quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Laura vegetariana

Pergunta-me ela, olhando de esguelha para o prato:
- Oh mãe, o frango é peixe?
Limitei-me a dizer que não, já com medo do que vinha por aí.
- Não???!! Então é o quê?
- Bem... hum... é carne...
- Oh mãe, carne? Estás a dizer-me que o frango é um bicho???!!!
- Pois... é isso...
Responde-me ela com o ar mais desconfiado do mundo:
- Mas diz-me lá conheces algum bicho chamado frango? A sério! Diz lá!
- Pois, chamado frango realmente não conheço.
- Então pronto.
- Então pronto.

Uffa!!!! Ainda bem que só conheço Essis, Magalis, Pigs, Plumas, Molys, Snoopys, Pantufas, Minús e nenhum se chama frango!!!



Coisas que sei que não devia fazer


mas faço na mesma...

- Fumar - sempre que tenho que correr para apanhar o autocarro ou quando se aproxima um check-up qualquer médico, lembro-me disto;

- Perguntar ao segurança do Lidl se me quer carregar as compras, já que não pára de me seguir - o senhor está a cumprir ordens e não tem culpa de ter um trabalho que o faz andar a perseguir quem vai comprar o jantar;

- Aceitar a sugestão da Laura e saltar em cima de folhas caídas das árvores, sem antes verificar o terreno - calham-se sempre a mim, que nem galochas tenho, o raio das poças de água fria e suja de terra;

- Desligar o despertador e deixar-me ficar só mais cinco minutos - não aprendo! e depois é uma correria de manhã;

- Vestir collants no inverno, só para não dizerem que ando sempre de calças de ganga - passo o dia a coçar-me e a puxar o raio dos collants para cima;

- Não levar chapéu de chuva, mesmo quando sei que vai chover - tenho a mania que nunca me molho, o que é um autêntico mito;

- Pentear as bonecas da Laura com a minha própria escova - depois ando cheia de cabelos loiros e tão brilhantes que ofuscam qualquer pessoa, presos ao meu cabelo;

- Ignorar as polaroids que se vão descolando e caíndo no chão, só porque tenho preguiça de me baixar - qualquer dia o R. faz o mesmo e passamos a ter soalho de fotografias, em vez de madeiras;

- Negar-me a pagar para ter televisão em casa - tenho saudades de vegetar no sofá a ver séries estúpidas;

- Lavar o cabelo todos os dias - qualquer dia fico careca;

- Deixar de tocar trombone quando espirro - a Essi fica com medo de mim;

- Atirar tudo o que é papelada para dentro da mala - quero tirar o passe e sai-me a conta da electricidade;

- Comer bitoques em frente à Magali - a cadela um dia destes passa-se e ataca-me;

- Achar que as pessoas sentem que estou perto só porque penso nelas - outro mito: a telepatia;

- Stressar-me com a falta de tempo - o tempo não pára lá porque eu ando tipo barata-tonta a correr de um lado para o outro.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

1º dia de escola

E um sorriso do tamanho do mundo. Meu e dela. Também fui trabalhar de sorriso nos lábios, peito cheio de mãe orgulhosa. E cheia de saudades daquele cheiro a moranguinho silvestre e daqueles abraços que provocam meteoritos no espaço!


Nós em viagem

no nosso ninhomóvel e começa a choviscar.
- Oh pai, liga essa coisa!
- Que coisa?
- O pára-balizas!
Nós - hahahahahhahahah!!!!!!!!!!

sábado, 22 de setembro de 2012

Será que sou uma tagarela?

Ou terei sangue de papagaio? É que nem os posts todos juntos das outras lolitas me ganham... Ou bato um record qualquer do guiness porque palro comó caraças ou as restantes lolitas que se ponham a dar aos dedos!

É que nem a desculpa da falta de temas pode ser para aqui chamado, que @s noss@s leitor@s são uns/umas querid@s e dão sempre uma ajudinha!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Hoje perdi uma pessoa muito especial

