quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Uma roda por dia nem sabe o bem que lhe fazia

Eu queria acreditar que a escola tinha mudado muito desde a minha altura. Os jardins de infância que a Laura frequentou fizeram-me acreditar ainda mais numa escola onde se aprendia a brincar, onde se respeitavam as características de cada aluno e se as aproveitavam para uma aprendizagem criativa e positiva.

Mas agora, não sinto nada disso. Os miúdos que só vivem neste mundo há uns 5, 6 anos, são obrigados e ficar fechados dentro de salas, sentados, quietos e de preferência calados, porque entraram para essa grande instituição "a escola dos crescidos". E se ser crescido significa não ter tempo para brincar, se significa levar gritos dos adultos porque se escreveu com esferográfica e não com lápis, se significa levar trabalhos para fazer em casa, religiosamente, todos os dias da semana, não permitindo a descontração e a brincadeira em casa, apesar de já terem feito mil e uma fichas nas horas que estiveram na escola, então ser crescido é uma bela duma merda.

A escola não é gira. Já não se dão reguadas, mas não se permite às crianças que sejam isso mesmo: crianças. Há uma pressa em fazer deles "homenzinhos" e "mulherzinhas" submissos, calados e quietos, como se de máquinas se tratassem, cheios de regras, muitas das vezes absurdas e antipedagógicas, onde as notas valem muito mais que os valores.

Já repararam que os nossos filhos trabalham muito mais horas do que nós?

A Laura está contente. Gosta de ir para a escola. Gosta dos colegas e das aulas de expressão dramática. Não gosta da professora porque ela lhe grita. Não gosta de fazer os trabalhos de casa porque já fez inúmeras fichas na sala de aula e está saturada.

Falei com vários amigos com filhos mais velhos que a minha. "Vai correr tudo bem, é mesmo assim. Há um período de adaptação. Sim, o ensino está uma desgraça. Mas ela vai sobreviver".
Eu não tive filhos para que eles sobrevivam. Eu tive uma filha para que ela viva.

Ontem levou bolinha vermelha porque fez a roda no meio da sala quando a professora lhe chamou a atenção. E ela nem percebe muito bem, porque é sempre correta, educada e gentil com toda a gente, especialmente com os adultos. Gostava de ter tido bolinha azul, mas o vermelho até é a cor preferida da sua mãe e fazer a roda depois de uma manhã inteira a aprender foi o que lhe soube bem.
Até porque com os TPCs diários dificilmente arranjará tempo para regressar às suas aulas de dança... e a miúda tem que gastar aquela energia de alguma maneira.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Há dias em que tenho 5 anos

Ainda não consegui parar de rir com este vídeo (obrigada M., por saberes como me fazer rir às gargalhadas)!



As lolitas são amigas do ambiente!

Este projecto da Handprints Crafts é maravilhoso e amigo do ambiente.
Além do mais os sapatos são maravilhosos e coloridos... Mesmo como as lolitas gostam!

Leiam e apareçam!
Eu vou lá estar.



A Handprint Crafts estará presente no Out LxMarket no próximo Domingo, 29 de Setembro no último OUT JAZZ deste Verão.

Seis meses depois da Handprint Crafts ter sido premiada (graças aos vossos votos, muito obrigada mais uma vez!) com um prémio da Benetton/Unhate Foundation iremos apresentar pela primeira vez ao público, os Amazonian Rubber Shoes, sapatos feitos 100% de borracha natural Amazónica. 
 
AMAZIONIAN RUBBER SHOES 
O nosso primeiro produto são os Amazonian Rubber Shoes feitos com borracha extraída da floresta Amazónica. Da colheita do látex até à última etapa de secagem dos sapatos, todos os estágios do processo de produção são totalmente amigos do ambiente. Este método inovador permite um baixo consumo de recursos, exclui o uso de electricidade e apenas uma pequena quantidade de água é necessária. Os Amazonian Rubber Shoes são sapatos amigos do ambiente que contribuem para a conservação e diminuição do desmatamento da floresta Amazónica através da valorização económica das árvores de borracha de pé e vivas.

HANDPRINT CRAFTS
A Handprint Crafts é um projecto de design social com o objectivo de capacitar e fortalecer artesãos que produzem artesanato sustentável e amigo do ambiente. Queremos contribuir para o desenvolvimento de artesanato produzido a nível local e de forma sustentável, por conseguinte visamos proteger patrimónios culturais e populares. A Handprint Crafts centra-se na melhoria das condições das comunidades locais em três dimensões específicas: social, ambiental e económico.

