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terça-feira, 6 de maio de 2014

Sem roooodinhas!!!

Bem sei que tenho um temperamento difícil e implico com as coisas mais parvas... uma das minhas irritações são as ciclovias.

Primeiro, porque o meu desporto favorito é arrastar-me até à esplanada mais próxima e beber um café, enquanto fumo um cigarro.
Segundo, porque as ciclovias invadiram as ruas e os jardins, de tal maneira desgovernada que é raro o dia em que eu ou as cadelas não temos que nos desviar em saltos (quase mortais) para não sermos atropeladas.
Terceiro, implico com aqueles capacetes manhosos que me fazem lembrar um pelicano poisado em cima da cabeça de alguém.
Quarto, não é tão mais fixe andar de bicicleta no campo que na cidade, a levar com os tubos de escape dos carros?

Entretanto, no fim de semana passado, o R. decidiu tirar as rodinhas à bicicleta da Laura. E lá fomos nós, ciclovia fora. A miúda espalhava-se, chorava, levava um beijinho, levantava-se, caía outra vez, chorava mais um bocadinho, levava mais uns miminhos e foi assim durante laaargos minutos. Até que de repente pedalou umas quantas vezes antes de cair. Era vê-la no chão, com o choro a meio, a bicicleta em cima dela e nós aos gritos yeahhhh boaaaa vivaaaaa!

Isto tudo para vir aqui engolir tudo o que disse sobre os utilizadores das ciclovias. É que no meio desta iniciação à bicla sem rodinhas, foram vários os incentivos dados à nossa filha por autênticos desconhecidos (os tais com o pelicano na cabeça, mais os que só estavam sentados no banco de jardim a apanhar sol) - Vai, tu consegues!! Força!! Ai, é tão gira esta fase! - e perdi a conta à quantidade de gente que estremecia e que iam na direcção dela com os braços estendidos cada vez que ela caía.

Por isso, resta-me resumir, que há pessoas sensíveis, solidárias e fofinhas nas ciclovias.

De resto, só nos falta afinar os comandos. Enquanto eu grito "TRAAAAAAVAAAAAAAAAAA", o pai grita "PEDALAAAAAAAAA, NÃO PÁRES!!!". E tenho que inventar outra irritaçãozinha de estimação que esta deixou de ter argumentos...


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Aos seis anos e meio

- É fã dos The Beatles, The Quartet of Woah!, Queen, Pink Floyd, Nirvana, Eddie Vedder, David Bowie, Band of Skulls e Elis Regina.
- Chorou a ver o Little Stuart e um filme de natal em que transformavam um cão em pedra.
- Não compreende como é que as praxes integram alguém. Desde quando é que humilhar, dar ordens e sujar alguém é ser amigo. Já deixou bastante claro que se alguém a tentar pintar, espeta-lhe a caneta pelo nariz acima.
- É do quadro de honra da leitura (merda para os quadros de honra!!!!) - but of course i'm proud.
- Acha esquisito que no livro de estudo do meio existam todo o tipo de famílias, excepto dois pais ou duas mães.
- Gosta de se enfiar a meio da noite na nossa cama. Dormimos mal que a miúda está enorme e ginastica a noite toda, mas sabe bem como tudo.
- Deixou o ballet clássico e passou para o contemporâneo. Tem um professor só para ela. O melhor professor do mundo e nunca a vi tão feliz e tão aplicada.
- Adora dançar, cantar, tocar órgão, bateria e harmonica e pintar grandes telas.
- Ouve música nas portas a bater e na chuva a cair.
- Adora animais. Adora que a Essi durma com ela nas noites frias.
- Ficou de boca aberta quando a levei ao Mosteiros dos Jerónimos. Quando vê arco-íris fica com essa mesma expressão: "Como é que isto é possível??!!".
- Não gosta de fazer os trabalhos de casa. Trá-los praticamente todos os dias e fá-los. Mas com a mão a segurar a cabeça.
- Recusa-se a ir a circos com animais.
- Está a aprender a fazer tricot.
- Na escola conhece toda a gente. Gosta de toda a gente e toda a gente gosta dela.
- É altamente generosa. Leal. Sincera. Carinhosa.
- Fica sentida quando gritam com ela.
- Pergunta-me várias vezes se o Passos Coelho e os seus amigos já se foram embora, para ter um mano.
- A maior alegria seria ter um mano.
- Continua a gostar de saltar nas poças da chuva e nas folhas secas. Pára na rua e fecha os olhos para sentir o sol na cara, nos dias de inverno.
- Adora apanhar conchas.
- Detesta não saber saltar à corda, mas também não tenta aprender.
- Adora que lhe contemos histórias de quando era bebé.
- Continua a não gostar de sopa e pede-me com jeitinho para lha dar à boca nos dias em que está mais cansada.
- Tem uma letra maravilhosa.
- A matemática fascina-a.
- Adora futebol. É do Porto porque gosta de azul.
- Quando está preocupada com alguma coisa, pede ao pai que lhe cante o Summertime.
- Não gosta de ser fotografada e tenho que a fotografar sem que ela repare.
- Gosta de fingir que sabe inglês. E francês.
- Ri-se quando eu e o pai nos beijamos. Ri-se muito e abraça-nos as pernas.
- Sabe falar com as árvores. E com todos os animais. Acha que os pombos a perseguem porque ela os compreende.
- Não toca em leite. Só com chocolate. Não aprecia bolos. Nem sumos. Mas faz cara séria, quando o pai a deixa dar um golo no copo de coca-cola. Sente-se mais crescida.
- Acredita na fada dos dentes e no pai natal.
- Detesta acordar cedo.
- Tem orgulho em ser a única criança a ter a árvore de natal montada na sala. Em Fevereiro.
- É pedinchona e teimosa como tudo.. A maior drama queen com que já me cruzei.
- Nunca se cala. Nunca!
- É maravilhoso ser mãe dela.