Perdi a minha avó emprestada. Mãe do meu pai emprestado. Uma das pessoas do meu coração. Da família do coração. Estava tudo pensado para apanhar ir visitá-la amanhã com a Laura. Tudo programado. Recebi a notícia e fiquei feita barata-tonta. Toma as chaves do carro, ai não quero, afinal quero, pensando melhor não quero, vou para onde mesmo, fazer o quê mesmo, dizer o quê, tenho lenços suficientes na mala, a camisola não está passada a ferro não posso ir assim...
Ficaram coisas por dizer. Miminhos por dar. Sorrisos por trocar. Os "já tinha 90 anos" que tanto ouvi hoje em nada me tiram a tristeza. Não me secam as lágrimas. Nem me tiram este nó da garganta.
Ficam as saudades. Fica a lembrança de um arroz de pato a fingir que a Laura cozinhava nos pequenos pratos de prata e obrigava a S. a comer. As tendas feitas de lençóis 100% algodão. Os primeiros passinhos naquela sala gigante. Ficam na memória as noitadas de king e o esparregado para me saciar, grávida da Laura. Fica a quadratura do círculo e os elogios ao meu crochet. As histórias sobre Paris e Versailles nunca mais serão as mesmas. Nem a mousse de chocolate terá o mesmo sabor.
Fica o sentimento de perda e o sentimento do que quis dizer e não disse.
Porque dói. Quando se ama, dói. Sejam noventa anos, cem ou mil.
Ainda ali fiquei umas boas horas a observá-la, na esperança de algum sopro lhe sair pela boca. Podia ser uma partidinha, só. Como acontece nos filmes. Nunca tinha ficado assim tanto tempo. Primeiro, passei timidamente e olhei de esguelha. Depois ganhei coragem e olhei. Vi e tornei a olhar. E ali fiquei, como que hipnotizada, em silêncio, a desejar que ninguém me dirigisse a palavra.
Fica a angústia de acordar a meio da noite e não estar lá ninguém.
Nunca tive jeito para perder pessoas. E acho que é um jeito que nunca vou conseguir aprender...


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Fronteiras (obrigada oh sandrinha!!)

Há vários tipos de fronteiras. Há as fronteiras geográficas e eu sou péssima a geografia. Mas assim mesmo péssima. De tal modo que nunca escolho o azul no trivial. Eu percebo que seja uma maneira de organizar os continentes, países, cidades, juntas... mas eu gosto de me ver como cidadã do mundo. Sem fronteiras.
E adoro jogar trivial. Fico-me é pelo cor de rosa e pelo castanho e faço figas para que não me saia uma pergunta sobre golf ou sobre o mundial de futebol no cor de laranja. Só sei que o o do México que foi em 86 - México 86 lá lá lá lá!
Gosto de jogar twister, mas com a rosa que inventa órgãos até ficar nas posições mais estrambólicas que possam imaginar.
Ainda cheguei a ter as pulgas da cama - devem existir pulgas na cama de gente de todo o mundo - mas a raça das pulgas saltavam do tabuleiro e ninguém as apanhava. Nunca tive foi a operação...
E o jogo dos países. Ai o jogo dos países. Adoro jogar aos países, apesar das linhas que vão ficando cada vez mais tortas, à medida que se vai avançando nas letras. Mas lá está, falta-me sempre algum país ou cidade para gritar "stoooooooop".
Não posso deixar de referir o jogo dos coelhinhos na wii. Eles também passeiam pelos continentes - deve poder contar como uma aula de geografia.
Os jogos de cartas também devem ser jogos do mundo... a sueca, a espadinha, o king, o poker...
E que saudades tenho eu dos matraquilhos! E de noites de jogos!
Jogar jogos é linguagem universal! Sem fronteiras!


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

15 de Setembro! Queremos as nossas vidas!!!


Porque já chega! Porque não posso tolerar mais isto!
Eu quero pagar impostos para ter um sistema de saúde decente, para que a minha filha possa ter uma educação decente, para pagar subsídios de desemprego, RSIs, abonos, reformas, para fomentar a cultura e não para alimentar governos atrás de governos corruptos, autoritários, sem qualquer noção da realidade.
Ninguém come submarinos ao pequeno almoço, mas este governo faz questão de nos comer as refeições todas. Desde quando se gera alguma coisa de bom com taxas de desemprego assustadoras, com a cultura barrada, com uma data de putos mimados a viverem acima das nossas possibilidades e a injectarem o nosso dinheiro na banca? A torturaram quem está doente, ao diminuírem o valor das baixas médicas. A gozarem com os professores e com as nossas crianças, com multas para alunos faltosos e com a miséria que vivemos, distribuindo pequenos almoços pelas cantinas - em vez de dignificarem de uma vez por todas a profissão, em vez de averiguarem a razão das faltas e de darem condições às famílias para que comam em casa, à mesa. A vergonha dos empréstimos para compra de casa. Ora uma pessoa perde a casa porque não a consegue pagar e ainda fica uma vida inteira a pagá-la??? Tirar subsídios a reformados??? Mas esta gente não está boa da cabeça. A quem trabalhou uma vida inteiraaaaa!!!

