Lolitar.
(do latim aparvalhare, um)
v. int.
1. Acto de fazer lolitagens;
2. Deitar cá para fora amarguras, irritações, parvoíces e palavras pirosas do coração;
3.O mesmo que esticar o cabelo na marquise da Rosa.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
E se fosse contigo? E se fosse com o teu filho ou com a tua filha?
Era uma vez uma mãe que trabalhava a recibos verdes. Era uma vez uma mãe que não arranjava vaga para a sua filha em nenhuma creche que conseguisse pagar. Era uma vez uma mãe que durante um ano inteiro levou a filha consigo para o trabalho.
Assisti a tudo: a aprender a gatinhar, a bater palminhas, a dizer adeus, as primeiras palavras, aos primeiros passos, mas sempre com o coração de mãe a dizer-me que não era o ambiente adequado a uma criança.
Era uma vez a minha história. Uma amiga que era assistente social disse-me para eu ligar à XXXXXX e explicar que a minha filha estava a crescer no meu posto de trabalho, em vez de crescer com outros meninos, numa escolinha.
Contei a minha história e no dia seguinte recebi um telefonema: a L. tinha sido aceite e ia frequentar a creche. Ia poder brincar o dia todo e ter a atenção que uma criança pequena merece ter (e não tem se a mãe está a trabalhar).
Foi crescendo, feliz, equibrada, estimulada.
Passou para o jardim de infância. Com uma educadora fantástica, cheia de energia, paciência e muito mimo para dar.
Numa reunião foi –me transmitido que iam fazer a experiência de tirar a sesta aos meninos dos 3 anos… na ignorância de mamã de 1ª viagem e pela confiança que tinha na educadora, apesar de torcer o nariz, deixei. Mas vim para casa ler artigos de pediatras, educadoras e pedo-psiquiatras que falavam em ser uma “tortura” tirarem a sesta às crianças. E apercebi-me da gravidade da situação. A maior parte dos pais não estava minimamente preocupado – era óptimo os miúdos estarem já na cama, para se poder ver a telenovela em paz, lá em casa.
Falei com uma jornalista (mãe, também) que ficou horrorizada com a situação e fez uma peça sobre o quanto era importante a hora da sesta e dos benefícios que isso trazia.
Como que por milagre, no final da semana, já os meninos dos 3 anos dormiam todos a sesta, “porque este tipo de atitude não se enquadra na orientação pedagógica do estabelecimento XXXX” – se não se enquadra, para quê a experiência?
Este stress passou e os meninos continuaram a crescer.
O Pai Natal trouxe-lhes um porquinho da índia – que já tivemos o privilégio de ter como visita de fim-de-semana. Construíram laços uns com uns outros, tornaram-se amigos. São 3 anos de convivência diária, de aprendizagem constante e de muita brincadeira.
Na última reunião de pais recebemos a notícia que os meninos que não residem na área do estabelecimento não vão poder frequentar o 2º ano do jardim de infância.
Aleguei tudo e mais alguma coisa na reunião: Se uma criança está perfeitamente integrada a meio de um ciclo de estudos (1º ano do jardim de infância), porquê obriga-la a mudar de estabelecimento, tendo que mudar de hábitos, de educadora, de amigos? Não seria de dar continuidade a todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido quer pelo pessoal do estabelecimento XXXXX quer pelas nossas crianças (quer a nível educativo, quer a nível comportamental e afectivo), pensar no bem-estar delas e evitar esta mudança?
São ordens superiores (na história da sesta ouvi exactamente este argumento) e não se pode fazer nada contra isso.
Contactei o Ministério da Educação, e a senhora que me atendeu nem queria acreditar. Que tal coisa nunca tinha acontecido, mas que não podia fazer nada – só em relação aos jardins de infância públicos, que defendem a prioridade em relação a crianças que já frequentam o estabelecimento.
Insisti, entreguei a matrícula da L. na mesma, com o comprovativo de que a tinha matriculado noutras escolas, porque assim era exigido.
Também me aconselharam a matriculá-la no estabelecimento XXXX da minha área de residência, que não aceita meninos que completem os 4 anos em 2011, mas também não “expulsam” os que já lá estão e não residem perto.
Escrevi ao órgão máximo da instituição, como mãe, a pedir-lhe, por favor, para ter em atenção o bem-estar destas crianças.
Recebi uma carta de resposta com Decretos-Lei que nunca foram postos em prática, porque se o tivessem sido, a L. nunca teria entrado para aquela creche e depois para o 1º ano do infantário. Tudo em nome da implementação do “Sistema de Gestão de Qualidade”. Que grande qualidade esta. Pensar na continuidade educativa destas crianças em último lugar!
Os amigos e a família tentam dar-me alento “deixa lá, os miúdos adaptam-se!”, mas e se fosse com vocês? Estavam na 3ª classe e quando iam passar para a 4ª obrigavam-vos a mudar de escola, de amigos, de professor? Gostavam? Faz algum sentido? Porque no meio de todas estas histórias quem paga a factura é ela.
Vou ter que pegar na minha filha e “encaixá-la” onde houver vaga… sem poder avaliar as educadoras, as auxiliares, o ambiente em si. Já fiz isso uma vez e correu bem. E se desta vez não correr bem? E quando ela me perguntar pelos amigos? E pelo porquinho da índia? Que respondo eu? Que está na escolinha dos grandes? É que no ano a seguir vai mudar novamente para a pré-primária. Que benefícios poderão trazer estas mudanças todas a seres tão pequeninos? Ao ponto a que cheguei: sou eu a mãe e sinto que não a estou a proteger convenientemente…
Agora só me resta a carta à Segurança Social… e que seja alguém evoluído e humano a lê-la…
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Ai Lolitas, Lolitas!
Quase um mês sem lolitar no blog!
E não se compreende: eles foram festas de aniversário com chuva e sem chuva, eles foram santos populares e mini-férias no alentejo, eles foram tertúlias no chapitô com vestidos vintage, eles foram concertos de rock e troca de bikinis!
A nós ninguém nos pára! Por falar em pára, queridas amigas, onde pára essa manta? É que durante a noite sabe bem uma mantinha a tapar as pernas! (e além disso não páro de pensar em mojitos!!)
E não se compreende: eles foram festas de aniversário com chuva e sem chuva, eles foram santos populares e mini-férias no alentejo, eles foram tertúlias no chapitô com vestidos vintage, eles foram concertos de rock e troca de bikinis!
