sábado, 27 de julho de 2013

Porque as lolitas são cosmopolitas!


  • 40 ml de vodca
  • 10 ml de licor de laranja (triple sec)
  • 10 ml de suco de cranberry
  • 1 lima média
  • 1 laranja média

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O que conseguimos fazer em duas horas

Quem me conhece sabe que sou um bocado para o acelerada (para não dizer stressada), mas quando se trata da minha piolha, gosto das coisas com energia, mas com o timming necessário para disfrutar de cada momento. Gosto que as manhãs respeitem o ritmo dela, a preguiça dela e que sejam cheias de mimo e paciência. Mesmo com tudo por fazer em casa, gosto de a ir buscar à escola com calma, de virmos a conversar no caminho, a observar as andorinhas, os bichinhos de conta e os formigueiros.
A minha criança tem sempre imensa coisa para dizer. Hoje foi ao planetário e as constelações que mais a fascinaram foram "o touro, a ursa maior e a ursa bebé". Pensava que na segunda-feira ia para o 1º ano, porque na sexta-feira termina o ATL. Ficou um bocadinho desiludida, mas conversámos sobre as férias e sobre as coisas maravilhosas que vamos fazer e ela aceitou. Motivação não me parece que seja um problema, pelo menos, por enquanto.
Banho em modo expresso (leia-se duche), creminho, massagem, miminhos. 30 beijos recebi por lhe ter comprado uns autocolantes em forma de coração para ela fazer os convites para a sua festa de anos para dar amanhã aos coleguinhas da escola.
Recortes, canetas de feltro, coraçõezinhos pirosos, balões e convites assinados e personalizados. Revemos o texto. Fechámos envelopes. Jantámos. Conversámos mais um bocadinho no sofá. Apesar de a M. a arreliar - hoje tentou cuspiu-lhe para cima - ela já lhe tinha prometido que a convidava para a festa e não devemos faltar com a nossa palavra. Porque ela não quer que a M. fique triste. E eu também não preciso de me preocupar porque no final da festa ela arruma o quarto todo.
Lavar os dentes, abanar o dente que não tarda cai (faz-me tanta impressão!!!!), hora da história, festinhas no cabelo e bons sonhos.
Ela adormece tranquila.
Devagar, devagarinho, os valores da amizade, do respeito pelo próximo vão lá ficando. E é nestes dias em que sinto que "we are doing it right".
A nossa menina está a crescer feliz.
E o meu coração quase explode só de pensar que fomos nós que fizemos esta criaturinha. A mais doce que alguma vez podia imaginar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sobre as 40 horas semanais

Laura... Sabes aqueles dias magníficos em que o papá te vai buscar mais cedo à escola? Aqueles dias em que podes ir andar de baloiço ou ir passear ao jardim? Aqueles dias que parecem maiores porque em vez de 9 horas passadas na escola, passas apenas 8 e isso faz toda a diferença?
Pois bem, alguém achou que nem tu, nem o teu pai, nem eu merecemos isso. 
Alguém achou que trabalhamos poucas horas, que produzimos pouco (seja lá o que isso signifique) e que devemos trabalhar mais 1 hora.

Apesar de não ser funcionária pública, a minha filha vai ter que trabalhar mais 1 hora por dia, 5 dias por semana. Nem 6 anos tem.
As minhas cadelas vão passar a esvaziar a bexiga 1 hora mais tarde.
E eu estou passada dos carretos com esta medida! Já não aguento o "discurso do empreendedor" que temos que produzir mais, que temos que trabalhar mais horas e o que os funcionários públicos passam o dia a coçar a micose e deviam trabalhar as mesmas horas que os do privado. É um discurso idiota, invejoso e mesquinho.
Enquanto andarmos ocupados a apontar o dedo a direitos fundamentais dos trabalhadores, conquistados com enorme esforço, em vez de lutarmos para termos a vida e a dignidade que merecemos não vamos a lado nenhum. E que tal os do privado trabalharem 35 horas semanais, em vez das 40?