Quantos sonhos, quantas vidas já vi serem destruídos a troco de uma troika mágica que nos vai salvar. Mas salvar do quê? A quem? Ao povo não é de certeza! Vão salvar quem teve que abandonar tudo e já emigrou? Vão salvar quem já desistiu de ter filhos, porque neste país é quase crime ter filhos! Vão salvar quem investiu tudo nos estudos e acabou no desemprego? Vão salvar os jovens que nem dinheiro para estudar têm? E se ser piegas é viver isto, então eu sou piegas. É que sou mesmo muito piegas! E este governo é sádico e parece uma anedota. Ou um filme de terror.

Não têm vergonha na cara? É que eu tenho vergonha de viver uma vida assim, com medo. Com medo que o dinheiro não chegue (e caraças, nunca chega!!!) ao fim do mês, medo que a L. adoeça e tenha que pedir baixa, medo de ligar o aquecedor no inverno, não vá a conta disparar, medo de lhe prometer uma ida ao jardim zoológico, não vá a nossa cadela precisar de mais algum tratamento. Tenho vergonha não é de ter não ter dinheiro! Tenho vergonha de estar a ser roubada descaradamente! Tenho vergonha de imaginar que alguém elegeu estes animais para nos desgovernar.

Já aqui escrevi e volto a escrever: ou estão comigo ou estão contra mim.
Porque estarem comigo é desejarem (e exigirem) aquilo a que têm direito. Não é ficarem de rabo sentado no sofá nem ir apanhar sol para a praia porque até está calor. Não é atacarem quem recebe o RSI, porque meus caros, obviamente que nenhum país fica na falência por causa disso. Não é tentarem denegrir a imagem de quem se manifesta, como tenho assistido (horrorizada) em redes sociais, como "gente que não quer trabalhar", ou que só "gosta de festarolas", porque quem se manifesta são Pessoas. Como eu e tu. Pessoas! Mais ou menos preguiçosos, mais ou menos piegas, mais ou menos felizes, são Pessoas que estão a ser saqueadas e que estão muito, mesmo muito indignadas!

A vida que prometo à minha filha, todos os sonhos cor de rosa que lhe prometo, não vão ser estes porcos fascistas e oportunistas que lhos vão tirar!
Apesar dos cinco aninhos, ela não é cega. E sabe que tem coleguinhas a passar fome.Faz algum sentido darmos-lhe lições sobre amor, sobre solidariedade, sobre paz, sobre a liberdade para recuarmos décadas e mais décadas de direitos que conquistámos???!!!
E se vocês consentem, caladinhos e contentes com a vossa vidinha de merda, indiferentes ao que se passa à vossa volta, então são também porcos fascistas, que não vêm a miséria que se está a gerar e terei que usar uma expressão da Ângela Crespo "Vão-se foder!!!"!

Que raio de mulher, de mãe, de companheira, de lolita, de amiga, de irmã seria eu se não fosse para a rua dia 15 de Setembro exigir que os (des)governantes que nos tentam tirar tudo de modo selvático, sejam responsabilizados criminalmente.

Para não me alongar mais, só me resta agradecer a quem sai à rua e grita até que a voz lhe doa, para depois continuar a gritar! O meu agradecimento por me fazerem acreditar que o povo unido jamais será vencido. Sei que junt@s conseguiremos uma sociedade justa e equilibrada.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

sobre o 15 de Setembro

dia 15 de Setembro vamos todos para a rua. já não há mais desculpas. é um sábado, ao final do dia. primeira razão para que não haja desculpas de pessoas que não podem / não querem faltar ao trabalho por mais uma greve com sentido supostamente questionável. agora não, agora temos todos de sair à rua. não interessa se somos de esquerda ou de direita. se costumamos ou não costumamos ir a manifestações. aliás nem interessa se votamos neste governo ou se nos dia das eleições não fomos votar. apesar de apelar sempre e incondicionalmente ao voto, mesmo que não votemos em ninguém, acredito que a abstenção é também um sinal de descontentamento. que não leva a lado nenhum, é certo, mas uma marca de desânimo.