A nós ninguém nos pára! Por falar em pára, queridas amigas, onde pára essa manta? É que durante a noite sabe bem uma mantinha a tapar as pernas! (e além disso não páro de pensar em mojitos!!)
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Se as Lolitas morassem na Costa da Caparica
eram certamente Lolitas mais magras! Com dores nas nádegas e escaldões nos tornozelos, mas efectivamente, mais magras.... pena o vento!
terça-feira, 10 de maio de 2011
Porque sou uma Lolita em estado de choque
e é importante partilhar este tipo de coisas, para não se perder noção da realidade, nem nos esquecermos de lutar por um direito fundamental: o direito à liberdade de expressão!!!
https://www.youtube.com/watch?v=ngMyjZVOG4U&feature=player_embedded
A polícia portou-se como um verdadeiro animal, o que, infelizmente, já vem sendo hábito! Só me vem à cabeça uma coisa: não era enfiar balázios na cabeça destes bruta-montes! Era enfiar-lhes a merda das shot guns goela abaixo para ver se gostavam!
Escandalosa é ainda a (não) reacção da comunicação social e dos partidos políticos.
Tenho vergonha da merda em que este mundo se tornou!
https://www.youtube.com/watch?v=ngMyjZVOG4U&feature=player_embedded
A polícia portou-se como um verdadeiro animal, o que, infelizmente, já vem sendo hábito! Só me vem à cabeça uma coisa: não era enfiar balázios na cabeça destes bruta-montes! Era enfiar-lhes a merda das shot guns goela abaixo para ver se gostavam!
Escandalosa é ainda a (não) reacção da comunicação social e dos partidos políticos.
Tenho vergonha da merda em que este mundo se tornou!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
o meu espanholito
Depois de duas horas a falar o que eu achava ser o meu melhor castelhano com a Carla, clássica e maravilhosa porteña de Buenos Aires ela diz-me: percebo tão bem o teu português!
... enfim...
Depois de duas frases, cada uma com duas palavras, trocadas com um senhor numa livraria ele pergunta-me: és espanhola?
Ajudem-me: que história destas é que eu conto quando em Lisboa me perguntarem se me desenrasquei com o castelhano?
... enfim...
Depois de duas frases, cada uma com duas palavras, trocadas com um senhor numa livraria ele pergunta-me: és espanhola?
Ajudem-me: que história destas é que eu conto quando em Lisboa me perguntarem se me desenrasquei com o castelhano?
domingo, 3 de abril de 2011
À VIDA
Porque nada seria sem as minhas amigas.
O bom, o mau, o ontem, o amanhã, a alegria, a tristeza.
Nada seria.
Tudo é, porém.
A todas, pela vida.
O bom, o mau, o ontem, o amanhã, a alegria, a tristeza.
Nada seria.
Tudo é, porém.
A todas, pela vida.
quinta-feira, 31 de março de 2011
O AR DO TEMPO, AS MODAS, OS DEFEITOS DE PROFISSÃO. E EU COM ISSO?
Uma carta aberta às lolitas, minhas vidas pequeninas também, e a quem lê - ainda somos alguns, e com uma capacidade de indignação que alto lá com ela.
(e a eurídice volta a escrever na 3ª pessoa, de quando em vez, aqui e ali, porque queria ter sido jogadora de futebol - avançado esquerdo, para ser mais exacta)
A eurídice trabalha (até ver, que com esta atitudezinha não há-de ganhar grande fama) num sítio onde se fazem livros. Que se pode dizer acerca disso? Bem, que é porreiríssimo, para começar. Não sei fazer grande coisa. Sou da Maria Pia, estava muito limitada à partida. Já foi uma sorte não me ter metido na diabetes.
A eurídice trabalha num sítio onde se fazem livros em Portugal, para portugueses ou falantes da língua coiso, com dinheiro proveniente do sítio dito, afins, enfns. E costumo enumerar todas estas circunstâncias como obstáculos, pois claro, porque sou má-língua e ingrata e tudo isso que estão a pensar.
Às vezes, lá vai a eurídice ao estrangeiro, travaille oblige, fazer o que se faz e sempre fez por cá: importar, importar, importar. Importar é bom, atenção. Nada contra. O proteccionismo cultural só faz bem à cultura da batata e eu até gosto bem de batatas mas isso parece que não vem ao caso.
O que eu queria verdadeiramente, do fundo do meu ser, era que alguém me explicasse a frase: "what type of books are you looking for? Misery memoir? Sexy goblin-vampire dystopian sci-fi fantasy? Or ghosts meet zombies and mermaids in the after-world?"
Do que é que eu estou à procura?
Eu achava que estava à procura de livros infantis e juvenis adequados interessantes, inteligentes, que preencham os ensejos de reconhecimento do eu, de formação individual num mundo plural, de valorização da multiplicidade e reconhecimento da unicidade, que ajudem os chefes de governo, professores e cientistas de amanhã a formar uma consciência cívica e um espírito crítico, a desenvolver a auto-análise e o respeito pelo outro e pelo próprio, a criar uma estética própria e participante da comunidade, a expressar a individualidade e a ansiar pela do outro, a perceber o mundo e a querer mudança.
Eu estou à procura de literatura, animal!
Não estou, de todo, à procura de uma maneira fácil de fazer catálogo, de impingir desalmadamente ao patronato nacos de prosa e enredos de fazer corar de desaforo as bochechas de qualquer pessoa com o ensino obrigatório de 1954, de encher estantes de livrarias com cocós importados (temos cocós nacionais, perfeitamente bons, a cada escaparate. Para quê importar o cocó dos outros?), de alienar e estupidificar toda uma geração - ou várias, agora com esta coisa do jovem-adulto a saltar dos créditos à habitação para a sectarização editorial?
Por isso, minha senhora agente "literária", da próxima vez que me disser "This a book by an old author of ours. His previous books were very literary, but this new series is much, much better. Highly commercial, simple plot, action driven, perfect for a middle-grade list", tire esse sorriso labrego da cara, arrume o entusiasmo untuoso na gaveta e esconda-se num cantinho do armazém da editora ou agência que a emprega, com vergonha de sair à rua enquanto no mundo houver gente que ainda ache que livros para crianças e literatura são indissociáveis e uma e a mesma coisa.
Do que é que eu estou à procura?