Parece que agora só não é crime querermos trabalhar até morrer. 
Tempo para passear, descansar, namorar, foder, ler um livro, ir ao cinema, ver as vistas, ouvir música, contar as estrelas? Está tudo maluco? Qualquer dia querem viver, não? Nã nã! Trabalhar é que é bom! Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Acabem-se os feriados, as horas extraordinárias pagas como deve ser, os subsídios de natal e de férias e com as baixas. Férias. Que acabem com as férias também! E com as famílias! Que se comece a viver no local de trabalho. A dormir lá. Os nossos miúdos já passam tanto tempo na escola, dá-se-lhes um saco-cama e eles ficam na boa a viver na sala de aula. Com alguma sorte, ainda nos dão o Domingo para matarmos saudades. Ou não. Fechem-se as portas das galerias do povo, para que as leis possam ser aprovadas à porta fechada. Escravos, submissos, endividados com dívidas que não contraímos, completamente vazios de acção, resignados. É assim que nos querem.

São mais 5 horas de trabalho por semana, pagos a custo zero, são 260 horas num ano que a minha filha vai passar na escola. Em vez de regar as nossas plantas, levar as nossas cadelas a passear ou ler um livro aninhada nos braços de quem mais ama.


Já a minha avozinha dizia que "quem não deve, não teme". Não podemos continuar a ser (des)governados por quem tem medo de nós!
Para a próxima que não sejam os inocentes a abandonar o parlamento!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Em modo Sininho

A Educadora da Laura é extraordinária. Não quer terminar o ano sem que as crianças dela festejem o aniversário com os colegas da sala.
Ora, a Laura faz anos em Agosto. E queria um bolo da Sininho.
Procurámos pela cidade inteira e nada de Sininhos. O pai lá encontrou uma - o único exemplar - e que fez os olhos da Laura brilhar tipo estrela polar.
Depois entrei em stress porque não sabia se ela ia apagar 5 ou 6 velas... Dizem que dá azar festejar antes do tempo, e no meu caso, i don't give a shit, mas no caso da minha filha, preferi não arriscar.
Apagar cinco velas também não fazia grande sentido. Decidimo-nos pelos 5 anos, 10 meses e 10 dias que faz amanhã.

Agora é fazer figas para que a febre que a tem perseguido páre de nos pregar partidas de mau gosto para ela ter um dia mega feliz.

Aqui entre nós, acho que esta sininho é mágica: desde que chegou cá casa, o governo tem caído tipo dominó. Gosto! Gosto muito! Gosto tanto!





segunda-feira, 24 de junho de 2013

Porque estamos sempre a aprender...

 

E a Sandra e a Vera saíram cada uma com uma Pinacolada na mão!
Ai, desculpem, pinulada, pinulada!
(E é assim que começam os boatos)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A segunda-feira num fôlego só

Inspira

despertador toca, só mais cinco minutos, dez, gaita que já passa da hora, comida nos pratos das cadelas, Essi deixa lá o vizinho estar à janela, criança acorda chorosa, dormiu mal, tem dores de ouvidos, mimo e mais mimo, ver a febre, lágrimas, mais colinho, fica aqui que eu tenho que tomar banho, banho expresso, mais mimo, bruffen, sms a avisar que não posso ir trabalhar, mais lágrimas porque quer ir para a escola, não há febre, outro sms a dizer que estou atrasada mas vou trabalhar, colo até meio caminho, já não sinto os braços, entrega criança, mais mimo e mais mimo, coração apertadinho, correria até ao autocarro, 25 minutos à espera dele, música, correria até ao trabalho, stress, streaming, contente com a adesão à greve dos professores, horrorizada com os acontecimentos na Turquia e no Brasil, stress, telefones a tocar, stress, emails que não páram de chegar, sair do trabalho a correr, apanhar autocarro, música, acelera pá, estava amarelo anda lá com isso, correr para a escola, apanhar criança deitadinha numa caminha, brincou o dia todo e agora murchou, tem febre, colinho até casa, já não sentia os braços desde manhã por isso não custou nada, mais mimo, esfregar a barriga à Magali, atirar o brinquedo para a Essi ir buscar, gato do demónio ataca Essi, gato do demónio não tarda leva um pontapé no rabiosque, não, hoje não aturo gente estúpida, tenham paciência, dar sopa à boca da doentinha, mais mimo, bruffen, história de embalar, mais miminhos, sonhos cor de arco íris, dar jantar às cadelas, apanhar duas máquinas de roupa que está a chover e

E-x-p-i-r-a.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

A minha criança

 de 5 anos respeita e ama todos os animais do mundo. O que a minha criança não sabe é que existem touradas. Que há gente que esfola animais para lhes ficar com o pêlo.