a diferença desta manifestações para as anteriores é que o que se está a passar está infiltrado na nossa vida. daí fazer todo o sentido que esta manifestação se chame "queremos as nossas vidas". porque as pessoas andam tristes. mais tristes, desanimadas. de repente o que antes era uma mera questão política começou a entrar na nossa vida, na nossa forma de estar, nas razões que nos fazem custar acordar de manhã. aliás, minto. isto não acontece a toda a gente. acontece às "minhas pessoas", quase a todas. porque há uma classe privilegiada que não está a sofrer o mesmo que nós. porque se a mim me tiram mais 7% para uma segurança social esclerosada noto a diferença em cada um dos meus dias. se a quem ganha milhares por mês lhes for tirada a mesma percentagem o estrago é menor. portanto não me venham falar de que todos temos de sofrer os cortes. como dizia josé gil só existem três classes hoje em dia: desesperados, ameaçados e privilegiados. mas claro que não posso deixar de referir que bonito é ver que mesmo os privilegiados saem também à rua em defesa dos que não o são. porque, vou afirmar mais uma vez, isto não é só sobre nós. isto é sobre o país onde (ainda) vivemos. sobre as crianças que vêm aí. de repente, não sei se repararam, mas começámos a viver num país sub-desenvolvido. onde as crianças não têm direito a tratamento individual nas escolas onde o sistema de saúde roça o terceiro-mundismo. onde se tira dinheiro a quem não tem, onde quem tem pouco paga pelos que têm muito. onde as empresas são beneficiadas na esperança de um dia darem trabalho mas quem tem ordenados miseráveis vê o seu rendimento mensal cortado, logo o consumo diminui e a economia colapsa. onde, e a cima de tudo, quem tem dinheiro safa-se, quem não o tem trama-se. a todos os níveis, saúde, educação.


por fim gostava de referir uma última questão. tenho um bom trabalho, um contrato sem termo (se bem que hoje em dia isso não vale quase nada) e um ordenado razoável. no entanto o que esse ordenado razoável me permite é ter uma casa sozinha numas águas furtadas nos Poiais de São Bento, contas e comida, umas garrafas de vinho para se tiver visitas, comprar 2 a 4 livros por mês, 1 a 2 jantares fora por mês, telemóvel e gasolina e, às vezes, uma prenda de aniversário ou outra extravagância do género. não podemos entrar em miserabilismos. eu não me quero ter de defender com o "eu também ganho pouco" e ser acusada de ser gastadora por quem ganha o ordenado mínimo. a grande diferença entre mim e quem ganha esses ordenados vergonhosos e que eles nem independentes podem ser. e eles não são poucos. são milhares. milhares de pessoas que não podem ter uma casa própria. milhares de famílias que se mantêm unidas por questões financeiras. não quero que nesta luta interesse quanto ganho eu ou quanto ganha o vizinho do lado. interessa que vivemos uma época em que estamos a ser roubados sem precedentes. a pagar uma dívida que não é nossa. e pior, a sacrificar quem não pode ser sacrificado, quem não tem mais por onde dar, enquanto vemos quem pode a fazer tudo por proteger o seu quintal. sem perceber que isto vai, mais tarde ou mais cedo, afectar toda a gente. porque estamos a tornar-nos um país doente, um país triste, um país que se quer ir embora.

amigos, só sobramos nós. a nossa voz e a força do que somos em grupo. sábado, às 17h, encontramo-nos na Praça José Fontana. se não temos mais nada temos a nossa voz em coro.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