...
One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky

But until that morning
There's a'nothing can harm you
With your daddy and mammy standing by

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Deixam-me a almoçar sozinha e depois dá nisto

- Porque é que quem não tem dentes tem tantas nozes?
- Porque é que temos direito a mais dias quando nos casamos do que quando nos morre alguém? E se for um dos animais de estimação não temos direito a dia nenhum?
- Porque é que nunca me lembro do nome das bandas novas que gosto e depois é um 31 para as descobrir no youtube?
- Porque é que o preço das azevias é tão insultuoso?

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Autch!

- a Magali teve outro ataque epiléptico e é sempre horrível assistir a uma coisa destas. Doeu-me de tal maneira que chorei.

- bati com o dedo pequenino do pé na esquina do carrinho de chá que está no corredor e quando ainda estava a recuperar o fôlego, bati com o cotovelo na parede. Doeu-me tanto que deixei de respirar.

- a minha filha viu um gato morto e fez a cara mais trágica do mundo quando lhe disse que não o podíamos salvar. Chorou com uma tal tristeza, incompreensão e desespero que fez parar o trânsito nas avenidas novas. Doeu-me de tal maneira que nem tenho palavras.

- a hortelã e o manjericão não gostaram da onda de calor e secaram. Ainda não tive coragem para me desfazer dos ramos secos.

- fui ao dentista sem me doer nada e saí de lá cheia de dores. De tal maneira que andei a sopas e a iogurtes líquidos.

- O H. arranjou um banjo e os músicos do 1º andar (minha casa incluída) andam doidos com aquilo... aquele som entra-me pelos ouvidos como se me espetassem agulhas e tenho a sensação de que a minha cabeça vai explodir a qualquer momento. Quando me dói tomo um benuron.

- A minha mãe fez anos e não lhe dei flores. Vai-me doer sempre.

- Disse à Laura: filha, preciso de falar contigo sobre os teus anos. Ela interrompe-me: "Mãe, eu percebo, a sério. Não precisas de me dar uma prenda, mas posso ter cá os amigos para brincar?". Doeu-me de tal maneira que acho que morri um bocado. Porque queria vê-la com os olhos de bambi, com as palmas daquelas mãozinhas de boneca juntas, a pedir "gostava tanto, mas tanto, de ter. Posso mãe, posso? Por favor, vá lá, vá lá, por favor", com um sorriso meiguinho que me põe zonza de tão fofo que é. Só lhe queria falar sobre o bolo e sobre as brincadeiras.Porque é óbvio que vai ter as prendas que nós lhe podermos dar. Achava eu que a protegia da realidade miserável que vivemos neste mundo por não vermos televisão, por nunca lhe faltar nada. Mas ela tem olhos e ouvidos. Só não queria que ela deixasse de sonhar. Para a próxima prefiro uma bela birra de menina insolente, em vez desta chapada de menina crescida e consciente.