Voilá.
(e a eurídice volta a escrever na 3ª pessoa, de quando em vez, aqui e ali, porque queria ter sido jogadora de futebol - avançado esquerdo, para ser mais exacta)
A eurídice trabalha (até ver, que com esta atitudezinha não há-de ganhar grande fama) num sítio onde se fazem livros. Que se pode dizer acerca disso? Bem, que é porreiríssimo, para começar. Não sei fazer grande coisa. Sou da Maria Pia, estava muito limitada à partida. Já foi uma sorte não me ter metido na diabetes.
A eurídice trabalha num sítio onde se fazem livros em Portugal, para portugueses ou falantes da língua coiso, com dinheiro proveniente do sítio dito, afins, enfns. E costumo enumerar todas estas circunstâncias como obstáculos, pois claro, porque sou má-língua e ingrata e tudo isso que estão a pensar.
Às vezes, lá vai a eurídice ao estrangeiro, travaille oblige, fazer o que se faz e sempre fez por cá: importar, importar, importar. Importar é bom, atenção. Nada contra. O proteccionismo cultural só faz bem à cultura da batata e eu até gosto bem de batatas mas isso parece que não vem ao caso.
O que eu queria verdadeiramente, do fundo do meu ser, era que alguém me explicasse a frase: "what type of books are you looking for? Misery memoir? Sexy goblin-vampire dystopian sci-fi fantasy? Or ghosts meet zombies and mermaids in the after-world?"
Do que é que eu estou à procura?
Eu achava que estava à procura de livros infantis e juvenis adequados interessantes, inteligentes, que preencham os ensejos de reconhecimento do eu, de formação individual num mundo plural, de valorização da multiplicidade e reconhecimento da unicidade, que ajudem os chefes de governo, professores e cientistas de amanhã a formar uma consciência cívica e um espírito crítico, a desenvolver a auto-análise e o respeito pelo outro e pelo próprio, a criar uma estética própria e participante da comunidade, a expressar a individualidade e a ansiar pela do outro, a perceber o mundo e a querer mudança.
Eu estou à procura de literatura, animal!
Não estou, de todo, à procura de uma maneira fácil de fazer catálogo, de impingir desalmadamente ao patronato nacos de prosa e enredos de fazer corar de desaforo as bochechas de qualquer pessoa com o ensino obrigatório de 1954, de encher estantes de livrarias com cocós importados (temos cocós nacionais, perfeitamente bons, a cada escaparate. Para quê importar o cocó dos outros?), de alienar e estupidificar toda uma geração - ou várias, agora com esta coisa do jovem-adulto a saltar dos créditos à habitação para a sectarização editorial?
Por isso, minha senhora agente "literária", da próxima vez que me disser "This a book by an old author of ours. His previous books were very literary, but this new series is much, much better. Highly commercial, simple plot, action driven, perfect for a middle-grade list", tire esse sorriso labrego da cara, arrume o entusiasmo untuoso na gaveta e esconda-se num cantinho do armazém da editora ou agência que a emprega, com vergonha de sair à rua enquanto no mundo houver gente que ainda ache que livros para crianças e literatura são indissociáveis e uma e a mesma coisa.
Do que é que eu estou à procura?
Voilá.
Hoje não é só sobre o 58
É sobre o 16, o 36, o 44, o 45 e o 46. É sobre o 58. É sobre praticamente quase todos os autocarros desta cidade cheia de gente.
É sobre uma coisinha que me irrita solenemente. Ok, é sobre duas coisinhas que me irritam solenemente.
A primeira: não entendo como é que ainda ninguém explicou aos passageiros da carris que a entrada para o autocarro e o acender a luz verde da máquina do passe, não é uma procissão!!!!!!!!!!!!!! é uma coisa que tem que se fazer, senão começávamos todos a entrar pelas janelas, e de preferência que seja rápido porque há gente carregada com compras e mais putos e ao colo e estão atrasadas para ir trabalhar.
A segunda: é a sina que eu tenho de me esconder nos lugares no fundo do autocarro, para ter a minha privacidade e ir sossegadinha com os meus livros e os meus pensamentos, e pumba! há dezenas de lugares vazios, mas tem que ser ao mau lado?? mas porquê????????? gostam do meu perfume? têm frio? Que o digam, que falem comigo, em vez de me espetarem com sacos do minopreço nas pernas ou me chatearem com a música alta. É que invadem de forma descarada o meu espaço vital. deixam-me com falta de ar e a desejar ter trazido "brise" na mala.
E eu hoje que só queria ir apanhar sol para a Gulbenkian!
É sobre uma coisinha que me irrita solenemente. Ok, é sobre duas coisinhas que me irritam solenemente.
A primeira: não entendo como é que ainda ninguém explicou aos passageiros da carris que a entrada para o autocarro e o acender a luz verde da máquina do passe, não é uma procissão!!!!!!!!!!!!!! é uma coisa que tem que se fazer, senão começávamos todos a entrar pelas janelas, e de preferência que seja rápido porque há gente carregada com compras e mais putos e ao colo e estão atrasadas para ir trabalhar.
A segunda: é a sina que eu tenho de me esconder nos lugares no fundo do autocarro, para ter a minha privacidade e ir sossegadinha com os meus livros e os meus pensamentos, e pumba! há dezenas de lugares vazios, mas tem que ser ao mau lado?? mas porquê????????? gostam do meu perfume? têm frio? Que o digam, que falem comigo, em vez de me espetarem com sacos do minopreço nas pernas ou me chatearem com a música alta. É que invadem de forma descarada o meu espaço vital. deixam-me com falta de ar e a desejar ter trazido "brise" na mala.
E eu hoje que só queria ir apanhar sol para a Gulbenkian!
quinta-feira, 10 de março de 2011
A Chucha no 58
Este é um tema mais do que batido nos meus posts e comentários.
É um tema mais que batido nos cafés lá da zona e nos autocarros que apanhamos.
É um tema que já me irrita de uma maneira impossível de explicar.
É um tema que já me torna quase violenta e com vontade de bater em alguém.
É raro o dia em que não tenho que ouvir alguém dirigir-se à Laura com uma exclamaçao do género "Tão crescida e de chucha?", "Ai tão feia, a menina de chucha!", "A menina não tem vergonha de usar chucha?"...
Ontem aconteceu uma coisa que me deixou extremamente orgulhosa.