carta aberta à minha lolita

querida sandra,
como disse há uns posts atrás temos de ser mais pirosas umas com as outras. e por isso escrevo aqui neste blog esta carta aberta porque não só te digo a ti as coisas que quero dizer como a todas as nossas lolitas e visitantes. não vou, por isso, entrar em grandes questões pessoais, vou apenas dizer aquilo que quero que essas tais pessoas, lolitas e visitantes, saibam. o resto lês nas entrelinhas que sei que fazes isso muito bem.
ontem fui jantar a tua casa. a sensação que me dá jantar em tua casa é a sensação de estar em casa. o jantar maravilhoso como sempre ("não, que eu não sei cozinhar, aviso logo toda a gente que não sei cozinhar"), o poder estar com o teu filho giro em paz e tranquilidade, com ele sempre ao pé de nós a contar o que foi bom nas férias gigantes que ele teve e a falar de livros. há sempre um momento bonito na minha relação com as minhas crianças que é quando começo a falar com eles de livros. depois acho que há uma coisa tua que sempre me fascinou, desde o ano em que nos conhecemos em que ainda me sentava ao teu colo para ter mimo e achava que tinhas mais 10 anos do que tinhas, que é o facto de que, aconteça o que acontecer tu sabes sempre mais e tens sempre coisas para me ensinar. e digo isso a toda a gente. que tu sabes mais e melhor do que eu e que tenho sempre a aprender contigo. és a minha amiga mais velha no que isso tem de bom que às vezes também és a minha amiga mais nova e eu tomo conta de ti, já sabes.
por tudo o que falámos acho mesmo que "apesar de tudo" tens a chave para o que está certo. tens sempre. e eu preciso de contigo aprender essas coisas.
e pronto. mais nada. só que foi bom estar descalça na tua rede a apanhar o ar quase fresco da noite. a cima de tudo o que preciso para a minha vida é de paz e foi isso que tivemos ontem. e podes ler aqui o que senti no regresso a casa, ao passar pela minha casa antiga.
enfim, por agora é só isto. pode ser que tenhamos cartas em papel para dizer o resto. mas se disser que és a minha heroína tu sabes do que estou a falar e isso chega-me  :)
e só posso terminar com um "vai tudo correr bem". vais ver desaperecer tempestade a tempestade. porque tu sabes tudo bem. porque és esperta e sabes o caminho certo. porque és toda feita de coração e por isso nada pode correr mal. nem era justo.
um beijo grande sandrinha, e até já.





terça-feira, 4 de setembro de 2012

Nem sei o que sentir, quanto mais o que escrever...


Ontem foi dia de transformar em cinzas o passado. Ainda andei a passear a minha mãe por Lisboa, se bem que não me respondeu a nada do que perguntei. Nem quando lhe perguntei se preferia ir por São Sebastião ou pela Lusíada. Passou a nossa música no rádio. Caramba! - pensei eu... quais são as probabilidades de isto acontecer??!!! Quando estacionei apercebi-me do peso. Do peso que me deu cabo do braço e do peso no peito. Tentei dormir. Nada. Por culpa dos elefantes com cascos que vivem no andar de cima. Optei por me deitar no chão e ser lambida pelas minhas amigas 4 patas, até rirmos as 3 às gargalhadas. Depois fui estender roupa. Adoro o cheiro a roupa lavada.
Fui buscar a piolha à escola. Adoro ir buscá-la à escola. Perguntou-me se o meu dia tinha sido bom. Se me tinha corrido bem o trabalho e que tinha tido saudades minhas. Nem imaginas as saudades que tive tuas, Laurinha. Nem imaginas.
Fomos tirar fotos tipo-passe. O banco era areia e o chão era o mar. As fotos ficaram o máximo.
Fomos inscrevê-la na nova escola de dança. As senhoras da secretaria ficaram fãs dela - que querida, tão educadinha, tão simpática, fala tantoooo.
E para festejarmos a tarde boa que tivémos fomos comer um gelado de mão dada e ler uma história na esplanada. O sorriso e as gargalhadas dela mantém-se inalteráveis - era ainda um bebé de colo, que nem o pescoço conseguia aguentar e ria-se exactamente como se ri hoje, quando leio para ela.
A Laura não é nenhum medicamento. Nem serve para me fazer sentir bem. Mas que me faz esquecer os males que me perseguem, isso sem dúvida que sim. É pura magia, digo eu.



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A sorte de perder o autocarro

que me leva direitinha para o trabalho e me faz atravessar a Gulbenkian, de manhãzinha, com os patinhos ainda a dormitar na relva húmida e com os passarinhos a cantar só para mim!
A vida sorri-me!


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

As raças perigosas

Muitas voltas tenho eu dado a pensar no assunto.
Na semana passada apanhei uma notícia num qualquer jornal online que me chocou. Então uma senhora nega um bocado de pão ao seu animal e ele mata-a???!!! Se fosse um caniche teria sido fatal? Se fosse uma Essi ou uma Magali ou um Woddy? Não!
Há lutas de cães com chiwawas? Não!
Há crianças a morrerem com dentadas de labradores? Não!
Sempre ouvi dizer que tem medo compra um cão... e quem compra estes cães deve ser responsabilizado até às últimas consequências, porque realmente há diferenças entre ter um peixinho cor-de-laranja e um tubarão; entre ter um gato e um leão. Há animais que não são de estimação. Há animais que não são de companhia nem são para termos em casa.
Um animal é suposto ser nosso companheiro, faz parte da família; não é para ser objecto de show off, nem símbolo de  poder e não deve servir para meter medo a ninguém. Até pode assustar para guardar a casa, mas não mata ninguém.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

novo projecto com pedido de ajuda

caros amigos caras gentes dos livros e das suas áreas vizinhas caros todos,
tenho um novo projecto em mãos que mais uma vez precisa da vossa ajuda.

