sexta-feira, 6 de maio de 2011

o meu espanholito

Depois de duas horas a falar o que eu achava ser o meu melhor castelhano com a Carla, clássica e maravilhosa porteña de Buenos Aires ela diz-me: percebo tão bem o teu português!

... enfim...

Depois de duas frases, cada uma com duas palavras, trocadas com um senhor numa livraria ele pergunta-me: és espanhola?

Ajudem-me: que história destas é que eu conto quando em Lisboa me perguntarem se me desenrasquei com o castelhano?

domingo, 3 de abril de 2011

À VIDA

Porque nada seria sem as minhas amigas.
O bom, o mau, o ontem, o amanhã, a alegria, a tristeza.
Nada seria.
Tudo é, porém.

A todas, pela vida.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O AR DO TEMPO, AS MODAS, OS DEFEITOS DE PROFISSÃO. E EU COM ISSO?

Uma carta aberta às lolitas, minhas vidas pequeninas também, e a quem lê  - ainda somos alguns, e com uma capacidade de indignação que alto lá com ela.


(e a eurídice volta a escrever na 3ª pessoa, de quando em vez, aqui e ali, porque queria ter sido jogadora de futebol - avançado esquerdo, para ser mais exacta)

A eurídice trabalha (até ver, que com esta atitudezinha não há-de ganhar grande fama) num sítio onde se fazem livros. Que se pode dizer acerca disso? Bem, que é porreiríssimo, para começar. Não sei fazer grande coisa. Sou da Maria Pia, estava muito limitada à partida. Já foi uma sorte não me ter metido na diabetes.

A eurídice trabalha num sítio onde se fazem livros em Portugal, para portugueses ou falantes da língua coiso, com dinheiro proveniente do sítio dito, afins, enfns. E costumo enumerar todas estas circunstâncias como  obstáculos, pois claro, porque sou má-língua e ingrata e tudo isso que estão a pensar.

Às vezes, lá vai a eurídice ao estrangeiro, travaille oblige, fazer o que se faz e sempre fez por cá: importar, importar, importar. Importar é bom, atenção. Nada contra. O proteccionismo cultural só faz bem à cultura da batata e eu até gosto bem de batatas mas isso parece que não vem ao caso.

O que eu queria verdadeiramente, do fundo do meu ser, era que alguém me explicasse a frase: "what type of books are you looking for? Misery memoir? Sexy goblin-vampire dystopian sci-fi fantasy? Or ghosts meet zombies and mermaids in the after-world?"

Do que é que eu estou à procura?
Eu achava que estava à procura de livros infantis e juvenis adequados interessantes, inteligentes, que preencham os ensejos de reconhecimento do eu, de formação individual num mundo plural, de valorização da multiplicidade e reconhecimento da unicidade, que ajudem os chefes de governo, professores e cientistas de amanhã a formar uma consciência cívica e um espírito crítico, a desenvolver a auto-análise e o respeito pelo outro e pelo próprio, a criar uma estética própria e participante da comunidade, a expressar a individualidade e a ansiar pela do outro, a perceber o mundo e a querer mudança.

Eu estou à procura de literatura, animal!


Não estou, de todo, à procura de uma maneira fácil de fazer catálogo, de impingir desalmadamente ao patronato nacos de prosa e enredos de fazer corar de desaforo as bochechas de qualquer pessoa com o ensino obrigatório de 1954, de encher estantes de livrarias com cocós importados (temos cocós nacionais, perfeitamente bons, a cada escaparate. Para quê importar o cocó dos outros?), de alienar e estupidificar toda uma geração - ou várias, agora com esta coisa do jovem-adulto a saltar dos créditos à habitação para a sectarização editorial?

Por isso, minha senhora agente "literária", da próxima vez que me disser "This a book by an old author of ours. His previous books were very literary, but this new series is much, much better. Highly commercial, simple plot, action driven, perfect for a middle-grade list", tire esse sorriso labrego da cara, arrume o entusiasmo untuoso na gaveta e esconda-se num cantinho do armazém da editora ou agência que a emprega, com vergonha de sair à rua enquanto no mundo houver gente que ainda ache que livros para crianças e literatura são indissociáveis e uma e a mesma coisa.

Do que é que eu estou à procura?




Voilá.