Iamos no autocarro, ao final do dia. A Laura ia a comer uma cenoura e sentou-se à nossa frente uma menina com a mesma idade que ela, mas a comer um bolicau.
Ao nosso lado, ia uma senhora de idade (daquelas que ocupam 2 ou 3 lugares só com o rabo).
A mãe da menina da frente reparou que a Laura tinha numa mão a chucha pendurada no nariz do amigo. E começa a festa: "vocês têm a mesma idade, mas tu és mais bebé porque ainda andas de chucha!". "Ai és tão bebé, blá blá blá chucha, blá blá blá bebé!"... "E o mal que isso faz aos dentes??? Ficam com os dentes todos estragados!"
E foi a gota de água! Olhei para a mãe da miúda com aquele olhar "se não te calas atiro-te pela janela fora" e disse-lhe bem alto para ter a certeza que ela ouvia "Estraga os dentes, é??? O que estraga os dentes é darem bolicaos a meninas de 3 anos!"
A mãe corou e fez um sorriso amarelo.
A velhota do lado continuou "pois, porque eu tenho uma neta que ficou com os dentes tortos para sempre, bla blá blá tortos"!
Então a miudinha sentada à frente da Laura aproveitou a boleia e começou a tentar gozar com a minha filhota. "Ainda és bebé porque usas chucha na na na nana!"

A Laura engoliu o bocadinho de cenoura que tinha na boca, olhou para ela e respondeu-lhe (exactamente com estas palavras):
- Eu não sou bebé. Eu posso usar chucha, mas não ponho os pés em cima do banco"!
A miuda levou uma palmada da mãe na perna para tirar os pés de cima do banco, e eu senti-me a mãe mais feliz e orgulhosa do universo e arredores. Fui o caminho todo a pensar "Embrulha lá isto, mundo!!!"
Já agora, a respeito da chucha, e para acabar com todas as dúvidas sobre estragar ou não estragar dentes, leiam isto: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=1037623118F03A1FE0440003BA2C8E70&opsel=2&channelid=0
E não me chaguem mais a cabeça nem à Laura que eu posso-me transformar num monstro (ou numa ciganita) a qualquer momento! Ou então levam uma resposta de uma miuda de 3 anos que pode ser um bocadinho humilhante!!
É um tema mais que batido nos cafés lá da zona e nos autocarros que apanhamos.
É um tema que já me irrita de uma maneira impossível de explicar.
É um tema que já me torna quase violenta e com vontade de bater em alguém.
É raro o dia em que não tenho que ouvir alguém dirigir-se à Laura com uma exclamaçao do género "Tão crescida e de chucha?", "Ai tão feia, a menina de chucha!", "A menina não tem vergonha de usar chucha?"...
Ontem aconteceu uma coisa que me deixou extremamente orgulhosa.
Iamos no autocarro, ao final do dia. A Laura ia a comer uma cenoura e sentou-se à nossa frente uma menina com a mesma idade que ela, mas a comer um bolicau.
Ao nosso lado, ia uma senhora de idade (daquelas que ocupam 2 ou 3 lugares só com o rabo).
A mãe da menina da frente reparou que a Laura tinha numa mão a chucha pendurada no nariz do amigo. E começa a festa: "vocês têm a mesma idade, mas tu és mais bebé porque ainda andas de chucha!". "Ai és tão bebé, blá blá blá chucha, blá blá blá bebé!"... "E o mal que isso faz aos dentes??? Ficam com os dentes todos estragados!"
E foi a gota de água! Olhei para a mãe da miúda com aquele olhar "se não te calas atiro-te pela janela fora" e disse-lhe bem alto para ter a certeza que ela ouvia "Estraga os dentes, é??? O que estraga os dentes é darem bolicaos a meninas de 3 anos!"
A mãe corou e fez um sorriso amarelo.
A velhota do lado continuou "pois, porque eu tenho uma neta que ficou com os dentes tortos para sempre, bla blá blá tortos"!
Então a miudinha sentada à frente da Laura aproveitou a boleia e começou a tentar gozar com a minha filhota. "Ainda és bebé porque usas chucha na na na nana!"

A Laura engoliu o bocadinho de cenoura que tinha na boca, olhou para ela e respondeu-lhe (exactamente com estas palavras):
- Eu não sou bebé. Eu posso usar chucha, mas não ponho os pés em cima do banco"!
A miuda levou uma palmada da mãe na perna para tirar os pés de cima do banco, e eu senti-me a mãe mais feliz e orgulhosa do universo e arredores. Fui o caminho todo a pensar "Embrulha lá isto, mundo!!!"
Já agora, a respeito da chucha, e para acabar com todas as dúvidas sobre estragar ou não estragar dentes, leiam isto: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=1037623118F03A1FE0440003BA2C8E70&opsel=2&channelid=0
E não me chaguem mais a cabeça nem à Laura que eu posso-me transformar num monstro (ou numa ciganita) a qualquer momento! Ou então levam uma resposta de uma miuda de 3 anos que pode ser um bocadinho humilhante!!
segunda-feira, 7 de março de 2011
uma festa de infância
há dias especiais. e pessoas assim "como eu" gostam de relembrar a infância. e foi isso que se fez no palácio do poço dos mouros no sábado. o alfredo foi o mickey. nós fomos smarties, legos, música de intervenção, game boy, douradinhos, branca de neve, soldadinho de chumbo, mira estática, bolacha maria, e outros. e houve quarto escuro, e foi do melhor. e houve músicas infantis. e houve cadáveres esquisitos, e bonitos brindes em grupo e foi das festas do palácio onde andámos mais juntinhos a aproveitar espaços pequenos, a abrir pistas de dança com 1m2 todos apertadinhos. fez-me lembrar "aquelas" festas de infância. e foi bom e saímos de lá tarde e com vontade de repetir. e saímos mais próximos, mais amigos, quentinhos por dentro com as recordações de infância que afinal são tão as mesmas, mesmo com idades tão diferentes.
fica prometido o cadaver esquisito aqui, todo escrito, assim todo de seguida, assim todo a nossa voz!
fica prometido o cadaver esquisito aqui, todo escrito, assim todo de seguida, assim todo a nossa voz!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
trabalhar com lolitas
Devo dizer que a vida seria muito mais fácil se trabalhássemos sempre com lolitas & companhia. Ontem a querida sophia trabalhou comigo e essas duas horas deu para, a saber:
- fotografar cenas sem interesse
- fotografar cenas com interesse
- fotografar comida para a miúda ficar contente
- comer tempura de camarão com salda de pepino sésamo e menta, mexilhão ao vapor com molho de mirin e chili, requeijão de ovelha com picadinho de tomate e coentros com tostas de centeio escuro, bolo de chocolate amargo com bolachas quentes de pistachios e crème brulée com açúcar queimado
- beber cocktails
- fotografar coktails vermelhos contra paredes verdes
- desabafar que isto é moça que não via amigos há dias, o que significa mais ou menos uma eternidade
- fumar ao frio
- fazer contactos com o cozinheiro para fotografar mais comida que é o que se quer
- lançar boatos
- outros
Belo dia em que te raptei para "minha" fotógrafa não foi?