- Ainda não estou de férias.



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sobre as 40 horas semanais

Laura... Sabes aqueles dias magníficos em que o papá te vai buscar mais cedo à escola? Aqueles dias em que podes ir andar de baloiço ou ir passear ao jardim? Aqueles dias que parecem maiores porque em vez de 9 horas passadas na escola, passas apenas 8 e isso faz toda a diferença?
Pois bem, alguém achou que nem tu, nem o teu pai, nem eu merecemos isso. 
Alguém achou que trabalhamos poucas horas, que produzimos pouco (seja lá o que isso signifique) e que devemos trabalhar mais 1 hora.

Apesar de não ser funcionária pública, a minha filha vai ter que trabalhar mais 1 hora por dia, 5 dias por semana. Nem 6 anos tem.
As minhas cadelas vão passar a esvaziar a bexiga 1 hora mais tarde.
E eu estou passada dos carretos com esta medida! Já não aguento o "discurso do empreendedor" que temos que produzir mais, que temos que trabalhar mais horas e o que os funcionários públicos passam o dia a coçar a micose e deviam trabalhar as mesmas horas que os do privado. É um discurso idiota, invejoso e mesquinho.
Enquanto andarmos ocupados a apontar o dedo a direitos fundamentais dos trabalhadores, conquistados com enorme esforço, em vez de lutarmos para termos a vida e a dignidade que merecemos não vamos a lado nenhum. E que tal os do privado trabalharem 35 horas semanais, em vez das 40?

Parece que agora só não é crime querermos trabalhar até morrer. 
Tempo para passear, descansar, namorar, foder, ler um livro, ir ao cinema, ver as vistas, ouvir música, contar as estrelas? Está tudo maluco? Qualquer dia querem viver, não? Nã nã! Trabalhar é que é bom! Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Acabem-se os feriados, as horas extraordinárias pagas como deve ser, os subsídios de natal e de férias e com as baixas. Férias. Que acabem com as férias também! E com as famílias! Que se comece a viver no local de trabalho. A dormir lá. Os nossos miúdos já passam tanto tempo na escola, dá-se-lhes um saco-cama e eles ficam na boa a viver na sala de aula. Com alguma sorte, ainda nos dão o Domingo para matarmos saudades. Ou não. Fechem-se as portas das galerias do povo, para que as leis possam ser aprovadas à porta fechada. Escravos, submissos, endividados com dívidas que não contraímos, completamente vazios de acção, resignados. É assim que nos querem.

São mais 5 horas de trabalho por semana, pagos a custo zero, são 260 horas num ano que a minha filha vai passar na escola. Em vez de regar as nossas plantas, levar as nossas cadelas a passear ou ler um livro aninhada nos braços de quem mais ama.


Já a minha avozinha dizia que "quem não deve, não teme". Não podemos continuar a ser (des)governados por quem tem medo de nós!
Para a próxima que não sejam os inocentes a abandonar o parlamento!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A segunda-feira num fôlego só

Inspira

despertador toca, só mais cinco minutos, dez, gaita que já passa da hora, comida nos pratos das cadelas, Essi deixa lá o vizinho estar à janela, criança acorda chorosa, dormiu mal, tem dores de ouvidos, mimo e mais mimo, ver a febre, lágrimas, mais colinho, fica aqui que eu tenho que tomar banho, banho expresso, mais mimo, bruffen, sms a avisar que não posso ir trabalhar, mais lágrimas porque quer ir para a escola, não há febre, outro sms a dizer que estou atrasada mas vou trabalhar, colo até meio caminho, já não sinto os braços, entrega criança, mais mimo e mais mimo, coração apertadinho, correria até ao autocarro, 25 minutos à espera dele, música, correria até ao trabalho, stress, streaming, contente com a adesão à greve dos professores, horrorizada com os acontecimentos na Turquia e no Brasil, stress, telefones a tocar, stress, emails que não páram de chegar, sair do trabalho a correr, apanhar autocarro, música, acelera pá, estava amarelo anda lá com isso, correr para a escola, apanhar criança deitadinha numa caminha, brincou o dia todo e agora murchou, tem febre, colinho até casa, já não sentia os braços desde manhã por isso não custou nada, mais mimo, esfregar a barriga à Magali, atirar o brinquedo para a Essi ir buscar, gato do demónio ataca Essi, gato do demónio não tarda leva um pontapé no rabiosque, não, hoje não aturo gente estúpida, tenham paciência, dar sopa à boca da doentinha, mais mimo, bruffen, história de embalar, mais miminhos, sonhos cor de arco íris, dar jantar às cadelas, apanhar duas máquinas de roupa que está a chover e