ARTESÃO
Estes sapatos coloridos são o resultado do trabalho criativo de um artesão brasileiro, o seu sonho é ter os seus sapatos espalhados pelo mundo, levando a sua história com eles e um pouco da essência da floresta amazónica. A Handprint Crafts quer tornar o seu sonho realidade, Lisboa e Amsterdão são, no momento, o porto intermediário.

Vem visitar-nos e traz amigos! 
Aqui fica o evento no Facebook.

love, Andreia

2ª semana de aulas sem professor

Pensava eu que ia mais furiosa, raivosa, revoltada e a espumar pela boca do que qualquer encarregado de educação daquela escola. Só não me lembrei que eu sou novata nesta coisa do 1º ciclo. Há gente que lida com isto há quatro anos. Por isso, havia gente bastante mais exaltada do que eu, que gritou, reclamou e esbracejou.

Ficámos a saber que (talvez) na 2ª feira já pode haver professor para o 1º ano. Que este atraso todo é culpa do Ministério da Educação que bloqueou o processo com burocracias, uma vez que se trata de uma escola TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), não foi possível iniciar-se a contratação de escola mais cedo.
O Director do agrupamento prometeu combater este cenário durante o próximo ano, para evitar futuras situações de turmas sem professor.

Também fiquei a saber que os alunos do 4º ano não têm porta na sala (sim, leram bem), porque a Parque Escolar não deu dinheiro para a arranjar.
Isto também é válido para uma "divisória" no recreio que divida os alunos do 1º ciclo do 2º e 3º ciclo (existe portanto uma linha imaginária, sem custos) e para a caldeira do balneário dos rapazes.

Há filas intermináveis para a compra de senhas de refeição porque não há pessoal - existe uma tesoureira para 1000 alunos e não há dinheiro para contratar mais pessoal.

Para terminar, houve queixas em relação aos alunos frequentarem as piscinas municipais 1 vez por semana. Porque chegam a casa muito cansados. E nem mesmo quando o Director os chamou à razão "há crianças que se não aprendem a nadar através da escola, nunca o vão fazer porque os pais não têm posses para isso", mudaram de opinião.

Vi professores dedicados que gostam daquilo que fazem. Que gostam de ensinar e que gostam das crianças.
Que se riram quando lhes perguntei se não havia maneira de pressionar as entidades (in)competentes, porque não têm eles feito outra coisa.
Pude finalmente agradecer pessoalmente à professora dos "meninos crescidos" que "acolheu" a minha filha.

A Laura não chorou mais para ir para a escola. Ainda não percebeu muito bem porque é que não tem professor, mas eu pedi-lhe para confiar em mim, que em breve irá para a sua sala de aula aprender a ler e a escrever.
Já é conhecida como a menina "despachada", que tem sempre alguma coisa para dizer.

Há falta de professores, inclusive do ensino especial, há falta de auxiliares e de pessoal administrativo (o que não se entende com tanta gente desempregada!) e os edifícios estão degradados (o caso do Liceu Camões é outro escândalo). Onde deveria ser a 2ª casa dos nossos filhos. Onde deveriam ser acarinhados e respeitados - O Ministério da Educação e a Parque Escolar não têm feito outra coisa se não desrespeitar a escola pública e a comunidade escolar (em particular, professores e alunos).

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A primeira semana no 1º ano

- Continua sem professor e passa o dia na sala dos "crescidos" a fazer desenhos e a escrever a palavra "ovo".

- Hoje, no meio da brincadeira pré-banho, disse "cu", riu-se e nós não!

- Tem duas colegas "incranianas" - com esta ri-me, claro.

- Uma das novas regras no 1º ciclo é que não se pode conversar durante as refeições - regra essa que terei que investigar, uma vez que os miúdos já passam horas a fio fechados dentro de salas, era só o que faltava não poderem falar uns com os outros enquanto comem.

- Outra regra é que não posso entrar no CAF quando vou buscar a miúda, porque gera muita excitação nas crianças e ficam desconcentradas (enquanto lancham)... pergunto-me se têm crianças dentro daquela sala ou animaizinhos ferozes que ninguém controla. Pergunto-me também qual o nível de concentração exigido para a hora do lanche.