- fotografar cenas sem interesse
- fotografar cenas com interesse
- fotografar comida para a miúda ficar contente
- comer tempura de camarão com salda de pepino sésamo e menta, mexilhão ao vapor com molho de mirin e chili, requeijão de ovelha com picadinho de tomate e coentros com tostas de centeio escuro, bolo de chocolate amargo com bolachas quentes de pistachios e crème brulée com açúcar queimado
- beber cocktails
- fotografar coktails vermelhos contra paredes verdes
- desabafar que isto é moça que não via amigos há dias, o que significa mais ou menos uma eternidade
- fumar ao frio
- fazer contactos com o cozinheiro para fotografar mais comida que é o que se quer
- lançar boatos
- outros
Belo dia em que te raptei para "minha" fotógrafa não foi?
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Tudo o que se pode exigir de um sábado
Acordar com a piolha no meio de nós, bem disposta e a dar os bons dias com beijinhos e abraços.
A Essi e a Magali dançam sapateado no soalho e abanam as caudinhas, como que a pedir para irem ao jardim apanhar sol.
Pequeno-almoço no vale dos lençóis, banhinho e siga para a manhã mais desejada de toda a semana:
Tudo corre bem. Está sol. O meu pai vem beber café comigo e pomos a conversa em dia.
A Laura dança feliz e faz-me esquecer de todo o mal que existe no mundo. É a minha (nossa) fada da cor e da alegria.
Brincamos no autocarro que nos traz de volta a casa. Saímos na paragem para ir comprar massa de lacinhos, que tinha prometido para o almoço, e dançamos para atravessar a rua.
De volta a casa. A Laura é a mãe dos bebés e eu sou a avó, enquanto o almoço coze. Lemos-lhes a história da caracolinhos de ouro.
O pai chega e almoçamos. É tão bom estarmos juntos.
Mais uma saída. Não, o pai não pode vir connosco porque tem que ir trabalhar. Vamos ver a peça e depois contamos tudo ao pai.
Num dos 2 autocarros que apanhámos para chegar ao destino a Laura começa a esfregar os olhinhos. "Faz ó-ó, menina da mãe, faz ó-ó que o soninho já vem". Não consegue adormecer porque diz que as pessoas estão zangadas, falam alto e não se sente confortável. Nada que um colinho não resolva.
Na paragem seguinte, há um jardim. Apanhamos malmequeres para enfeitar o nosso ninho.
Mais um autocarro e chegámos.
Com os olhinhos a brilhar porque a mãe a levou ao teatro. Responde ao La Féria que não é bebé e entramos na sala.
Apagam-se as luzes e sussurra-me ao ouvido: não tenhas medo, mãe. É mesmo assim.
Bateu palmas do princípio ao fim da peça. Cantou, dançou, riu-se! Ralhou com um dos actores porque se sentou em cima das flores do cenário.
Tudo estava perfeito: o sítio do picapau amarelo que eu conheci estava ali. Consegui acreditar. Os adereços, os cenários, as músicas... tudo estava impecável! Comovi-me! Não quero parecer saudosista, mas sinto umas cóceguinhas na barriga quando a minha piolha vibra com as coisas que eu vibrei quando tinha a idade dela.
Saímos e cruzámo-nos com um palhaço: uma moeda em troca de um balão em forma de flor. Seguimos para o metro de regresso a casa. Passámos pelo jardim dos montes.
A Essi e a Magali dançam sapateado no soalho e abanam as caudinhas, como que a pedir para irem ao jardim apanhar sol.
Pequeno-almoço no vale dos lençóis, banhinho e siga para a manhã mais desejada de toda a semana:
Tudo corre bem. Está sol. O meu pai vem beber café comigo e pomos a conversa em dia.
A Laura dança feliz e faz-me esquecer de todo o mal que existe no mundo. É a minha (nossa) fada da cor e da alegria.
Brincamos no autocarro que nos traz de volta a casa. Saímos na paragem para ir comprar massa de lacinhos, que tinha prometido para o almoço, e dançamos para atravessar a rua.
De volta a casa. A Laura é a mãe dos bebés e eu sou a avó, enquanto o almoço coze. Lemos-lhes a história da caracolinhos de ouro.
O pai chega e almoçamos. É tão bom estarmos juntos.
Mais uma saída. Não, o pai não pode vir connosco porque tem que ir trabalhar. Vamos ver a peça e depois contamos tudo ao pai.
Num dos 2 autocarros que apanhámos para chegar ao destino a Laura começa a esfregar os olhinhos. "Faz ó-ó, menina da mãe, faz ó-ó que o soninho já vem". Não consegue adormecer porque diz que as pessoas estão zangadas, falam alto e não se sente confortável. Nada que um colinho não resolva.
Na paragem seguinte, há um jardim. Apanhamos malmequeres para enfeitar o nosso ninho.
Mais um autocarro e chegámos.
Com os olhinhos a brilhar porque a mãe a levou ao teatro. Responde ao La Féria que não é bebé e entramos na sala.
Apagam-se as luzes e sussurra-me ao ouvido: não tenhas medo, mãe. É mesmo assim.
Bateu palmas do princípio ao fim da peça. Cantou, dançou, riu-se! Ralhou com um dos actores porque se sentou em cima das flores do cenário.
Tudo estava perfeito: o sítio do picapau amarelo que eu conheci estava ali. Consegui acreditar. Os adereços, os cenários, as músicas... tudo estava impecável! Comovi-me! Não quero parecer saudosista, mas sinto umas cóceguinhas na barriga quando a minha piolha vibra com as coisas que eu vibrei quando tinha a idade dela.