E-x-p-i-r-a.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

10 anos de Magali

É pegar numa foca, numa lontra, num panda, numa lebre e no dartacão, misturar tudo e temos a Magali.

A cadela mais fofinha, mais meiguinha, mais mal cheirosa do universo.

Muitos, muitos parabéns, Migalhinha!
Que continues com a brincar com tudo o que mexe, que continues a roubar as sardinhas ao gato do vizinho, que continues a chorar para o queijo fresco, a tocar piano no fogão da cozinha, a roubar manteiga, a ladrar a quem toca à campainha, a pedir colinho, a dormir na cama da Laura por muitos e muitos anos. Por infinitos anos. Que os nossos coraçõezinhos não aguentam ficar sem ti!





domingo, 14 de abril de 2013

Não se consegue ler em ciclovias


A minha piolha pediu-me para a levar a andar de bicicleta. Como gostamos muito de ler, pus dois livros - um para cada uma - debaixo do braço e siga!
Resultado: gente, demasiada gente, putos malcriados, mães, pais e avós aos gritos, bebés e cães de todos os tamanhos e feitios a atravessarem-se na ciclovia à maluca! Estava tudo possuído! Cada vez que arranjava um lugarito sossegado e fazia um cigarro para começar a leitura, vinham não sei quantos marmanjos e sentavam-se ao meu lado. Perdi a conta às vezes que mudei de lugar. E às vezes que tive que perseguir a Laura para que não atropelasse ninguém com a sua bicicleta. Bicicleta esta que a data altura (não sei como) se virou por completo, parecia que ia subir aos céus, e a miúda fez um mortal. Raspou o rabiosque, a mão e uma perna. Nem uma lágrima. Olhou para mim como que a tentar perceber o que lhe tinha acontecido, levantei-a do chão, sacudi-lhe a roupa, dei-lhe um beijinho e acabámos por vir para casa comer gelados e apanhar os últimos raios de sol no quintal maravilha.
De repente apareceu um gato todo assanhado a perseguir a Magali. Eu gritei-lhe, o gajo bufou-me e veio na minha direcção. Ora, o que tinha eu mais perto de mim? A abençoada bicicleta. Dei-lhe um pontapé, ela voou na direcção do gato do demónio que apanhou alto susto e fugiu para o quintal do lado.
Fim.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Parabéns Essi!!!!!!!!!!!!!



O mundo perfeito para ti seria um mundo com salsichas a todas as refeições. Seria um mundo em que os cães não têm nós no pêlo. Seria um mundo sem chuva e muito menos trovoada. Seria um mundo sem vizinhos de cima que arrastam móveis e te acordam do teu sono de beleza. Seria um mundo cheio de ossinhos para roer, buracos na terra para cavar e gatos - que não te ataquem - para expulsar do quintal.

Muitos, muitos parabéns, minha preta linda! Que contes muitos mais, com muita saúde e alguma (não muita, please) traquinice.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sou só eu que me levanto a meio da noite

para ir à casa de banho, feita zoombie, noite após noite, sinto qualquer coisa debaixo do meu pé, executo um flic flac para a frente em perfeito equilibrio, não vá esmigalhar a pata a uma das cadelas.

Mas não, afinal não. Era só um osso que a Essi desenterrou no quintal e deixou no meio do corredor. Ou o seu peluche preferido que chia sempre que é apertado!

Depois queixo-me que acordo com dores no corpo todo...