Hoje não é só sobre o 58

É sobre o 16, o 36, o 44, o 45 e o 46. É sobre o 58. É sobre praticamente quase todos os autocarros desta cidade cheia de gente.
É sobre uma coisinha que me irrita solenemente. Ok, é sobre duas coisinhas que me irritam solenemente.
A primeira: não entendo como é que ainda ninguém explicou aos passageiros da carris que a entrada para o autocarro e o acender a luz verde da máquina do passe, não é uma procissão!!!!!!!!!!!!!! é uma coisa que tem que se fazer, senão começávamos todos a entrar pelas janelas, e de preferência que seja rápido porque há gente carregada com compras e mais putos e ao colo e estão atrasadas para ir trabalhar.
A segunda: é a sina que eu tenho de me esconder nos lugares no fundo do autocarro, para ter a minha privacidade e ir sossegadinha com os meus livros e os meus pensamentos, e pumba! há dezenas de lugares vazios, mas tem que ser ao mau lado?? mas porquê????????? gostam do meu perfume? têm frio? Que o digam, que falem comigo, em vez de me espetarem com sacos do minopreço nas pernas ou me chatearem com a música alta. É que invadem de forma descarada o meu espaço vital. deixam-me com falta de ar e a desejar ter trazido "brise" na mala.
E eu hoje que só queria ir apanhar sol para a Gulbenkian!

quinta-feira, 10 de março de 2011

A Chucha no 58

Este é um tema mais do que batido nos meus posts e comentários.
É um tema mais que batido nos cafés lá da zona e nos autocarros que apanhamos.
É um tema que já me irrita de uma maneira impossível de explicar.
É um tema que já me torna quase violenta e com vontade de bater em alguém.
É raro o dia em que não tenho que ouvir alguém dirigir-se à Laura com uma exclamaçao do género "Tão crescida e de chucha?", "Ai tão feia, a menina de chucha!", "A menina não tem vergonha de usar chucha?"...

Ontem aconteceu uma coisa que me deixou extremamente orgulhosa.
Iamos no autocarro, ao final do dia. A Laura ia a comer uma cenoura e sentou-se à nossa frente uma menina com a mesma idade que ela, mas a comer um bolicau.
Ao nosso lado, ia uma senhora de idade (daquelas que ocupam 2 ou 3 lugares só com o rabo).
A mãe da menina da frente reparou que a Laura tinha numa mão a chucha pendurada no nariz do amigo. E começa a festa: "vocês têm a mesma idade, mas tu és mais bebé porque ainda andas de chucha!". "Ai és tão bebé, blá blá blá chucha, blá blá blá bebé!"... "E o mal que isso faz aos dentes??? Ficam com os dentes todos estragados!"
E foi a gota de água! Olhei para a mãe da miúda com aquele olhar "se não te calas atiro-te pela janela fora" e disse-lhe bem alto para ter a certeza que ela ouvia "Estraga os dentes, é??? O que estraga os dentes é darem bolicaos a meninas de 3 anos!"
A mãe corou e fez um sorriso amarelo.
A velhota do lado continuou "pois, porque eu tenho uma neta que ficou com os dentes tortos para sempre, bla blá blá tortos"!
Então a miudinha sentada à frente da Laura aproveitou a boleia e começou a tentar gozar com a minha filhota. "Ainda és bebé porque usas chucha na na na nana!"



A Laura engoliu o bocadinho de cenoura que tinha na boca, olhou para ela e respondeu-lhe (exactamente com estas palavras):
- Eu não sou bebé. Eu posso usar chucha, mas não ponho os pés em cima do banco"!
A miuda levou uma palmada da mãe na perna para tirar os pés de cima do banco, e eu senti-me a mãe mais feliz e orgulhosa do universo e arredores. Fui o caminho todo a pensar "Embrulha lá isto, mundo!!!"

Já agora, a respeito da chucha, e para acabar com todas as dúvidas sobre estragar ou não estragar dentes, leiam isto: http://www.educare.pt/educare/Opiniao.Artigo.aspx?contentid=1037623118F03A1FE0440003BA2C8E70&opsel=2&channelid=0

E não me chaguem mais a cabeça nem à Laura que eu posso-me transformar num monstro (ou numa ciganita) a qualquer momento! Ou então levam uma resposta de uma miuda de 3 anos que pode ser um bocadinho humilhante!!

segunda-feira, 7 de março de 2011

uma festa de infância

há dias especiais. e pessoas assim "como eu" gostam de relembrar a infância. e foi isso que se fez no palácio do poço dos mouros no sábado. o alfredo foi o mickey. nós fomos smarties, legos, música de intervenção, game boy, douradinhos, branca de neve, soldadinho de chumbo, mira estática, bolacha maria, e outros. e houve quarto escuro, e foi do melhor. e houve músicas infantis. e houve cadáveres esquisitos, e bonitos brindes em grupo e foi das festas do palácio onde andámos mais juntinhos a aproveitar espaços pequenos, a abrir pistas de dança com 1m2 todos apertadinhos. fez-me lembrar "aquelas" festas de infância. e foi bom e saímos de lá tarde e com vontade de repetir. e saímos mais próximos, mais amigos, quentinhos por dentro com as recordações de infância que afinal são tão as mesmas, mesmo com idades tão diferentes.
fica prometido o cadaver esquisito aqui, todo escrito, assim todo de seguida, assim todo a nossa voz!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

trabalhar com lolitas

Devo dizer que a vida seria muito mais fácil se trabalhássemos sempre com lolitas & companhia. Ontem a querida sophia trabalhou comigo e essas duas horas deu para, a saber:

- fotografar cenas sem interesse
- fotografar cenas com interesse
- fotografar comida para a miúda ficar contente
- comer tempura de camarão com salda de pepino sésamo e menta, mexilhão ao vapor com molho de mirin e chili, requeijão de ovelha com picadinho de tomate e coentros com tostas de centeio escuro, bolo de chocolate amargo com bolachas quentes de pistachios e crème brulée com açúcar queimado
- beber cocktails
- fotografar coktails vermelhos contra paredes verdes
- desabafar que isto é moça que não via amigos há dias, o que significa mais ou menos uma eternidade
- fumar ao frio
- fazer contactos com o cozinheiro para fotografar mais comida que é o que se quer
- lançar boatos
- outros

Belo dia em que te raptei para "minha" fotógrafa não foi?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Tudo o que se pode exigir de um sábado

Acordar com a piolha no meio de nós, bem disposta e a dar os bons dias com beijinhos e abraços.
A Essi e a Magali dançam sapateado no soalho e abanam as caudinhas, como que a pedir para irem ao jardim apanhar sol.
Pequeno-almoço no vale dos lençóis, banhinho e siga para a manhã mais desejada de toda a semana:




Tudo corre bem. Está sol. O meu pai vem beber café comigo e pomos a conversa em dia.
A Laura dança feliz e faz-me esquecer de todo o mal que existe no mundo. É a minha (nossa) fada da cor e da alegria.
Brincamos no autocarro que nos traz de volta a casa. Saímos na paragem para ir comprar massa de lacinhos, que tinha prometido para o almoço, e dançamos para atravessar a rua.
De volta a casa. A Laura é a mãe dos bebés e eu sou a avó, enquanto o almoço coze. Lemos-lhes a história da caracolinhos de ouro.
O pai chega e almoçamos. É tão bom estarmos juntos.
Mais uma saída. Não, o pai não pode vir connosco porque tem que ir trabalhar. Vamos ver a peça e depois contamos tudo ao pai.
Num dos 2 autocarros que apanhámos para chegar ao destino a Laura começa a esfregar os olhinhos. "Faz ó-ó, menina da mãe, faz ó-ó que o soninho já vem". Não consegue adormecer porque diz que as pessoas estão zangadas, falam alto e não se sente confortável. Nada que um colinho não resolva.
Na paragem seguinte, há um jardim. Apanhamos malmequeres para enfeitar o nosso ninho.
Mais um autocarro e chegámos.
Com os olhinhos a brilhar porque a mãe a levou ao teatro. Responde ao La Féria que não é bebé e entramos na sala.
Apagam-se as luzes e sussurra-me ao ouvido: não tenhas medo, mãe. É mesmo assim.
Bateu palmas do princípio ao fim da peça. Cantou, dançou, riu-se! Ralhou com um dos actores porque se sentou em cima das flores do cenário.
Tudo estava perfeito: o sítio do picapau amarelo que eu conheci estava ali. Consegui acreditar. Os adereços, os cenários, as músicas... tudo estava impecável! Comovi-me! Não quero parecer saudosista, mas sinto umas cóceguinhas na barriga quando a minha piolha vibra com as coisas que eu vibrei quando tinha a idade dela.
Saímos e cruzámo-nos com um palhaço: uma moeda em troca de um balão em forma de flor. Seguimos para o metro de regresso a casa. Passámos pelo jardim dos montes.


Hora da sesta, muito agarradinhas para não termos frio.

O pai chegou e nós acordámos.

Vamos festejar do dia dos namorados! Vamos cometer uma loucura e vamos jantar fora!

E fomos! E soube-nos tão bem. Conversámos, fizémos desenhos na toalha de papel e vimos a lua a conversar com as nuvens.

Porque somos a família perfeita. A família mais bonita que alguma vez conheci. A família que se ama até mais não. A família mais feliz do universo e arredores!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

vai da malta dizer que nada lhe acontece...