Saímos e cruzámo-nos com um palhaço: uma moeda em troca de um balão em forma de flor. Seguimos para o metro de regresso a casa. Passámos pelo jardim dos montes.

Hora da sesta, muito agarradinhas para não termos frio.
O pai chegou e nós acordámos.
Vamos festejar do dia dos namorados! Vamos cometer uma loucura e vamos jantar fora!
E fomos! E soube-nos tão bem. Conversámos, fizémos desenhos na toalha de papel e vimos a lua a conversar com as nuvens.
Porque somos a família perfeita. A família mais bonita que alguma vez conheci. A família que se ama até mais não. A família mais feliz do universo e arredores!
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
vai da malta dizer que nada lhe acontece...
... e bloqueiam-me o carro. E eu a pensar: "é só dinheiro e eu não sou apegada ao dinheiro e tenho tanta pressa e tanto que fazer e logo com o carro quem terá sido o ressabiado desgraçado piolhoso mal-amado que me denunciou à polícia eu que deixo sempre um espaço para os carrinhos de bebés e cadeiras de rodas que eu cá sou muito civilizada moro é num buraco onde não há lugar ainda por cima quando alcatroam a rua não há direitos nem sindicatos malta da morais soares uni-vos contra a falta de estacionamento e contra aqueles que também ocupam os passeios mas que saem de manhã para os seus trabalhos e eu quero ser ecológica e amiga do ambiente e trás toma lá 90 € pode pagar tudo em dinheiro claro espere só um bocado que vou ali levantar espero o tempo que for preciso não tenha pressa."
Não me incomodou nada. Nem um bocadinho. Já nem estou a pensar nisso.
Não me incomodou nada. Nem um bocadinho. Já nem estou a pensar nisso.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Maldita-pessoa-armada-em-psicólogo-da-treta...
... que me roubou a minha Sophia semanas a fio. Eu quero é amigas a almoçar comigo. Que isto fique claro.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Justiça divina
Pois é. Já me doía o corpinho todo do lado esquerdo por dançar o dirty dancing com espalho. Ontem ia eu com a minha cabecinha no ar e algo me chamou à terra a tempo de salvar uma senhora de ficar em baixo de um eléctrico. Foi bonito. Pois não tinham passado 3minutos e espalho-me sem dó nem piedade, ao comprido, desta vez sobre o lado direito. Haja algum equilíbrio. Resultado: vidas salvas - 1 ; braços que não mexem - 2 ; joelhos desfeitos - 2. Aqui não há equilíbrio nenhum. Nem justiça divina.
Como envelhecer 10 anos em 5 minutos...
É tão fácil... e pode acontecer a qualquer um de nós!
Chegámos a casa e a Laura pediu-me para ir brincar em casa do Zé e do Hugo - isto de eles serem uns bacanos e terem o JimJAm é uma desvantagem sobre qualquer mãe.
Disse-lhe que não achava boa ideia, ainda ontem lá tinha estado, eles têm direito a estar um bocadinho sossegados e nós podíamos brincar juntas, porque o jantar era só aquecer. Ok. Então posso comer um sugo? Podes, depois do jantar. E smarties? Já não há smarties na caixa da Sandra? Não, já não há... Amanhã lembras-me e eu compro!
Vamos brincar? Simmmmm! Vamos fazer um piquenique! Sim, vamos, boa ideia, Laura! Estendemos cobertores no chão da sala, o Chéché ia piquenicar connosco, a plasticina servia de ingredientes para fazermos a comidinha, dentro da caixinha que a Sandra ofereceu, já sem smarties.
De repente, a brincadeira já não era bem um piquenique. Agora já era dar banho à Essi e à Magali. A Magali adorou a ideia, a Essi nem tanto e começou a fazer fintas à Laura corredor fora, até à zona dos quartos.
Enquanto eu apanhava plasticina do chão, chamo a Laura e nada... Laura?! Essi?! Oh Laura?! Oh Essi?! Magali, onde andam as meninas? Por momentos pensei que estivessem a brincar às escondidas comigo, sem me avisarem (como naquela vez no C&A, em que achava que tinha perdido a minha filha no Colombo, mas afinal estávamos era a brincar às escondidas - quando ouvi um "cucu" atras de mim, abracei-a e trouxe-a para casa ao colo, bem apertadinha no meu peito, para ter a certeza de que não a perdia novamente, com ela a espernear porque com 1 ano andar sozinha é que é fixe).
Procurei por todo o lado. Debaixo das camas, atras das portas, dentro dos armários e roupeiros. Dentro da banheira. No quintal. Dentro da casinha de brincar.
No meio desta azáfama, aparece-me a Essi vinda do quintal. Essi, viste a Laura? Essi, Magali onde está o bebé? Digam-me! Onde está o bebé? A Magali abanava o rabinho, porque acha piada a tudo - menos a fazer dieta, e a Essi encolhia-se toda, porque a dona estava-se a começar a passar da cabeça!
Passou-me de tudo pela cabeça. Que tinha sido raptado por ETs. Que, como eu sempre tinha dito, é um anjo na terra e voou. Que era uma criança com super poderes, tornou-se invisivel e é por isso que não a encontro. Fugiu de casa, porque como mãe descontraída que sou, é raro fechar a porta da rua à chave. Também me passou pela cabeça ligar ao Rui. Ou à polícia. Ou aos dois ao mesmo tempo, já que tenho dois telemóveis. Estou sim?! É só para dizer que perdi a minha filha dentro da minha própria casa!!!!!!!!!!!
Estava louca! Doida! Fui outra vez às escadas de incêndio gritar pelo nome dela. A Essi cada vez mais assustada e a Magali contentíssima!
E, como que por magia, oiço a vozinha dela. A Laura esteve este tempo todo (uns 3 ou 4 minutos) na casa ao lado. Na casa dos vizinhos surdos que não ouvem uma mãe desesperada a gritar pelo seu rebento! Entrei de rompante, agarrei no braço da Laura, dei-lhe 3 berros e uma palmada no rabo. Arrastei-a até casa. Ela chorou, eu expliquei-lhe que me tinha pregado um dos maiores sustos da minha vida! Está proibida de sair de casa à procura de smarties sem me avisar!!
Abraçámo-nos com toda a força do mundo e ali ficámos no mimo. Também não gostavas que eu desaparecesse, pois não? Desculpa, mamã. Não volto a fazer! Posso ir a casa do Hugo? Podes, sim!