A minha criança sabe que existem meninas e meninos com dois pais ou duas mães e indigna-se na escola quando lhe dizem que uma menina não pode namorar com outra menina. O que ela não sabe é que provavelmente vai passar a vida toda a indignar-se contra gente preconceituosa.

A minha criança sabe que se as pessoas estão descontentes, têm o direito de se manifestar. O que a minha criança não sabe é que cada vez mais existe uma coisa chamada violência policial e que morrem manifestantes pacíficos.

Com 5 anos, a minha criança fica preocupada sempre que vê uma criança sozinha na rua. O que a minha filha não sabe é que há muitas crianças que, mesmo acompanhadas, vivem sozinhas no mundo, sofrem abusos e não sabem sonhar nem brincar como ela.

A minha criança sabe que se fica doente os pais tratam dela e levam-na ao médico. O que ela não sabe é que há gente que perde a vida por não ter acesso a cuidados de saúde.

A minha criança sabe que só tem cinco dias de praia com a escola este ano. O que a minha criança não sabe é que a associação de pais não tem dinheiro. E quando numa reunião eu sugeri que quem pode deveria pagar mais para que todas as crianças fossem os quinze dias como habitualmente, o silêncio foi geral. Só vão cinco dias e não vão as crianças todas que queriam ir.

A minha criança diz que sabe o que quer ser quando for grande. Bailarina. O que ela não sabe é que a escola de dança pediu insolvência no princípio desta semana, que uma data de gente perdeu o emprego e
que muito provavelmente não haverá aulas para ninguém ali nunca mais.

Sabe que a fada dos dentes mora numa parede no quarto dela. O que ela não sabe é que sou eu que coloco, no buraquinho da parede, enquanto ela dorme, as estrelinhas azuis a fazer caminho até debaixo da almofada.

A minha criança sabe os benefícios da sopa e mesmo assim, todos os dias, torce-lhe o nariz. O que a minha filha não sabe é que se um dia tiver filhos, há-de lhes dar sopa ao almoço e ao jantar.

A minha filha sabe que se eu a castigo, castigo mesmo e não há volta a dar. O que ela não sabe é que fico com o coração todo partidinho em mil e um bocados, mesmo que o castigo seja não comer um rebuçado.

O que eu sei é que se o mundo fosse gerido por crianças era bem mais justo, mais feliz, mais pacífico e mais bonito. Mais colorido e desdentado também. Sei porque há cinco anos que sou ensinada que não há nada mais extraordinário que aprender a ver o mundo pelos olhos de uma criança. A minha criança. Que não tarda terá seis anos.


terça-feira, 4 de junho de 2013

PARABÉNS LOLITA MAIS GIRA!

dia de aniversário de lolita é dia de festa!! e hoje é mesmo!!
parabéns giraça! 
we love u
bora festejar!!!
lá lá lá lá



quarta-feira, 29 de maio de 2013

10 anos de Magali

É pegar numa foca, numa lontra, num panda, numa lebre e no dartacão, misturar tudo e temos a Magali.

A cadela mais fofinha, mais meiguinha, mais mal cheirosa do universo.

Muitos, muitos parabéns, Migalhinha!
Que continues com a brincar com tudo o que mexe, que continues a roubar as sardinhas ao gato do vizinho, que continues a chorar para o queijo fresco, a tocar piano no fogão da cozinha, a roubar manteiga, a ladrar a quem toca à campainha, a pedir colinho, a dormir na cama da Laura por muitos e muitos anos. Por infinitos anos. Que os nossos coraçõezinhos não aguentam ficar sem ti!





terça-feira, 28 de maio de 2013

hoje tive um dia mimoso


Ah muito giro e tal ... "é pena é não ser em português"

já deito esta expressão pelos ouvidos. Sempre que algum português canta alguma coisa em inglês, zás, leva logo com este tipo de comentários.

Somos cidadãos do mundo. Compomos como bem nos apetece. E se me apetecesse compor em chilibibilidês? Hã? Não podia só porque nasci em Portugal? Que raio de argumento é este??!! Não posso ter chilibibidês no coração? Não me pode servir de referência, de inspiração?