... e bloqueiam-me o carro. E eu a pensar: "é só dinheiro e eu não sou apegada ao dinheiro e tenho tanta pressa e tanto que fazer e logo com o carro quem terá sido o ressabiado desgraçado piolhoso mal-amado que me denunciou à polícia eu que deixo sempre um espaço para os carrinhos de bebés e cadeiras de rodas que eu cá sou muito civilizada moro é num buraco onde não há lugar ainda por cima quando alcatroam a rua não há direitos nem sindicatos malta da morais soares uni-vos contra a falta de estacionamento e contra aqueles que também ocupam os passeios mas que saem de manhã para os seus trabalhos e eu quero ser ecológica e amiga do ambiente e trás toma lá 90 € pode pagar tudo em dinheiro claro espere só um bocado que vou ali levantar espero o tempo que for preciso não tenha pressa."

Não me incomodou nada. Nem um bocadinho. Já nem estou a pensar nisso.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Maldita-pessoa-armada-em-psicólogo-da-treta...

... que me roubou a minha Sophia semanas a fio. Eu quero é amigas a almoçar comigo. Que isto fique claro.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Justiça divina

Pois é. Já me doía o corpinho todo do lado esquerdo por dançar o dirty dancing com espalho. Ontem ia eu com a minha cabecinha no ar e algo me chamou à terra a tempo de salvar uma senhora de ficar em baixo de um eléctrico. Foi bonito. Pois não tinham passado 3minutos e espalho-me sem dó nem piedade, ao comprido, desta vez sobre o lado direito. Haja algum equilíbrio. Resultado: vidas salvas - 1 ; braços que não mexem - 2 ; joelhos desfeitos - 2. Aqui não há equilíbrio nenhum. Nem justiça divina.

Como envelhecer 10 anos em 5 minutos...

É tão fácil... e pode acontecer a qualquer um de nós!
Chegámos a casa e a Laura pediu-me para ir brincar em casa do Zé e do Hugo - isto de eles serem uns bacanos e terem o JimJAm é uma desvantagem sobre qualquer mãe.
Disse-lhe que não achava boa ideia, ainda ontem lá tinha estado, eles têm direito a estar um bocadinho sossegados e nós podíamos brincar juntas, porque o jantar era só aquecer. Ok. Então posso comer um sugo? Podes, depois do jantar. E smarties? Já não há smarties na caixa da Sandra? Não, já não há... Amanhã lembras-me e eu compro!
Vamos brincar? Simmmmm! Vamos fazer um piquenique! Sim, vamos, boa ideia, Laura! Estendemos cobertores no chão da sala, o Chéché ia piquenicar connosco, a plasticina servia de ingredientes para fazermos a comidinha, dentro da caixinha que a Sandra ofereceu, já sem smarties.
De repente, a brincadeira já não era bem um piquenique. Agora já era dar banho à Essi e à Magali. A Magali adorou a ideia, a Essi nem tanto e começou a fazer fintas à Laura corredor fora, até à zona dos quartos.
Enquanto eu apanhava plasticina do chão, chamo a Laura e nada... Laura?! Essi?! Oh Laura?! Oh Essi?! Magali, onde andam as meninas? Por momentos pensei que estivessem a brincar às escondidas comigo, sem me avisarem (como naquela vez no C&A, em que achava que tinha perdido a minha filha no Colombo, mas afinal estávamos era a brincar às escondidas - quando ouvi um "cucu" atras de mim, abracei-a e trouxe-a para casa ao colo, bem apertadinha no meu peito, para ter a certeza de que não a perdia novamente, com ela a espernear porque com 1 ano andar sozinha é que é fixe).
Procurei por todo o lado. Debaixo das camas, atras das portas, dentro dos armários e roupeiros. Dentro da banheira. No quintal. Dentro da casinha de brincar.
No meio desta azáfama, aparece-me a Essi vinda do quintal. Essi, viste a Laura? Essi, Magali onde está o bebé? Digam-me! Onde está o bebé? A Magali abanava o rabinho, porque acha piada a tudo - menos a fazer dieta, e a Essi encolhia-se toda, porque a dona estava-se a começar a passar da cabeça!
Passou-me de tudo pela cabeça. Que tinha sido raptado por ETs. Que, como eu sempre tinha dito, é um anjo na terra e voou. Que era uma criança com super poderes, tornou-se invisivel e é por isso que não a encontro. Fugiu de casa, porque como mãe descontraída que sou, é raro fechar a porta da rua à chave. Também me passou pela cabeça ligar ao Rui. Ou à polícia. Ou aos dois ao mesmo tempo, já que tenho dois telemóveis. Estou sim?! É só para dizer que perdi a minha filha dentro da minha própria casa!!!!!!!!!!!
Estava louca! Doida! Fui outra vez às escadas de incêndio gritar pelo nome dela. A Essi cada vez mais assustada e a Magali contentíssima!
E, como que por magia, oiço a vozinha dela. A Laura esteve este tempo todo (uns 3 ou 4 minutos) na casa ao lado. Na casa dos vizinhos surdos que não ouvem uma mãe desesperada a gritar pelo seu rebento! Entrei de rompante, agarrei no braço da Laura, dei-lhe 3 berros e uma palmada no rabo. Arrastei-a até casa. Ela chorou, eu expliquei-lhe que me tinha pregado um dos maiores sustos da minha vida! Está proibida de sair de casa à procura de smarties sem me avisar!!
Abraçámo-nos com toda a força do mundo e ali ficámos no mimo. Também não gostavas que eu desaparecesse, pois não? Desculpa, mamã. Não volto a fazer! Posso ir a casa do Hugo? Podes, sim!
Depois fui aquecer a sopa. E fiquei a pensar que ganda cagaço que eu apanhei. Amanhã compro os smarties, sem falta!
O Rui chegou já estava a piolha a ir para o óó. Aninhei-me a ele e contei-lhe a história. Rimo-nos. Mas acreditem que envelheci 10 anos em 5 minutos!





quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A QUEM DE DIREITO

Ano bom, ano mau, dias melhores e dias piores.
Antes de me atirar aqui à minha mais recente empreitada, venho propor uma passagem de ano de lolitas.
Tal evento pretende, assim, suprir todas as falhas que temos, algumas, encontrado neste novo ano e também reiterar outras coisas boas que, apesar de tudo, algumas lolitas dizem estar a viver.

(pequeno aparte: a minha distensão é já só uma distensãozinha, e embora o autoagrafamento da minha pessoa a um livro tenha tentado debelar a minha fé inequívoca neste ano que arranca, drenei a ferida infecta que ameaçava o meu indicador com a aniquilação total e expurguei, assim, o mal que se instalava na minha alma crente e jovial. Mas ainda dói um bocadinho...)


(2º pequeno aparte: li A VELHICE DO PADRE ETERNO ontem em 3h e fiquei com o vocabulário assim. Não posso fazer nada, desculpem. Hoje vou ler ensaios e o GUARDADOR DE REBANHOS  de trás para a frente. Amanhã sairá outra coisa, mais metafísica, sei lá. Não quero pensar, que a dor de pensar na árvore e na ceifeira que não existem lembram-me o nada de um girassol.)

Como alguém tem de pôr ordem nisto (neste ano, porque está muito desigual. Ainda não tive nenhum jantar onde aprendesse mais que em 3 meses, é injusto), aqui vai o meu


PROJECTO DE PASSAGEM DE ANO FANTÁSTICA E FENOMENAL DAQUELAS QU'A GENTE NUNCA MAIS ESQUECE. PÁ. :

a) - no previamente acordado dia 22 de Janeiro, as Lolitas reunir-se-ão no palácio da Rosa pelas 16H. Levaram consigo comida, bebida e retalhos.

 b) - diz que vai estar sol. E diz que a Eurídice não pode ficar muito tempo porque as sevícias da vida de estudante assim lho impõem, pelo que é começar logo a a costurar e a refrescar a garganta (o calor que tem feito, ui!)

 c) - antes do pôr-do-sol, as lolitas juntar-se-ão (na rua ou na varanda da Rosa) para celebrar a passagem do ano, com alegria, retalhos e luz! Porque a gente quer é sol e dias grandes para fazer muitas coisas

 d) - a passagem do ano lolita deve ser feita comme il faut, ou seja, com a observação das seguintes superstições:
         1) agarradinhas à manta (todas ao mesmo tempo)
         2) com luz do dia
         3) com alegria (vulgo: caiprinha/cerveja/água com açúcar)

E tenho a certeza de que assim, sim, ficaremos todas na paz das lolitas e em paz com o mundo e nada nos poderá fazer mal, porque passámos de ano ao sol e alegres. E 2011 é quando uma lolita quiser. E se não resultar, passamos já para 2012 daqui a uma semana, não custa nada. Diz que é bissexto e eu acho que é aziago, mas é só dizer!