- A segurança da escola é anedótica, nunca ninguém me pediu identificação e ontem apanhei um miúdo que tinha fugido do CAF pelo 2º dia consecutivo. No 1º dia não tinham dado pela falta dele, sequer - a auxiliar que estava ao portão confirmou que o menino tinha andado por ali ao final do dia e que a mãe o tinha vindo buscar ao portão e não dentro das instalações do CAF, onde era suposto.

- Ninguém me sabe dar informações sobre as AECs, o que é no mínimo estranho, porque a miúda já teve música, teatro e duas aulas de ginástica. Ninguém sabe de nada, mas lá que elas andam por aí, lá isso andam, ou então a minha filha tem uma imaginação muito fértil.

- Leite escolar, até agora, nicles!

- Caiu-lhe uma das patilhas do fecho da mala, ela chorou e a professora que a está a acompanhar consolou-a e pôs um clip para ela conseguir abrir e fechar a mala.

- Já faz o pino durante 10 milésimos de segundo e faz cambalhotas para a frente e para trás com uma facilidade que eu invejo.

- Já teve que mostrar de que fibra é feita a uma miúda mais velha que se meteu com ela. Mas também há um grupo de "mais crescidas" que a protegem, chamam-lhe Laurinha, abraçam-na e enchem-na de beijinhos como se fosse uma boneca.

- Não voltou a chorar para ir para a escola e tem saído da feliz da vida.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Hoje a minha filha foi para a escola a chorar

porque ainda não tem professor. Porque não gosta de estar na sala do 4º ano. Porque ainda não percebeu quem são os colegas com que vai partilhar a sala. Porque nunca imaginou que a entrada para a escola seria assim... com tudo ao contrário do que a mãe, o pai, os avós, os tios, os primos e os amigos lhe foram dizendo que seria entrar para o 1º ano.

Mas diz o ministro da educação que está tudo a funcionar correctamente.
Se por "correctamente" quer dizer que há escolas que ainda não abriram por falta de pessoal, que há crianças do pré-escolar e do 1º ciclo sem professor, que está instalado o caos, então sim, se é esse "correctamente", então eu aceito.

Este governo está a destruir a nossa escola pública. A desrespeitar professores, alunos, pais e toda uma sociedade que contribui com os seus impostos.

É suposto a escola onde passam 8, 9 e até 10 horas por dia seja um sítio de estabilidade e de carinho e não um sítio desorganizado e assustador, onde ninguém está satisfeito nem motivado.

Passei o dia com o coração apertadinho, a pensar como estaria a piolha. O dia acabou por lhe correr bem. A professora do 4º ano deu-lhe um trabalho para fazer e como correu tão bem, mostrou-o à turma dos "meninos mais velhos".

Só me resta agradecer à professora que entre dar o programa aos alunos do 4º ano, ainda tem que se desdobrar em mil para cuidar de umas quantas crianças do 1º ano que caíram ali de páraquedas.

E Crato... uma imagem vale mais que mil palavras.




"Não se pode ensinar bem o que não se sabe bem" - Um ministro da educação que atribui a culpa da falta de professores nas escolas à falta de interesse dos mesmos nas vagas, só pode significar que não conhece minimamente a realidade do ensino no nosso país. E isso, além de ser altamente insultuoso, só pode significar DEMISSÃO!

A bem ou a mal vamos ter que dar a volta a isto!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Avante foi... (visto pela pequenina)