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

I promise III


O último bicho da minha promessa: a Magali
A Magali chamava-se Lucy (de Lucy in the sky with diamonds), mas como a sonoridade era similar ao nome da sua mãe Essi, tivémos que mudar. É que chamávamos uma e vinham as duas. Mandávamos sentar uma e sentavam-se as duas. Ok, às vezes dava jeito. Mas na maioria das vezes só criava confusão!
A Magali nasceu em berço de ouro. No meu quarto. Era uma dos seis cachorros que a Essi teve com o Bob - fruto de uma distracção nossa (a cadela tinha tido o cio há uns 3 meses - nunca imaginámos que acontecesse o que aconteceu).
A Magali era a mistura perfeita do pai e da mãe. Como tinha uma hérnia umbilical e era a mais atrasada de todos os irmãos (os outros corriam para a comida e ela arrastava-se; enquanto os outros cinco faziam trinta por uma linha, a Magali dormia refastelada), decidimos ficar com ela.
É um mimo de bicho. Adora tudo o que mexe: gatos, cães, porquinhos da índia, borboletas, crianças, tudo, tudo, tudo. É incapaz de fazer mal a uma mosca.
Obteve o COB (certificado de obediência básica) aos saltinhos, feliz e contente - confesso que assisti a várias provas, mas nunca tinha assistido a um canito que em vez de correr, saltita de alegria. Pediram-ma "emprestada" algumas vezes, para ela brincar com cães traumatizados - lembro-me de uma cadela branca, enorme, linda, toda encolhida. Tinha sido encontrada à beira da morte, toda desfeita, sobreviveu não se sabe como. Pensa-se que tenha sido utilizada para atiçar os cães de luta. Uma tristeza. E a cadela andava sempre cabisbaixa, com a cauda toda encolhida, um olhar triste. A Magali foi brincar com ela. Primeiro resistiu ao desafio da Magali. Depois correu que nem uma doida, com caudinha no ar. A Magali tem este efeito sobre o mundo! Acho que é por não conhecer a maldade. Nunca lhe fizeram mal, ao contrário do que fizeram à Essi.
Adora tomar banho, ser penteada, que conversem com ela. Dá beijinhos na veterinária, mesmo depois das picas.
Um dia, estávamos no Guincho a apanhar sol e a Magali começou a ladrar para o ar, ao mesmo tempo que olhava para mim e ia recuando. Levantei-me para ver se ela parava com o barulho e de repente, cai-me uma gaivota (giganteeeeeeeeeee) na toalha. Ou seja, a Magali salvou-me de levar com uma gaivota na tola!
No dias de mais calor, enfia-se dentro do prato da água (a sério!) e inunda-me a cozinha toda. É gulosa à brava - quando a Laura estava a aprender a comer sozinha, o lugar preferido da Magali, era debaixo da cadeira dela - a comida nunca chegava ao chão!
Após o Natal de 2011, a Magali adoeceu. Começou com convulsões e eu apanhei um dos maiores sustos da minha vida. Já está diagnosticado - epilepsia - e a medicação tem controlado as crises.
Adora imitar a Essi nas refilices aos vizinhos, mas como é um bocado tótó (e saltitona demais) ou chega atrasada ou ladra precisamente para o lado contrário do apocalipse.
Tem um medo terrível de aspiradores (não me perguntem porquê, o Bonb adorava ser aspirado) e passa a vida a pedir colo, como se fosse um bebé.
A Magali posso perfeitamente levar à casa da minha mãe. Ela adora andar de carro e tristezas não fazem parte da vida dela.
Quando a Laura nasceu, a Magali dormia por baixo do berço. Guardava todas as sestas, todos os soninhos da noite.
Quando a Laura teve varicela, a Magali só saía da guarda para ir à rua ou para ir comer.
É o desenho animado cá da casa.
Tem um bafo horroroso, mas quem é que resiste aos beijinhos mimocas desta bicha? Ninguém, vos garanto!
E são estas coisas lindas de 4 patas que jurei proteger, cuidar, mimar e nunca separar. À minha mãe. Que era a melhor dona do mundo.