o bom 2011

cheguei eu aqui cheia de boas intenções com uma vontade louca de contar às minhas lolitas como tenho estado a ter um ano fora de normal de bom e a Sophia premeia-nos com o texto que afirma exactamente o contrário... Sei que o ano tem tido dificuldades mas aquilo que eu tenho visto é altos e baixos nas lolitas, mas até muita amizade e bons planos. Lolitas que finalmente têm trabalho, outras que renovaram os contratos que já tinham, o aniversário da verinha mágica que juntou as lolitas numa noite de boa disposição e felicidade. E acho as lolitas todas mais carinhosas, mais amigas, mais próximas, mais calmas, mais felizes. Claro que a Eurídice tem uma distenção muscular e a Sophia um trabalho menos bom, é claro que há noites que nem consigo adormecer com as barbaridades que vejo no meu trabalho, a Vera tem problemas com a escola da Laurinha, etc, etc, etc, mas será isso um ano mau? Será que estas coisas fazem este um ano mau? A mim custa-me muito a acreditar nisso porque nos vejo a todas, sem excepção, mais felizes. Será tudo ponto de vista, acredito.
Tenho tido uns dias cheios de emoções felizes, cursos que me fazem sair de lá com o coração aos pulos, um jantar ontem com pessoas que não conhecia, que se estendeu noite fora onde aprendi mais do que em 3 meses de vida, o fim de semana cheio de amigos do coração, o bailado da Leonor no domingo e a família junta como nunca. Ontem nem conseguia adormecer com esta vontade louca de vos contar, a vocês lolitas (e a quem quiser ler isto) o jantar fantástico que tinha tido e as pessoas boas que conheci. E tive vontade de vos perguntar, ontem, já a meio da noite de insónias: viver é bom para caraças não é?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

o meu pai disse-me...

... que Deus existe. Mas que está sentado à esquerda de Bin Laden e que, portanto, possivelmente nunca o vamos encontrar. Disse-lhe que também sempre achei isso. Mas também lhe disse que, se o encontrarmos, temos umas contas para acertar. E com o Bin Laden também, mas menos.

O fim do mundo dentro de um ano menos 14 dias

As avós das lolitas disseram que cada dia do início do ano mostrava como ia estar a meteorologia para o ano todo: assim dia 1 de Janeiro equivalia a todo o mês de Janeiro, o dia 2 de Janeiro equivalia ao mês de Fevereiro, e assim até ao dia 12 de Janeiro. Ontem, dia 13 de Janeiro, esteve um nevoeiro fora do normal e um frio de rachar. Ora não havendo mês 13 só pode equivaler ao ano de 2012 e face ao exposto creio que é mesmo o fim do mundo.

Os maias tinham razão. E não são os do Eça de Queirós. São os outros.

Não há nada mais deprimente do que comprar o nosso próprio bolo de aniversário

mas a falta de tempo para fazer um personalizado, assim o obrigou.
Com tanto mimo e atenção que recebemos no nosso dia de anos, a entidade patronal devia ser obrigada a dar-nos o dia... é que as 24 horas não chegam para responder aos nossos amigos todos.
E cá estou com 30 anos... gosto do número. é redondinho e sabe bem dizer "trrrriiinnnntaaaaa". não dói. nunca me doeu fazer anos. nunca me sinto mais velha. continuo sem cabelos brancos e os papos nos olhos são justificados como sendo "hereditários".
Por isso, chegada aos trrrriiinnnntaaaaa passei uma boa parte da noite a retrospectivar (esta também sabe bem dizer. tentem lá: re-tros-pec-ti-var hehehehehe).
Lembro-me de ir no diane com o nela, a minha mãe e os meus irmãos em direcção à Guerra Junqueiro, e numa curva a porta abriu-se (na altura ninguém usava cintos de segurança). Devia ter uns 3 ou 4 anos e lembro-me do pânico que aquilo gerou - a minha mãe aos gritos e o nela a esticar o braço para fechar a porta enquanto tentava que o carro não capotasse. Recordo-me perfeitamente de pensar "eh pá, olha a estrada! E pela 1ª vez tive a sensação de que era amada - eles gostam mesmo de mim. não querem que eu caia para o alcatrão!".
Lembro-me do primeiro de escola. De ser o Sérgio a levar-me. Do primeiro livro que li - o papuça e o dentuça - com a minha tia Alada a ajudar-me. Lembro-me de brincar com a minha prima Sara na Malveira, às cozinheiras. Partíamos as bolachas catraias (lembram-se? aquelas que tinham os signos) e serviam de refeição para nós e para as bonecas. O Sérgio e o Gonçalo costumavam raptar o meu bebé chorão e isso dava direito a distribuir chapadas. Cresci na escola de línguas da Alada. Conheci gente de todo o mundo e aprendi a escrever em inglês antes de o saber fazer em português. Tentei aprender a tabuada a cantar (diziam que era assim que se decorava) mas eu achava uma chatice porque além de me babar toda a letra era muita parva! Lembro-me das tardes passadas na praia das maçãs e das férias em santo andré (aprendi que quando se comem bananas, não se deve ir andar de baloiço, porque há uma certa tendência a ficarmos mal dispostos). Era doida por pinipons e num aniversário recebi a casa da cidade. O meus irmãos construiam altas batalhas, numa mesa enormeeeeee, com soldadinhos de guerra e ninguém (eu) podia respirar para eles não cairem todos tipo dominó.
Lembro-me dos suspensórios dos 7 anões que a teresa e o meu pai me deram. Lembro-me dos bitoques no café da esquina ao pé das amoreiras.
Lembro-me dos natais em Évora. Lembro-me do Sérgio levar um ralhete por nos andar a perseguir com uma nossa senhora de fátima fluorescente (e eu e o gonças perdidos de riso).
Lembro-me de conhecer o Fred na primária. E de jogar tragabolas. E pulgas na cama. E ao peixinho. E à bisca.
Depois cresci. Era uma excelente aluna. Fui para o 5º ano e conheci a Joana. Passámos dias inteiros juntas. E noites inteiras a falar e a ler livros aos quadradinhos. Que cumplicidade, não era (é) Joaninha?
E depois continuo... antes que seja despedida por lolitar em vez de trabalhar!

