desafios todos os dias. Na reunião de avaliação de final de ano, não podíamos ter vindo mais babados. A E. parecia que tinha trocado de papéis connosco. Que a Laura é especial, é diferente dos colegas, sabe os esconderijos todos da Gulbenkian (é onde o pai e a filha vão passear e encontrar tesouros, à espera que eu saia do trabalho), tem um vocabulário extraordinariamente rico para a idade, é simpática, tem uma energia fabulosa, é altamente participativa, tem uma imaginação inesgotável, é sensível, muito amiga. É uma criança muito feliz. Que nós amamos mais que tudo.

Balanço: O jacarandá deu flor!
Planos: Continuar a ser feliz!


domingo, 8 de julho de 2012

A Laura Bailarina

Alguém lhe perguntou "Estás nervosa, Laura?"
- Não, estou feliz!

Subiu ao palco do grande auditório do CCB, e com a maior das felicidades, dançou, pulou e agarrou aquele palco como eu nunca vi! Com certeza, com alegria e sem vergonhas, sem medo, sem nervoso miudinho. De sorriso nos lábios, com "O brilhozinho nos olhos", a sentir-se uma princesa (descrição dela), de braços ao alto e aos saltinhos como se fosse levantar vôo.

Parabéns princesa! Foste uma estrela a dançar com o céu!



quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Passos Coelho é que é inconstitucional!

Desde quando é que ter um tecto, comida na mesa, serviços de saúde que funcionem, escolas que eduquem é inconstitucional?
Inconstitucional é não exigir aquilo a que temos direito!
Somos pessoas! Somos pessoas que querem trabalhar e viver com dignidade!
Eu não ando aqui a educar uma criança baseada em conceitos de paz, justiça, solidariedade e igualdade de oportunidades para vir este palhaço tentar trocar-me as voltas!
Este gajo é um daqueles casos clássicos de menino nascido em berço de ouro que nunca teve que trabalhar na vida e frases como "fome" e o "dinheiro não chega ao final do mês" não fazem parte do vocabulário dele.
Por mim tudo preso, ele, os boys dele, a mãezinha dele (que devia ter vergonha por ter criado uma amiba em vez de um ser humano), mais o gato por não o ter arranhado todo, mais as tias e os primos e o raio que os parta!!!
Até quando, meus amigos e amigas vão tolerar este atentado??? Até quando???

SAUDADES E INVIDIAE

Poder lutar.
Dar um murro bem dado. Provocar sem piedade e saber que não se vai para casa com um olhar superior no saco, com um sorriso de desdém de quem soube ser «melhor». Ser provocado e não ter de ter um olhar e um sorriso especial para a situação; não estar quase a chegar a casa e lembrar-me, finalmente, do que teria sido perfeito dizer porque há situações para as quais as nossas capacidades linguísticas e cognitivas não são chamadas; não ter de dar uma desculpa - perfeita como esta que seja;


é fechar o punho, sentir a cabeça ficar quente, a ferver, a consciência da irresponsabilidade do acto acompanhado de uma tranquilidade imensa descida sobre nós, das alturas, como um cobertor de papa a cobrir-nos de superioridade física e moral - ilusões doces como gomas de melancia. Não fomos nós, foi o sangue, foi outro, foi o vento, olha ali um elefante, viste aquilo?

Não é um tabefe, um puxão de cabelos, um pontapé nas canelas, um empurrão. É um murro. Dá-lo e ficar à espera do troco. As sinapses todas a gritar BRING IT ON, BITCH! na arena do meu córtex pré-frontal. Até que alguém nos separe. (Por favor, alguém nos separe!)

No entanto, por razões técnico-biológicas, não sei o que é dar um murro valente e ficar de pé nos 5 segundos seguintes para contar como foi. Nunca ninguém do meu tamanho se meteu comigo e nunca me meti com ninguém do meu tamanho. Sempre gostei de pensar em grande, muito grande. Dimensões mastodônticas, de preferência.

Não é violência - isso é coisa de cobardes.
E o Camilo que trago no ventrículo esquerdo diz-me que nunca este punho se ergueu que não fosse em defesa de um honra qualquer - a minha, a da amiga, a da mãe, a do direito e ter o peso e a cara que me calharam em sorte.

Descubro-me, às vezes, nas saudades das coisas mais estranhas.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

As birras

não me assustam. Muito pelo contrário! Adoro uma boa birra! Adoro ver os miúdos a reagir e a lidar com as frustações. Ontem foi dia de birra! A gaiata estava esfomeada, mal humorada e sem a chuchamigo... Foi vê-la chorar, espernear, abraçar-se a mim (com mais força, dizia eu!) e ver as pessoas a reagir. É que o que é engraçado no meio disto é que os adultos não sabem lidar com as birras. Veio a senhora x e mete-se com ela "então, laurinha, que tens tu? porque choras? estás zangada?", e a piolha mais chorava e mais me apertava. Depois vem o y "Ai que vergonha, está tudo a olhar para ti no restaurante" - e aí meti-me eu "E então? Há algum problema? Se querem olhar, que olhem! Desde quando é que chorar é motivo para ter vergonha???". Senhores e senhoras, meninos e meninas, eu sou a Vera e esta é a Laura a fazer uma birra. Muito prazer, agora podem voltar a olhar para os vossos pratos, que não tarda começo a cobrar bilhetes para o espectáculo (esta parte não disse, mas pensei!!!! - assustei-vos, não foi???!!). Colher de sopa goela abaixo e a dona birra vai pregar para outra freguesia, prometendo voltar assim que tiver oportunidade e eu tenho de volta a criança sorridente e que fala alto como tudo! Não a queriam ouvir chorar, agora ouvem o que ela tem para dizer (e não é pouco!!!). Há sempre tema de conversa com esta minha filha, é impressionante! Da salada, salta para o grilo, do grilo para a nancy, da nancy para o cats e por aí fora...
Só há um tipo de birras para o qual não tenho a mínima paciência: sono! Tem sono, dorme! (Se bem que até eu tenho birrinhas de sono de vez em quando... se calhar é mesmo por isso que não gosto delas perto de mim... curioso, hã?).
Tentar parar as birras com "cala-te!", com "vais ficar de castigo!", "se parares de chorar dou-te um chucha-chupa" ou "levas um sopapo" revela a inteligência digna de uma minhoca e corre-se o risco de os miúdos cresceram sem a capacidade de lidar com as adversidades que a vida teima em colocar.
Uma pessoa muito especial ensinou-me isto - as birras mandam-se embora com mimo - e eu acredito nisto com todas as minhas forças, com a maior das convicções!
Por isso, quando elas aparecem eu agarro-as e trato delas com beijinhos repenicados, com abraços apertados, com festinhas mimentas, com esfreganços nas costas, com enrolanços de madeixas de cabelo e com "amo-te no matter what, forever and ever".