  • as Amigas: o estar, o poder descansar, o abraço, o sorrir, a cumplicidade, as músicas cantadas no olhar...
  • as saudades da carvalhesa.
  • perceber que o momento em que se vai ao chão na carvalhesa que não fazia sentido aos 28 faz todo o sentido aos 30 anos, nem que seja para respirar.
  • "em '77 foi na fil"
  • ver o sérgio godinho, finalmente
  • a corrida mais louca do mundo em slalom para fazer xixi
  • o pisco challenge
  • o poder estar sozinha, o arrepio e as lágrimas no 1º de maio
  • o xixi no xeixal
  • "um abraço ao joão"
  • o gigante na bolsa mais pequenina
  • as imperiais, agora pago eu, depois pagas tu
  • as pulseiras com o telefone da mamã
  • as conversas e os conselhos
  • as boleias que são a melhor coisa do mundo, desde os encontros em benfica até ao chegar a casa depois da distribuição
  • a kangoo sem direcção assistida, nem imagino o avante sem ela, e descobrir que portas abrem ou não, a que velocidade é que se vai e se chegamos a lisboa
  • o momento de "é a primeira vez que vens ao avante, não é?"
  • a internacional e a voz a tremer
  • o estar sempre no chile, como se não houvesse mais nenhum sítio no mundo onde apetecesse estar
  • "nunca mais venho à sexta porque é muito cansativo e ao sábado se calhar também não"
  • os miúdos
  • o algodão doce
  • as birras e as rifas
  • as andorinhas mágicas 
  • o melhor lugar de estacionamento do mundo à sombra
  • o orgulho de estar na primeira fila do concerto do namorado da amiga e poder passar-lhe as mãos nas costas e olhá-la com os olhos lacrimejantes e dizer "foi brutal!"
  • as tradições
  • os macacos pretos do nariz
  • a rouquidão
  • os encontros com quem já marcamos "vemo-nos para o ano, aqui"
  • as princesas tererecas
  • as fitas coloridas
  • o lenço dos crocodilos partilhado, quer em 2 pescoços quer no chão pelas crianças
  • o poder finalmente respirar com as amigas no pré-avante
  • a gargalhada que afasta pensamentos maus
  • "a bandeira é de que cor?"
  • o ponto de encontro, sem dúvidas, como se houvesse outro...
  • o trânsito completamente parado e os telefonemas 
  • as leggings que dão vontade de fazer xixi
  • o fogo de artifício
  • o "camaradas e amigos a festa terminou"
  • ...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

as lolitas vistas por uma adolescente

há comentários que têm mesmo de vir para o blog das lolitas. estava eu a falar com a minha prima mais velha (13 anos) sobre o Avante e ela, muito entusiasmada, pergunta se as minhas amigas simpáticas vão todas. e foi assim que se referiu a elas:

- a mais velha
- o rapaz das barbas tão simpático e a namorada (foi despromovida, esta)
- a pequenina
- a mãe da Laura

e agora para 50.000€, quem é quem? (eu sou a prima linda, a Eurídice eles não conhecem, estamos fora!!)

domingo, 25 de agosto de 2013

Cuidado Casimiro


Acho que todos devíamos estar atentos!
Ao que consta a Cinemateca corre o risco de não abrir portas...
Querem-nos estúpidos e acéfalos. E a melhor forma que têm de o fazer é cortar-nos a Cultura!

E nós?!
Vamos deixar?!
Quem quiser aqui está a petição!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Autch!

- a Magali teve outro ataque epiléptico e é sempre horrível assistir a uma coisa destas. Doeu-me de tal maneira que chorei.

- bati com o dedo pequenino do pé na esquina do carrinho de chá que está no corredor e quando ainda estava a recuperar o fôlego, bati com o cotovelo na parede. Doeu-me tanto que deixei de respirar.

- a minha filha viu um gato morto e fez a cara mais trágica do mundo quando lhe disse que não o podíamos salvar. Chorou com uma tal tristeza, incompreensão e desespero que fez parar o trânsito nas avenidas novas. Doeu-me de tal maneira que nem tenho palavras.

- a hortelã e o manjericão não gostaram da onda de calor e secaram. Ainda não tive coragem para me desfazer dos ramos secos.

- fui ao dentista sem me doer nada e saí de lá cheia de dores. De tal maneira que andei a sopas e a iogurtes líquidos.

- O H. arranjou um banjo e os músicos do 1º andar (minha casa incluída) andam doidos com aquilo... aquele som entra-me pelos ouvidos como se me espetassem agulhas e tenho a sensação de que a minha cabeça vai explodir a qualquer momento. Quando me dói tomo um benuron.

- A minha mãe fez anos e não lhe dei flores. Vai-me doer sempre.

- Disse à Laura: filha, preciso de falar contigo sobre os teus anos. Ela interrompe-me: "Mãe, eu percebo, a sério. Não precisas de me dar uma prenda, mas posso ter cá os amigos para brincar?". Doeu-me de tal maneira que acho que morri um bocado. Porque queria vê-la com os olhos de bambi, com as palmas daquelas mãozinhas de boneca juntas, a pedir "gostava tanto, mas tanto, de ter. Posso mãe, posso? Por favor, vá lá, vá lá, por favor", com um sorriso meiguinho que me põe zonza de tão fofo que é. Só lhe queria falar sobre o bolo e sobre as brincadeiras.Porque é óbvio que vai ter as prendas que nós lhe podermos dar. Achava eu que a protegia da realidade miserável que vivemos neste mundo por não vermos televisão, por nunca lhe faltar nada. Mas ela tem olhos e ouvidos. Só não queria que ela deixasse de sonhar. Para a próxima prefiro uma bela birra de menina insolente, em vez desta chapada de menina crescida e consciente.