Que venham mais trrrriiinnnntaaaaa!!!!!!!!!!!!



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A NOSSA VERINHA MÁGICA FAZ ANOS

E ela é a melhor magia do mundo!
Parabéns!

UMA AVENTURA NAS URGÊNCIAS DO S. JOSÉ (a true story) - parte II


Claro que vale a pena. Tudo vale a pena, quando a dor não é pequena. MAS ESTA É A 2ª PARTE. VIDE POST ABAIXO PRIMEIRO, s'il vous plaît.
(...)

Volto para casa, a coisa continua a doer mas os analgésicos e o sono natural da 2ª feira tratam do resto. Telefono a dizer que não estou em condições de trabalhar, que amanhã estarei melhor, "mil desculpas, telefona se houver algum problema".

3ª feira, dia 11 de Janeiro, acordo no mesmo estado que no dia anterior mas meto logo dois analgésicos no bucho. O dia passa-se dentro do possível mas, numa consulta de rotina, o senhor doutor olha para mim, coxa e cambaleante, desprovida da minha natural graciosidade, e diz-me para eu ir às urgências, que aquele tronco não era o meu tronco. A medo, pergunto "às urgências? tem a certeza? será mesmo necessário?" A gente ouve histórias, adivinha como será mesmo sem ter lá estado. Haveria necessidade. "Faça-me esse favor e vá ver isso!"

E a Eurídice, a doce e ingénua Eurídice (sim, sou uma donzela neste episódio) lá se desloca às fatídicas urgências, onde começa a nossa história (para a próxima opto pelo estilo "in media res", para vos poupar a amarguras prosaicas. Para a próxima, será épico").

Elenco cronológico dos acontecimentos da passagem da noite de 12 para a manhã de 13 (agora na 1ª pessoa):