Depois fui aquecer a sopa. E fiquei a pensar que ganda cagaço que eu apanhei. Amanhã compro os smarties, sem falta!
O Rui chegou já estava a piolha a ir para o óó. Aninhei-me a ele e contei-lhe a história. Rimo-nos. Mas acreditem que envelheci 10 anos em 5 minutos!
Chegámos a casa e a Laura pediu-me para ir brincar em casa do Zé e do Hugo - isto de eles serem uns bacanos e terem o JimJAm é uma desvantagem sobre qualquer mãe.
Disse-lhe que não achava boa ideia, ainda ontem lá tinha estado, eles têm direito a estar um bocadinho sossegados e nós podíamos brincar juntas, porque o jantar era só aquecer. Ok. Então posso comer um sugo? Podes, depois do jantar. E smarties? Já não há smarties na caixa da Sandra? Não, já não há... Amanhã lembras-me e eu compro!
Vamos brincar? Simmmmm! Vamos fazer um piquenique! Sim, vamos, boa ideia, Laura! Estendemos cobertores no chão da sala, o Chéché ia piquenicar connosco, a plasticina servia de ingredientes para fazermos a comidinha, dentro da caixinha que a Sandra ofereceu, já sem smarties.
De repente, a brincadeira já não era bem um piquenique. Agora já era dar banho à Essi e à Magali. A Magali adorou a ideia, a Essi nem tanto e começou a fazer fintas à Laura corredor fora, até à zona dos quartos.
Enquanto eu apanhava plasticina do chão, chamo a Laura e nada... Laura?! Essi?! Oh Laura?! Oh Essi?! Magali, onde andam as meninas? Por momentos pensei que estivessem a brincar às escondidas comigo, sem me avisarem (como naquela vez no C&A, em que achava que tinha perdido a minha filha no Colombo, mas afinal estávamos era a brincar às escondidas - quando ouvi um "cucu" atras de mim, abracei-a e trouxe-a para casa ao colo, bem apertadinha no meu peito, para ter a certeza de que não a perdia novamente, com ela a espernear porque com 1 ano andar sozinha é que é fixe).
Procurei por todo o lado. Debaixo das camas, atras das portas, dentro dos armários e roupeiros. Dentro da banheira. No quintal. Dentro da casinha de brincar.
No meio desta azáfama, aparece-me a Essi vinda do quintal. Essi, viste a Laura? Essi, Magali onde está o bebé? Digam-me! Onde está o bebé? A Magali abanava o rabinho, porque acha piada a tudo - menos a fazer dieta, e a Essi encolhia-se toda, porque a dona estava-se a começar a passar da cabeça!
Passou-me de tudo pela cabeça. Que tinha sido raptado por ETs. Que, como eu sempre tinha dito, é um anjo na terra e voou. Que era uma criança com super poderes, tornou-se invisivel e é por isso que não a encontro. Fugiu de casa, porque como mãe descontraída que sou, é raro fechar a porta da rua à chave. Também me passou pela cabeça ligar ao Rui. Ou à polícia. Ou aos dois ao mesmo tempo, já que tenho dois telemóveis. Estou sim?! É só para dizer que perdi a minha filha dentro da minha própria casa!!!!!!!!!!!
Estava louca! Doida! Fui outra vez às escadas de incêndio gritar pelo nome dela. A Essi cada vez mais assustada e a Magali contentíssima!
E, como que por magia, oiço a vozinha dela. A Laura esteve este tempo todo (uns 3 ou 4 minutos) na casa ao lado. Na casa dos vizinhos surdos que não ouvem uma mãe desesperada a gritar pelo seu rebento! Entrei de rompante, agarrei no braço da Laura, dei-lhe 3 berros e uma palmada no rabo. Arrastei-a até casa. Ela chorou, eu expliquei-lhe que me tinha pregado um dos maiores sustos da minha vida! Está proibida de sair de casa à procura de smarties sem me avisar!!
Abraçámo-nos com toda a força do mundo e ali ficámos no mimo. Também não gostavas que eu desaparecesse, pois não? Desculpa, mamã. Não volto a fazer! Posso ir a casa do Hugo? Podes, sim!
Depois fui aquecer a sopa. E fiquei a pensar que ganda cagaço que eu apanhei. Amanhã compro os smarties, sem falta!
O Rui chegou já estava a piolha a ir para o óó. Aninhei-me a ele e contei-lhe a história. Rimo-nos. Mas acreditem que envelheci 10 anos em 5 minutos!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
A QUEM DE DIREITO
Ano bom, ano mau, dias melhores e dias piores.
Antes de me atirar aqui à minha mais recente empreitada, venho propor uma passagem de ano de lolitas.
Tal evento pretende, assim, suprir todas as falhas que temos, algumas, encontrado neste novo ano e também reiterar outras coisas boas que, apesar de tudo, algumas lolitas dizem estar a viver.
(pequeno aparte: a minha distensão é já só uma distensãozinha, e embora o autoagrafamento da minha pessoa a um livro tenha tentado debelar a minha fé inequívoca neste ano que arranca, drenei a ferida infecta que ameaçava o meu indicador com a aniquilação total e expurguei, assim, o mal que se instalava na minha alma crente e jovial. Mas ainda dói um bocadinho...)
(2º pequeno aparte: li A VELHICE DO PADRE ETERNO ontem em 3h e fiquei com o vocabulário assim. Não posso fazer nada, desculpem. Hoje vou ler ensaios e o GUARDADOR DE REBANHOS de trás para a frente. Amanhã sairá outra coisa, mais metafísica, sei lá. Não quero pensar, que a dor de pensar na árvore e na ceifeira que não existem lembram-me o nada de um girassol.)