comecei a pensar no que seria passar a vida sem ler. revistas, jornais. sem ler as pessoas, as expressões, a linguagem corporal. sem ler ementas do restaurante. sem ler legendas de filmes. e, finalmente, sem ler livros. e foi aqui que pensei que podia fazer alguma coisa. o meu primeiro trabalho foi gravar audio-livros para crianças cegas, amblíopes e de baixa visão para o Ministério da Educação. e aquele trabalho tão simples fazia sentido. e é nesse sentido que pretendo pegar agora.

a ideia é fazer audio-livros por encomenda. um trabalho totalmente voluntário. acredito que é importante que o trabalho de cada um seja pago e infelizmente muitas vezes a remuneração por um serviço valida-o. no entanto acredito que em determinadas alturas na nossa vida temos de conseguir fazer algo que não esteja apenas acessível a quem pode e sim a todos. a única coisa que é necessário é que quem queira um audio-livro escreva um e-mail para leremvozalta@gmail.com e procure nesse e-mail explicar o porquê de determinada pessoa querer aquele determinado livro. a razão deve centrar-se no livro, sempre, na escolha do livro. os livros podem ser de todos os tipos. podem até ser estrangeiros. o tempo de gravação é negociado com o cliente de acordo com o tamanho do livro, com a disponibilidade dos técnicos e com a minha disponibilidade. o livro é absolutamente pessoal por isso podem ser partes de livros, conjuntos de livros, e podemos gravar dedicatórias ou outras mensagens e/ou comentários pessoais.

agora é nesta parte que vocês entram:

- eu vou ler os livros e fazer a produção do projecto. com o tempo e se isto crescer (que espero mesmo que sim) vou precisar de mais voluntários para ler.

- preciso de técnicos de som que aceitem trabalhar nisto sem remuneração. não tem de ser um para a totalidade dos livros, pode ser um por livro ou por alguns livros. por técnico de som refiro-me a alguém que possa gravar e montar o livro enquanto eu o leio, que tenha os materiais e os conhecimentos necessários a essa função. a minha disponibilidade é finais de tarde e fins de semana, no entando podem surgir outros leitores com outros horários. moro em lisboa portanto é esta a zona onde estou sempre. posso no entando deslocar-me a outras zonas num fim de semana de trabalho intensivo.

- preciso de criar um site para o projecto. uma coisa muito simples onde se fale do projecto, se procure clientes e voluntários e onde, eventualmente, se possa mais tarde descarregar livros.

- preciso de um nome! preciso de um nome bom para isto!

- preciso de divulgação do projecto. sobretudo para procurar técnicos e clientes.

a quem conseguiu chegar ao fim deste post, um muito obrigada. ler isto foi fácil. agora vamos lá ler livros?

um bem haja a todos desde já

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

carta aberta às lolitas

isto das lolitas anda às voltas na minha cabeça. no outro dia à volta de ser lolita em conversa com uma lolita eu dizia que não era capaz de tirar uma lolita da minha vida zangar-me muito com ela ou seja o que for. outra lolita responde que ser lolita ou não não interessa se uma lolita errar, falhar o corte é tão real como com qualquer outra pessoa. claro que esta conversa foi tida num momento quente e portanto claro que não pensa isto. mas a mim deixou-me a pensar.

as amigas que eu mais detestei, que mais me irritaram, que mais me fizeram chorar neste mundo foram as lolitas. são teimosas, donas da razão, mega sentimentais e mais defeitos por aí a cima. como somos todas assim acabamos por chocar umas com as outros em alguns momentos da vida. eu até defendo que muitos desses choques nem se vêem à superfície.

mas na verdade depois de pensar muito nisso descobri o que é para mim ser lolita. ou o que é ser uma "minha" lolita. minha lolita. sem aspas. são as miúdas que estiveram comigo nas minhas curvas todas em momentos diferentes, ampararam-me os golpes, as quedas. são as lolitas que eu quero ao pé de mim em todos os momentos de viragem. em todos os momentos planos.  cada uma tem uma função diferente e é uma pessoa diferente para mim.