20h15 - admissão nas urgências. Pagamento da taxa moderadora.
20h20 - é-me atribuída a pulseirinha verde (na imagem) - significado da pulseirinha verde: não está a esvair-se em sangue, não traz um braço na mão nem tem a cara no sítio do rabo...não é urgente mas vamos deixá-la pensar que sim.
20h30 - penso "até agora, não percebo o porquê de tanto debate e queixa. Entrei agora mesmo e já sabem que sou verde. E que tenho a oxigenação a 100%. Muito eficiente, sim senhores."
20h40 - telefono à mãe ("Não, mãe, não preciso que venhas de cascos de diabo mais velho, com o pai, até aqui, para me fazeres companhia. Isto há-de ser rápido, eu já sou crescida, sei tomar conta de mim e toruxe chocolate comigo. Vamos falando")
21h - "ainda não chamaram ninguém, que estranho..."
21h20 - "olha, tão a chamar alguém!"
21h55 - "não, mãe, não preciso que venhas aqui ter, a sério. 'Tou óptima. Deixa-te estar. Sim, já comi. Não, não tenho frio."
22h30 - "olha, chamaram outra pessoa"
23h - "olha! Revistas!"
23h10 - "olha, o miguel esteves cardoso consumia cocaína desde os 14 anos. Grande estróina. E esta está grávida. Chiça, toda a gente a parir, hoje em dia. Ah, espera, esta revista é de 2008..."
23h55 - estou nervosa. dói-me tudo, já não tenho posição. Dirijo-me ao balcão de entrada e pergunto quanto tempo falta para ser a minha vez, porque não me estou a sentir muito bem, as dores pioraram, estou a tremer. ""Depende das horas a que entrou, menina. O senhor que foi agora para a consulta chegou cá às 17h. A que horas entrou a menina"
23h56 - suores frios, visão turva, quebra de tensão
23h57 - "oiça, eu preciso de ver alguém, diga-me com quem é que tenho de falar para saber se é melhor ir para casa, se devo ficar." "Pois, não sei, menina. Eu acho que tem de esperar a sua vez. Daqui a 3 horas é capaz de ser atendida."
00h10 - convencida de que está um único médico "lá dentro" a atender dezenas de pessoas moribundas, entro na "área reservada" para pedir ajuda àquela alma torturada.
00h15 - encosto-me à parede a chorar de desespero e dores enquanto por mim passam umas dezenas de médicos, uns ao telefone com a namorada, outros a contar a bebedeira do amigo à enfermeira, outros que passavam de 5 em 5 minutos ora com bata ora sem bata, outros ainda que, a avaliar pela passada, pareciam estar no parque a desfrutar do fresquinho da madrugada.
00h40 - ainda a chorar, uma recepcionista pergunta-,me se estou ali sozinha, diz-me que não se deve estar sozinho nas urgências e arranja-me uma enfermeira.
01h10 - espero de pé que a enfermeira apareça. Pergunta-me "nunca teve dores, é? Nunca lhe doeu nada na vida" Voltei ao infantário, só faltava a taça de alface.
01h30 - estou a ser vista por uma médica que me toca com relutância e repugnância na costela afectada. Escreve no computador durante 15 minutos, dá-me um papel para fazer raio-x e análises. Pergunto-lhe "tem ideia do que possa ser?" "Pode ser muita coisa. Pode não ser nada. Eu não sei. Não sei."
01h45 - "espere aqui na salinha um bocadinho que já a chamo com os resultados.
01h47 - chegam os pais, à revelia. A mãe traz bolachinhas e mimo.
01h59 - gozamos com a médica que nada sabe. gozamos com o médico que não consegue dizer os nomes de ninguém no intercomunicador, pelo que ninguém se levanta quando é ele a chamar.
02h30 - deve estar quase. Era "um bocadinho"
03h25 - deve estar mesmo quase. "Já passaram duas horas, caramba"
03h30 - "Eurídice Gomes, balcão dos verdes" Lá vou eu. A menina diz que as análises não acusam nada e o raio-x também não. No entanto, como as dores são muitas, sugere-lhe o meu tronco defeituoso e desequilibrado e as dores de que padeço ao mais ligeiro toque que posso ter a costela partida. "Tem de ir para ortopedia"
03h40 - Bato à porta da ortopedia. Lá de dentro, um sujeito que admito poder ter tirado o curso o curso de medicina mas que não teve mãe para lhe ensinar maneiras pergunta-me "O que é que está aqui a fazer?" "Estava aqui no bairro e lembrei-me passar por aqui para ver se precisava que alguém lhe pontapeasse a masculinidade e ensinar boas maneiras", não respondi eu. Mandou-me esperar, que já me chamava. Saiu da cadeira onde estava estirado a olhar para o computador e dirigiu-se a outra sala para atender um paciente com um braço partido que o esperava.
03h50 - volta à sala, manda-me entrar e pergunta-me o que tenho. Explico. Pergunta-me se a médica que me mandou ali era novinha. Tinha de ser, porque costelas é ossos mas não é ortopedia, é cirurgia. Chama uma enfermeira para me levar à cirurgia, não sem antes percorrermos todos os gabinetes em busca da bruxa má que lhe perturbou a noite e lhe enviou uma costela que não era da competência dele.
03h59 -  cirurgia. "Oiça, não tem nada nas análises, o raio-x não tem nada. Dá-se bem com Nolotil? Óptimo, tome estes enquanto lhe doer" "Quanto tempo vai ser isso?" "No mínimo, se ficar quietinha, um mês. AS melhoras"
04h05 - tenho alta do serviço de urgências de São José, com uma receita de analgésicos na mão, dores intensas no músculo intercostal (agora sim, sei que é uma distensão muscular) e uma história para contar.

Foi no São José, podia ter sido no S. Francisco Xavier. Também já lá estive em pequena, quando soprei para dentro de um cinzeiro e fiquei cega de um olho durante uma semana, quando desloquei o pulso ao cair de um escorrega (era para a frente, não para o lado que se deslizava) e quando engoli uma espinha, que parecia o osso de um dinossauro. Por estas 3 visitas anteriores, achei que a experiência tinha de falar mais alto e impedir-me de lá voltar. Para a próxima, experimento o Santa Maria. Oiço dizer que ao menos tem acção, com estropiados, berros, rixas, braços em gelo na mão do cunhado...