Como portuguesa que sou, tenho que gostar de cozido à portuguesa, de galos de barcelos, de touradas, de matanças do porco, de vinho tinto, de fado e da Joana Vasconcelos? Not! Por acaso dos galos de barcelos até gosto. Mas se fossem galos de outra cidade qualquer ia gostar também. Eu gosto é das cores, tanto se me dá de onde é que vêm.

Também diriam ao Dali que os quadros dele eram bem fixes, mas faltam ali umas tortilhas para compor o ramalhete?!

A sério que não compreendo este tipo de posições. Acho totalmente desprovidas de sentido.

A arte e a cultura são universais. Têm todas as cores, todas as línguas, todos os instrumentos, todos os materiais que quisermos.

Ainda estou à espera do argumento que me convença. Ou talvez não. Não vale a pena darem-se ao trabalho.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Empreendedora lá isto!

Diz o menino Martim que "pelo menos não estão no desemprego", os trabalhadores que lhe alimentam o empreendedorismo. Podem estar a ser explorados, a viver na miséria, com contas da luz e da água em atraso, com mensalidades das escolas dos filhos em falta, sem comida na mesa, mas pelo menos não estão sem fazer nada.
Querido Martim, pode ser que um dia só tenhas merda para comer, mas sempre é melhor comer merda do que não comer nada.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Hoje posso dizer à minha filha que o amor venceu

Cá em casa mãe e filha adoram ouvir rádio. Na rádio ouvem-se as notícias. E um dia tive que explicar a uma menina de 4 anos que o amor não venceu.

Foi difícil, muito difícil. Porque ela não entendeu. Não conseguia perceber que era possível existir alguém que proibia outro de ser feliz. Que se toda a gente se podia casar, porque é que não podiam ter filhos? Porque não existe no mundo ninguém que nasça preconceituoso. Ninguém nasce homofóbico. Ninguém nasce mau. Mas, infelizmente, pode-se crescer no seio de famílias que não sabem o que é amar, nem educar, nem cuidar, nem respeitar.

Amanhã, para grande felicidade minha, vou poder dizer a uma menina que hoje tem 5 anos que, um dia, quando se apaixonar, seja por quem for, e se um dia quiser adoptar uma criança, o poderá fazer.

Porque sim, prefiro ocultar-lhe o facto de apenas ter sido aprovada a co-adopção. Falta tudo o resto.
Porque espero que muito em breve lhe possa dizer que somos pessoas a sério. Sem preconceitos.

Pelo amor! Pelo direito a ser feliz!


terça-feira, 14 de maio de 2013

Se a Angelina Jolie recorresse ao SNS

ainda teria as duas mamas. Provavelmente nunca teria sequer feito exames para detectar as alterações genéticas que fazem com que tenha mais de 80% de ter cancro da mama.
Provavelmente passaria 6 meses com sintomas e dores e má disposição, para lhe diagnosticarem uma depressão. Ela insistia que não existia qualquer tipo de depressão, a família perderia a paciência e gastaria balúrdios num hospital privado para que lhe fizessem um diagnóstico correcto.
Aí, iria ser encaminhada para o público para começar os tratamentos. Deixariam-na horas à espera em salas frias, cheias de gente, para um oncologista nem sequer a olhar nos olhos. Deixariam-na esquecida, a apanhar correntes de ar, numa sala com um qualquer programa da tarde a dar na televisão, à espera da radioterapia, até os familiares darem com ela e reclamarem.
Provavelmente levaria adesivo de casa para prender as agulhas e os fios, porque no hospital não havia.
Provavelmente, ligaria a quem mais ama, a pedir socorro, a chorar, porque está doente, cansada, não se consegue levantar da cama e nenhuma enfermeira foi capaz de lhe mudar os lençóis durante a noite.
Quase de certeza que, no dia seguinte, a família a tira do hospital e a leva para casa, contra as ordens médicas.

Foi das últimas vezes que vi a minha mãe rir às gargalhadas. Em casa. Connosco. Protegida.