há algo de mágico nas lolitas. primeiro há qualquer coisa dentro de nós que é como um segredo. que nem os filhos, nem namorados, nem amigos e amigas entendem. se estivermos numa festa de anos, num pós-natal e lá estiverem as lolitas elas estão sempre de olhos umas nas outras. sentam-se umas ao pé das outras à vez. conhecem lados diferentes umas das outras, contam umas às outras o que se passa com cada uma delas. somos leoas em defesa umas das outras e como às vezes as discussões são entre lolitas parecemos baratas tontas.

hoje acordei cansada. e de repente lembrei-me que hoje à noite vou ter duas lolitas em casa. e mais uma mão cheia de amigos. e mais do que me alegrar o dia, dá-me esperança. nem sei explicar muito bem isto. é como se enquanto elas estiverem comigo este desânimo do quotidiano deixasse de fazer sentido. elas não põem pensos rápidos nas feridas. elas fazem com que elas deixem de existir.

por isso lolitas queridas, escrevam o que vos escrevo e se isto der para o torto esfreguem-me isto na cara. vocês são as minhas caras-metade. e ter tantas metades de caras é uma sorte que eu vejo todos os dias. e se porventura eu um dia vos disser que só vos quero matar e já não vos consigo ver aquilo não é um coração a explodir é um fogo de artifício.

só acho que nos faz falta uma coisa. falar mais. estarmos mais. olharmos mais umas para as outras. gritarmos mais, chorarmos mais se tiver de ser. sermos mais pirosas. porque só uma percentagem pequenina do mundo tem a nossa sorte. vocês são o meu escudo invisível. a minha muralha. e o amor que vos tenho vai daqui até à lua.







certezas absolutas

tenho pensado muito nas certezas absolutas. o conceito em si é ridículo, porque uma pessoa não pode saber nada em absoluto, a não que seja absoluto para si e para o resto do mundo não, mas logo aí o conceito de absoluto fica de pernas para o ar.
acho que as certezas absolutas são uma doença do século. com as coisas más que nos acontecem, as vidas difíceis que vamos tendo por diversas razões, acabamos por nos virar para dentro. somos pessoas viradas para dentro. e depois aumentamos com uma mega lupa tudo aquilo que sentimos e acabamos por ver o mundo à nossa semelhança. nada mais natural dirão uns. evitável, digo eu.
e depois temos as pessoas que vivem sozinhas que acham que viver sozinho é que é bom, quem encontrou uma pessoa para a vida que acha que partilhar vida assim é que é bom, quem  é mãe que acha que quem não tem filhos não sabe da missa a metade, quem supera as desilusões num instante acha que quem não supera é preguiçoso, quem trabalha num sítio horrível mas ganha bem acha que esse é o pior dos infernos, quem trabalha num sítio fixe e ganha mal acha que esse é o pior dos infernos. e por aí fora. a lista é extensa. quem não gosta de leite com café porque não faz a digestão acha que niguém devia beber leite com café, porque faz mal. a nossa família é a melhor, mas invejamos a dos outros que parece não ter problemas. a nossa forma de limpar é melhor que a da mulher a dias e toda a gente sabe que não se cozinha com vinho tinto e não faz sentido nenhum usar manteiga com sal porque a manteiga sem sal é exactamente igual e não faz tão mal. etcetera.

não que eu esteja mal disposta, que não estou. estou a tentar manter a mente aberta, meus amigos, estou mesmo a tentar. ouvir o que os outros têm a dizer. tentar explicar-lhes o que penso e talvez mudar de opinião. evitar que me digam que não posso falar de cianças porque não tenho filhos ou do desemprego porque felizmente não passei por isso. a nossa vida não se faz só da nossa experiência. comigo cresceram muitas crianças e sei segredos deles que as mães não sabem. não sei o que é o desemprego nem sei o que é não ter férias contadas ou dias inteiros meus à minha frente. não conheço a angústia de ter a corda ao pescoço mas conheço a angústia de não poder escolher tê-la. as minhas experiências fundem-se nas experiências de quem adoro e com quem aprendo todos os dias. estou em guerra contra a intolerância porque a todos os níveis a intolerância é a maior estupidez de um ser humano.

por isso sejamos pró-amor, vá lá. olhem à volta. e deixem que ganhar o euro-milhões seja a maior alegria de uma pessoa porque "o dinheiro não compra a felicidade" mas compra o direito a poder ir procurá-la sem amarras. eu cá havia de ser muito feliz se tivesse muito dinheiro. e se tivesse um filho. ou se tivesse outro trabalho. mas só eu sei como sou feliz no meu sofá, com aquele sol todo a bater-me nos pés, ao final da tarde. este discurso é para vocês e para mim própria. numa espécie de reflexão dos 30 anos e um futuro que se avista como um gigante ponto de interrogação. e há lá coisa melhor do que não saber nada do que aí vem?  