terça-feira, 22 de janeiro de 2013

I promise II


A Essi foi apanhada quase com 4 meses, numa carpintaria. Trataram-na mal a ela e aos outros 2 irmãos. Ficámos com ela e conseguimos encontrar donos para os outros cachorros.
Nunca tinha visto a luz do dia e tinha um medo de morte de sair de casa sem ser já noitinha. Tinha os ouvidos cheios de serradura e estava cheia de pulgas. Não sabia beber água. Nem brincar - imaginem, ter que ensinar um cachorro a brincar. Qualquer movimento mais brusco, qualquer palavra mais alta e ela encolhia-se.
A Essi é filha de um border collie e de uma rafeirita, minorca, esquisita, desdentada, que era tão doce, tão meiguinha que lhe chamámos Bombom e que morreu pouco tempo depois de ter os bebés.
Levámo-la a uma escola de cães (por acaso, acho que é mais uma escola para os donos), para ajudar a bicharoca a perder o medo de tudo e de todos. As primeiras semanas foram difíceis como tudo. A Essi não queria estar ali. Só puxava para a porta de saída. Não fazia mais nada. Eu ganhei um músculo fantástico no braço direito de tanto esticanço que levei. Até que um dia, sem nada o prever, esticou a cauda para fora e sentou-se a olhar para mim. E eu disse-lhe "Essi, junto!". E ela caminhou ao meu lado. E passou a obedecer a tudo o que eu lhe pedia. Fora dos treinos, era mais complicado. Tinha medo de todos os cães, excepto do Bob, de quem se tornou muito cúmplice.
Agora a Essi tem 10 anos. Nunca teve doente. Só uma vez é que andou com uma pata ligada porque andou a imitar as cabras montesas na serra de Sintra e uma das acrobacias correu-lhe menos bem.
Já não se encolhe de cada vez que mexo na esfregona, adora ladrar aos vizinhos que teimam em pôr-se à janela e até houve uma vez que nos roubou o jantar da mesa da cozinha. Continua sem saber relacionar-se com outros cães, excepto dentro de casa. Ladra quando alguém chega e se não gosta das pessoas (especialmente vendedores), deixa-os entrar e quando eles tentam sair, ela arreganha os dentes todos e não os deixa passar da porta. É desconfiada e assustadiça, mas defende com unhas e dentes as "pessoas dela". Quando a Laura nasceu, só entrava no quarto quem ela conhecia.
Sai ao pai, quando nos tenta abocanhar as canelas, como se fosse para nos arrumar. O Bob foi o que mais sofreu com as "arrumações", logo ele que detestava que lhe tocassem nas patas.
Ainda gane de maneira aflitiva se alguém lhe toca no cachaço com um bocadinho a mais de pressão, mas é a única cadela que eu conheço que dá abraços tão apertados, tão sentidos, como se fosse uma pessoa.
Deixei de a levar a casa da minha mãe, quando vou visitar o N., porque desde que ela faleceu, a Essi entra, cheira tudo e deita-se à porta do que foi em tempos o quarto da minha mãe. E dali não sai até irmos de volta para o carro.

A Essi também faz parte da promessa.


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

I promise!