Como alguém tem de pôr ordem nisto (neste ano, porque está muito desigual. Ainda não tive nenhum jantar onde aprendesse mais que em 3 meses, é injusto), aqui vai o meu
PROJECTO DE PASSAGEM DE ANO FANTÁSTICA E FENOMENAL DAQUELAS QU'A GENTE NUNCA MAIS ESQUECE. PÁ. :
a) - no previamente acordado dia 22 de Janeiro, as Lolitas reunir-se-ão no palácio da Rosa pelas 16H. Levaram consigo comida, bebida e retalhos.
b) - diz que vai estar sol. E diz que a Eurídice não pode ficar muito tempo porque as sevícias da vida de estudante assim lho impõem, pelo que é começar logo a a costurar e a refrescar a garganta (o calor que tem feito, ui!)
c) - antes do pôr-do-sol, as lolitas juntar-se-ão (na rua ou na varanda da Rosa) para celebrar a passagem do ano, com alegria, retalhos e luz! Porque a gente quer é sol e dias grandes para fazer muitas coisas
d) - a passagem do ano lolita deve ser feita comme il faut, ou seja, com a observação das seguintes superstições:
1) agarradinhas à manta (todas ao mesmo tempo)
2) com luz do dia
3) com alegria (vulgo: caiprinha/cerveja/água com açúcar)
E tenho a certeza de que assim, sim, ficaremos todas na paz das lolitas e em paz com o mundo e nada nos poderá fazer mal, porque passámos de ano ao sol e alegres. E 2011 é quando uma lolita quiser. E se não resultar, passamos já para 2012 daqui a uma semana, não custa nada. Diz que é bissexto e eu acho que é aziago, mas é só dizer!
Antes de me atirar aqui à minha mais recente empreitada, venho propor uma passagem de ano de lolitas.
Tal evento pretende, assim, suprir todas as falhas que temos, algumas, encontrado neste novo ano e também reiterar outras coisas boas que, apesar de tudo, algumas lolitas dizem estar a viver.
(pequeno aparte: a minha distensão é já só uma distensãozinha, e embora o autoagrafamento da minha pessoa a um livro tenha tentado debelar a minha fé inequívoca neste ano que arranca, drenei a ferida infecta que ameaçava o meu indicador com a aniquilação total e expurguei, assim, o mal que se instalava na minha alma crente e jovial. Mas ainda dói um bocadinho...)
(2º pequeno aparte: li A VELHICE DO PADRE ETERNO ontem em 3h e fiquei com o vocabulário assim. Não posso fazer nada, desculpem. Hoje vou ler ensaios e o GUARDADOR DE REBANHOS de trás para a frente. Amanhã sairá outra coisa, mais metafísica, sei lá. Não quero pensar, que a dor de pensar na árvore e na ceifeira que não existem lembram-me o nada de um girassol.)
Como alguém tem de pôr ordem nisto (neste ano, porque está muito desigual. Ainda não tive nenhum jantar onde aprendesse mais que em 3 meses, é injusto), aqui vai o meu
PROJECTO DE PASSAGEM DE ANO FANTÁSTICA E FENOMENAL DAQUELAS QU'A GENTE NUNCA MAIS ESQUECE. PÁ. :
a) - no previamente acordado dia 22 de Janeiro, as Lolitas reunir-se-ão no palácio da Rosa pelas 16H. Levaram consigo comida, bebida e retalhos.
b) - diz que vai estar sol. E diz que a Eurídice não pode ficar muito tempo porque as sevícias da vida de estudante assim lho impõem, pelo que é começar logo a a costurar e a refrescar a garganta (o calor que tem feito, ui!)
c) - antes do pôr-do-sol, as lolitas juntar-se-ão (na rua ou na varanda da Rosa) para celebrar a passagem do ano, com alegria, retalhos e luz! Porque a gente quer é sol e dias grandes para fazer muitas coisas
d) - a passagem do ano lolita deve ser feita comme il faut, ou seja, com a observação das seguintes superstições:
1) agarradinhas à manta (todas ao mesmo tempo)
2) com luz do dia
3) com alegria (vulgo: caiprinha/cerveja/água com açúcar)
E tenho a certeza de que assim, sim, ficaremos todas na paz das lolitas e em paz com o mundo e nada nos poderá fazer mal, porque passámos de ano ao sol e alegres. E 2011 é quando uma lolita quiser. E se não resultar, passamos já para 2012 daqui a uma semana, não custa nada. Diz que é bissexto e eu acho que é aziago, mas é só dizer!
o bom 2011
cheguei eu aqui cheia de boas intenções com uma vontade louca de contar às minhas lolitas como tenho estado a ter um ano fora de normal de bom e a Sophia premeia-nos com o texto que afirma exactamente o contrário... Sei que o ano tem tido dificuldades mas aquilo que eu tenho visto é altos e baixos nas lolitas, mas até muita amizade e bons planos. Lolitas que finalmente têm trabalho, outras que renovaram os contratos que já tinham, o aniversário da verinha mágica que juntou as lolitas numa noite de boa disposição e felicidade. E acho as lolitas todas mais carinhosas, mais amigas, mais próximas, mais calmas, mais felizes. Claro que a Eurídice tem uma distenção muscular e a Sophia um trabalho menos bom, é claro que há noites que nem consigo adormecer com as barbaridades que vejo no meu trabalho, a Vera tem problemas com a escola da Laurinha, etc, etc, etc, mas será isso um ano mau? Será que estas coisas fazem este um ano mau? A mim custa-me muito a acreditar nisso porque nos vejo a todas, sem excepção, mais felizes. Será tudo ponto de vista, acredito.
Tenho tido uns dias cheios de emoções felizes, cursos que me fazem sair de lá com o coração aos pulos, um jantar ontem com pessoas que não conhecia, que se estendeu noite fora onde aprendi mais do que em 3 meses de vida, o fim de semana cheio de amigos do coração, o bailado da Leonor no domingo e a família junta como nunca. Ontem nem conseguia adormecer com esta vontade louca de vos contar, a vocês lolitas (e a quem quiser ler isto) o jantar fantástico que tinha tido e as pessoas boas que conheci. E tive vontade de vos perguntar, ontem, já a meio da noite de insónias: viver é bom para caraças não é?
Tenho tido uns dias cheios de emoções felizes, cursos que me fazem sair de lá com o coração aos pulos, um jantar ontem com pessoas que não conhecia, que se estendeu noite fora onde aprendi mais do que em 3 meses de vida, o fim de semana cheio de amigos do coração, o bailado da Leonor no domingo e a família junta como nunca. Ontem nem conseguia adormecer com esta vontade louca de vos contar, a vocês lolitas (e a quem quiser ler isto) o jantar fantástico que tinha tido e as pessoas boas que conheci. E tive vontade de vos perguntar, ontem, já a meio da noite de insónias: viver é bom para caraças não é?
Subscrever:
Mensagens (Atom)