Provavelmente, os familiares teriam que deixar de trabalhar e estudar para ter a certeza de que estava bem acompanhada. Para estarem atentos de cada vez que lhe trocavam os exames ou não lhe tiravam as dores.


Foi de uma coragem transcendente o que a Angelina fez. Aliás, esta mulher é extraordinária. Usa o mediatismo que tem para praticar o bem. Isso é inegável.
E como mãe, acho lindo ela ter tomado esta decisão a pensar nos filhos. Derreteu-me o coração.

A minha mãe morreu com a idade que a mãe da Angelina Jolie morreu.
A minha mãe nunca conheceu a neta.
O SNS fez questão de lhe roubar o tempo que poderia ter para lutar contra esta doença.
A mim roubou-me a mãe.

Porque às vezes os pés só trazem problemas!

Página do Diário da Frida Kahlo

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A luta do Derek e da Cyndie


Não posso dizer que tenha sentido isto na pele, porque não aconteceu a um filho meu.
Aconteceu à minha mãe. E não o desejo a ninguém. A NINGUÉM!
Desejo sim que o nosso país evolua de uma vez por todas no tratamento dos pacientes.
Desejo que aposte nos cuidados paliativos à séria. Que deixe morrer em paz quem se sabe que não vai sobreviver. Sem dores, com o mínimo de sofrimento, sem medo, com apoio, com compreensão, com carinho, com conforto e com dignidade.

Aviso à navegação: estas imagens são fortíssimas. (Dão para o choro compulsivo!)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Tenho eu duas cadelas em casa

para o gato do vizinho entrar, avançar pelo corredor e ir marcar território na mala da piscina.
Isto foi na sexta.
Hoje foi na bola de pilates e na minha mala preferida. De todas as malas no mundo, tinha quer naquela.
E assim, de repente, só me saem asneiras tão feias, mas tão feias que até tenho vergonha de as escrever...

Já agora, dêem-me dicas para tirar este cheiro horroroso antes que me dê um treco!

domingo, 5 de maio de 2013

O primeiro Domingo de Maio


Imaginava lá eu que em 2006 festejaria o último dia da mãe com a minha mãe. Enchi-a de presentes. Lembro-me que chorámos abraçadas uma à outra. No fundo não queríamos presentes. Queríamos mais tempo. Queríamos uma cura. Um milagre.
Hoje, não tenho a mãe que tanto queria beijar. Mas tenho a filha a quem entalho os lençóis à noite, a quem encho de mimos cada vez que cai, quem carrego ao colo quando precisa de mimo, a quem prego ralhetes quando passa das marcas, a quem costuro vestidos para as bonecas, a quem obrigo a comer sopa, a quem leio histórias mesmo cheia de sono, a quem ensino as constelações na noites de agosto, a quem faço todos os bolos de aniversário, com quem planto dálias, ervilhas-de-cheiro e alfazema. Como a melhor mãe do mundo me ensinou.
Não há dia em que não sinta falta dela, da voz dela, do cheiro dela, do riso dela. E dói-me. Mas guardo essa saudade num sítio bem escondido no fundo do meu coração, para de cada vez que a Laura me perguntar se tenho não tenho saudades da minha mãe, eu conseguir responder com um sorriso sincero "Sim, tenho. Muitas. Imensas. Mas guardo-a aqui no meu peito para todo o sempre". E ela sorri também.

Por isso, tal como todos os dias desde que a Laura nasceu, todos os dias são nossos. E hoje foi dia de pequeno-almoço no sofá, de me oferecerem flores, de irmos à praia brincar, de uma birra porque a barbie tinha as maminhas à mostra e não encontrávamos a parte de cima, foi dia de fazer festinhas à Essi e à Magali, foi dia de sol, de falar mal do passos coelho, de abraços, de cantigas, de rock no auto-rádio, de insistir para que coma a sopa, foi dia de vestidos às florzinhas, de espalhar creme depois do banho, de pentear cabelos cheios de nós, de fazer rir a melhor filha do mundo e deixar-me levar pelo sorriso doce dela e deixá-la dar mais um mergulho. Dois. Três.

Já te ofereci a minha felicidade numa bandeja. A minha felicidade a ti te devo. Por me ensinares a ser forte. Por me ensinares o que realmente importa.
Obrigada, Mãe! Feliz dia da mãe, Mãe!