Tinha uns 13 ou 14 anos e queria muito ter um cão. Mesmo, mesmo muito. Chateei a minha mãe até ao desespero. Consegui convencê-los, com a condição de ser um cão de um canil, porque estava fora de questão pagar para ter um animal, com tantos a precisar de um lar. Ligámos para uns quantos canis, não tinham cachorros para dar e eu queria um cachorro. Um dia tivémos que ir a um centro de cópias, num centro comercial que eu nem sabia que existia. Num corredor escuro existia uma loja de animais. Um cachorro peludinho numa jaula. Awwww vamos só dar-lhe um miminho. Saltou para cima de nós. E nunca mais voltou para a jaula.
Bob Marley era o seu nome. Peludo, fofinho, beijoqueiro, mariquinhas, com um feitio de meter medo ao susto. Tinha que ser penteado todos os dias para não ter nós. Se sem querer lhe puxávamos o pêlo, era mordidela na certa. Se o pisávamos sem querer, pumba, dentada no pé.
Éramos inseparáveis. Toda a gente o conhecia. Entrava em todo o lado: nos cafés, supermercados, farmácias e às vezes ia comigo para a escola. Se não lhe puxassem o pêlo era a doçura em forma de cão.
E se os senhores das portagens não estendessem a mão para o carro - disso ele também não gostava e ladrava e rosnava e pregava altos cagaços aos senhores da brisa. Uma vez atacou o carteiro. Uma vez, não! Duas. Primeiro fez-lhe xixi no saco. Fiquei para morrer. Pedi imensas desculpas e fui buscar um pano para limpar. Foi uma trapalhada que nem queiram saber! Da segunda vez, atirou-se-lhe ao saco das cartas e arrancou-lhe uma alça. Desde esse dia o carteiro tocava à campainha e fechava-se no elevador à espera que fossemos assinar os registos...
Quando eu saía à noite e ele ficava sozinho, espalhava o lixo pela casa toda e ainda tinha o requinte de deixar o filtro do café (e o café) bem espalhado à porta do meu (nosso) quarto.
Amuava e virava-me o focinho quando o levava às vacinas. Escondia-se debaixo da cama quando alguém ousava dizer "banho" e ria-se para as fotografias. Na praia não brincava na areia molhada. Não gostava de água, mas era muito asseado. Se via um cócó na rua, desviava-se. Também era muito vaidoso. Tinha orgulho em ser o cão que era. Levantava a pata de tal maneira airosa para fazer xixi que, na maior parte das vezes, caía e batia com o queixo no chão. Se dava um pum, escondia-se atrás dos cortinados, envergonhado. Se o prato da água tivesse um grãozinho de pó a flutuar, sentava-se amuado à espera que alguém a mudasse. Num verão quentíssimo, cortámos-lhe o pêlo. Ia apanhando uma pneumonia e nós apanhámos, para além de um grande susto, um grande raspanete do veterinário, porque cães daqueles não se tosquiam. Precisam do pêlo para se protegerem. Detestava a maior parte dos cães com que se cruzava, mas adorava gatos. Uma vez raspou o "material" todo num muro, porque queria brincar com o gatinho que estava a passar. Durante mais de uma semana tivémos que lhe besuntar os tintins com um creme cor de rosa. E ele adorava. Ria-se quando eu me ria e lambia-me as lágrimas quando eu chorava. Dançava comigo.
Quando a minha mãe foi internada, enviava-lhe fotografias nossas e isso fazia-a rir. Uns dias antes de morrer, estava eu sentada à janela no quarto do hospital e ela chamou-me. Fez -me prometer duas coisas. Uma delas era tratar dos nossos cães para todo o sempre.
No dia em que a minha mãe morreu, adormeci com ele aninhado no meu pescoço. Quando acordei, ele continuava lá. Ao meu lado. Mudámos de casa. Todos. Aos fins de semana íamos passear ao Guincho e à Serra de Sintra. Como sempre o fizémos. O Bob deixou de ser rezingão e passou a ser um dos cães mais afáveis que alguma vez conheci. De cada vez que comprava uma peça de roupa para a Laura ele cheirava-a e abanava o rabo. De repente, ficou doente. Tinha leishmaniose desde os 7 anos e com a medicação estava tudo controlado até ali... Foi num ápice. Deixou de comer, perdeu peso, deixou de brincar. Fui deixá-lo a soro numa manhã e quando voltei à tarde ele já não me reconheceu. Assinei o maldito papel. Não me deixaram agarrar-lhe a pata enquanto ele ia para as estrelinhas. Estava bem grávida e bem transtornada. Comecei com contracções e levei um ralhete do meu médico. Repouso absoluto! Disse-me que "era só um cão".
Não, não era só um cão. Era o Bob. O meu Bob. A minha promessa.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

As raças perigosas

Muitas voltas tenho eu dado a pensar no assunto.
Na semana passada apanhei uma notícia num qualquer jornal online que me chocou. Então uma senhora nega um bocado de pão ao seu animal e ele mata-a???!!! Se fosse um caniche teria sido fatal? Se fosse uma Essi ou uma Magali ou um Woddy? Não!
Há lutas de cães com chiwawas? Não!
Há crianças a morrerem com dentadas de labradores? Não!
Sempre ouvi dizer que tem medo compra um cão... e quem compra estes cães deve ser responsabilizado até às últimas consequências, porque realmente há diferenças entre ter um peixinho cor-de-laranja e um tubarão; entre ter um gato e um leão. Há animais que não são de estimação. Há animais que não são de companhia nem são para termos em casa.
Um animal é suposto ser nosso companheiro, faz parte da família; não é para ser objecto de show off, nem símbolo de  poder e não deve servir para meter medo a ninguém. Até pode assustar para guardar a casa, mas não mata ninguém.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ouvi dizer que estava de férias