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

5 anos de ti

Cinco anos felizes. Cinco anos a ver-te crescer. A ensinares-me o que é ser mãe. A ensinares-me que o mimo nunca é demais.
Parabéns, minha menina linda.
Muitos, muitos parabéns.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

regras dos exploradores caçadores de tesouros e de piratas







- um explorador sabe distinguir entre lixo e pistas do tesouro

- um explorador sabe porque é que aquele pedaço de coisa nenhuma é uma pista e não um bocado de lixo. sabe explicar.
- um explorador nunca se queixa. sofre pelas mesmas coisas que os outros (calor, sede, picos no vestido) mas nunca se queixa.
- um explorador sabe que os piratas para nos despistar desfizeram o mapa do tesouro em muitas partes pequeninas e nos bocados que deixaram no chão alteraram umas partes preciosas - um explorador sabe ler nas entrelinhas de um mapa adulterado.
- um explorador usa chapéu
- um explorador leva consigo do princípio ao fim da exploração todas as coisas que decide levar de casa
- um explorador tem de ser pequenino para se esconder das câmaras de filmar dos piratas. ou então de se camuflar nas árvores.
- um explorador tem de falar por gestos, códigos e olhares porque os piratas estão sempre a gravar o que dizemos.
- um explorador foge dos carros.
- um explorador percebe se vem lá um carro se puser o ouvido junto ao chão. não convém fazer isso quando o carro está a passar.
- um explorador tem o direito inegável de ir ao parque infantil no final da expedição se puser as pistas bem guardadas dentro do chapéu.

posto isto podemos declarar a laura e o tiago exploradores do poço partido, com direito a distinção e louvor e, claro, a um tesouro cheio de jóias no final.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

regresso a casa

tenho a vida toda como ondas irrequietas debaixo dos meus pés. sinto-me a viajar sem corpo noutro sítio qualquer. pego num livro esqueço-me dele em cima da mesa. sinto-me como se fosse uma fotografia desfocada. arrumo a casa como quem arruma o coração. tenho o meu espaço todo no sítio e um lar onde caibo demasiado bem. e procuro sempre outro sítio para estar. lembro as amigas da taiândia e alguns momentos em que não queria estar noutro sítio. talvez esta seja uma ressaca doutros sítios. se calhar o meu coração não poisou aqui. se calhar o meu coração quer ser outro e lhe falte a coragem para novos caminhos.

então seguro-me nos ombros e digo: vai. vai para a praia. vai para ao pé das tuas amigas. deixa a tua casa ganhar saudades. ganha a certeza de que dali ninguém te tira. que ainda amas a solidão a qualquer custo. que te tiram tudo mas nunca o amor pela vida. se te faltam as mãos para te abanar nunca te falta o amor de cem outras mãos. sabes que voltas domingo e que tens a joana o francisco a raquel o duarte a luísa a leonor o afonso a teresa a maria e a diana à tua espera. que te vai faltar o ar de tantos abraços. e vais recordar o dia em que na tailândia te disseram que eras essencial. que podias ir e que te esperavam ao voltar. e que nos dias em que precisaste de não dizer nada mil vozes estavam suspensas por ti. que a solidão será sempre a melhor escolha e nunca um castigo.

e quando não tiveres mais forças, nenhumas, nenhumas, tens ainda uma prenda para dar. que mesmo fora do contexto vai comover uma amizade de pedra. e é uma prenda que diz isso. que aconteça o que acontecer por mais tempestades que te tirem a respiração a vida que tiveste ninguém te tira. e depois dessa prenda o silêncio fará mais sentido. porque a memória está presa à pele e essa nunca nos deixa o corpo solto. e o futuro será sempre o que quiseres. e enquanto ele for um gigante ponto de interrogação terás todas as portas abertas. e isto que ensinaste a toda a gente hoje é a ti que o dizes. e depois disto vais focar-te outra vez, e vais sentar-te na tua cozinha e beber um martini ao final da tarde, antes de um jantar gourmet qualquer. e tudo vai voltar a fazer o sentido de antes. porque nunca soube ser se não alma. e apesar da dor que muitas vezes isso me causa a maior parte das vezes sou absolutamente por inteiro. e isso não troco por nenhuma outra coisa.