E passo os dias ao sol, a ver o céu azul e as andorinhas. As cadelas estão felizes. A Essi já arranjou um namorado e gosta de dormir debaixo das figueiras. A Magali gosta de brincar com as crianças às mangueiradas. Há as birras da sopa e o vento que sopra demasiado forte à tarde, mas há as gargalhadas de meninos felizes, que brincam ao ar livre e nadam até à lua. Há conchinhas brilhantes nos bolsos dos meus calções e areia nos meus pés. Há mergulhos de sereias e gafanhotos à porta dos quartos. Há legumes descascados ao ar livre e boa companhia. Há beijinhos e miminhos a todas as horas do dia. Há telefonemas para matar as saudades de quem ficou no lufa-lufa da cidade. Há um céu que se perde de vista com tantas estrelas para contar e constelações para descobrir. Dizem que estou de férias. Eu cá sinto exactamente o mesmo que no resto dos dias, mas sem transportes públicos e sem o tic-tac a correr atrás de mim. Estou feliz. Sou feliz.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vamos ajudar estes cãezinhos que se perderam de casa por causa dos incêndios!!!


quarta-feira, 18 de julho de 2012

“The greatness of a nation and its moral progress can be judged by the way its animals are treated”

Dizia o Gandhi, digo eu e devíamos dizer todos nós.
Um dia a Laura chegou horrorizada a casa porque na escola havia uns meninos maus que o divertimento que arranjaram foi esmagar caracóis. Expliquei-lhe que há meninos que têm que ser ensinados a ser gente e que com certeza eles não gostariam que algum gigante de bibe e chapéu vermelho se chegasse ao pé, os tirasse do escorrega e os esmagasse com os pés.
Ela deve ter-lhes explicado porque não voltou a acontecer.
Os animais são ser parte da família. Devem ser respeitados, amados e estimados. Devem ser felizes e protegidos por nós. Sejam cães, gatos, minhocas, peixes, ratos, coelhos ou bichinhos da seda.
Nunca cá em casa foi admitido puxões de pêlo, incomodá-las enquanto dormem ou pontapés. Nem cá em casa nem em nenhuma situação nessas casas e ruas espalhadas pelo mundo fora que eu presenciasse.
Curiosamente, neste ninho, nunca foi admitido, nem nunca foi tentado! Elas amam-se! Desde sempre. E para sempre.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cão que é cão

é o nosso melhor amigo.

Magali que é Magali é a nossa melhor amiga. Magali que é Magali é meio foca, meio toupeira, meio dartacão.
Olho para anos passados e ela esteve sempre connosco. Hoje foi ao médico e trouxe medicação. Não vale a pena fazer mais exames, os donos é que sofrem com as más notícias. Provavelmente é um tumor. Provavelmente vai reduzir-lhe o tempo de vida... ouvi isto tudo e senti que ouvi uma sentença de morte. Amanhã sei será diferente. Comprimido goela abaixo para continuares as traquinices anos a fio.
Porque fazes parte da nossa família. Nasceste no quarto onde eu cresci. Arrastavas-te enquanto os teus irmãos já corriam. Não te conseguimos resistir. Eras a mistura perfeita Essi-Bob. És.
Foste a única cadela que alguma vez conheci a obter o COB (certificado de obediência básica) aos saltinhos. Foste a única que se atreveu a disputar a minha barriga com a Laura (ora empurravas tu, ora empurrava ela) - não devias saber que há lugar para todos. És a cadela mais brincalhona, mais meiga, mais doce que eu conheço. Eras tu quem dormia debaixo do berço, desde o dia em que trouxémos a Laura da maternidade. És tu quem brinca com ela às comidinhas, a cheirar os pratinhos todos, na esperança de encontrar um biscoito perdido, enquanto a Essi vos guarda, não vá aparecer um bicho mau. E aos penteados. E ao "não puxes a trela, Magali! Oh mãe, olha ela!!" Adoro-te. Por isso deixa-te lá de doenças esquisitas e vem brincar!