- Ainda não estou de férias.



domingo, 4 de agosto de 2013

O dia da minha mãe

Todos os anos desde que a minha mãe partiu, ia com o meu pai emprestado ao cemitério.
Comprávamos as flores mais bonitas, regateávamos o preço e riamo-nos com isso. Descíamos lentamente até ao sítio onde estava a campa. Pousávamos as flores e eu deixava-lhe uma carta. Chorávamos. Limpávamos as lágrimas e iamos almoçar a sítios lindos para festejar o aniversário dela. Com toda a certeza que ela gostaria disso.
Da primeira vez, custou-me imenso. Não conseguia controlar a tristeza e o vazio que estava a sentir. Depois, sem saber bem porquê, percebi que me sabia bem. Sentia-me mais leve, mais aliviada. Com um grande vazio, mas menos sofrido.
Então, comecei a ir mais vezes. Sozinha. Levava-lhe as flores mais bonitas e uma carta a contar como estava tudo e o quanto gostava dela. Por engano, deixei várias vezes as flores e as cartas na campa do lado. E no dia de anos dela, com o meu pai emprestado, riamo-nos quando eu lhe dizia "ai é aqui? acho sempre que é a do lado".

Mãe:

Estamos todos bem. 
O R. diz que a Laura tem o meu sorriso. Eu reconheço o teu nos lábios dela, naqueles olhos que riem, nas covinhas daquelas bochechas gigantes.
Obrigada pela alfabeto feito em cartolina, por vires a correr quando tinha os pesadelos com as girafas a entrarem pela janela do meu quarto, por estares lá sempre que estava doente, por me dizeres que tudo ia correr bem, pela lasanha com as natas de soja, pelos banhos no alguidar, por me teres oferecido o Bob, por me teres dado a conhecer a Lídia Jorge e o Vergílio Ferreira, pelo Miró e pela Vieira da Silva, por não teres medo de andar de carro comigo, pelas tardes de Inverno no Guincho, por me deixares dormir até tarde, por me deixares plantar contigo os coentros e as roseiras, por só quereres que fosse eu a pôr-te o lenço na cabeça e obrigada pela última promessa que me obrigaste a cumprir.
Desculpa por não te ter deixado partir mais cedo e desculpa, mais uma vez, por te ter forçado a comer a gelatina.
Adoro-te.
Muitos parabéns.
Volta depressa.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

O que conseguimos fazer em duas horas

Quem me conhece sabe que sou um bocado para o acelerada (para não dizer stressada), mas quando se trata da minha piolha, gosto das coisas com energia, mas com o timming necessário para disfrutar de cada momento. Gosto que as manhãs respeitem o ritmo dela, a preguiça dela e que sejam cheias de mimo e paciência. Mesmo com tudo por fazer em casa, gosto de a ir buscar à escola com calma, de virmos a conversar no caminho, a observar as andorinhas, os bichinhos de conta e os formigueiros.
A minha criança tem sempre imensa coisa para dizer. Hoje foi ao planetário e as constelações que mais a fascinaram foram "o touro, a ursa maior e a ursa bebé". Pensava que na segunda-feira ia para o 1º ano, porque na sexta-feira termina o ATL. Ficou um bocadinho desiludida, mas conversámos sobre as férias e sobre as coisas maravilhosas que vamos fazer e ela aceitou. Motivação não me parece que seja um problema, pelo menos, por enquanto.
Banho em modo expresso (leia-se duche), creminho, massagem, miminhos. 30 beijos recebi por lhe ter comprado uns autocolantes em forma de coração para ela fazer os convites para a sua festa de anos para dar amanhã aos coleguinhas da escola.
Recortes, canetas de feltro, coraçõezinhos pirosos, balões e convites assinados e personalizados. Revemos o texto. Fechámos envelopes. Jantámos. Conversámos mais um bocadinho no sofá. Apesar de a M. a arreliar - hoje tentou cuspiu-lhe para cima - ela já lhe tinha prometido que a convidava para a festa e não devemos faltar com a nossa palavra. Porque ela não quer que a M. fique triste. E eu também não preciso de me preocupar porque no final da festa ela arruma o quarto todo.
Lavar os dentes, abanar o dente que não tarda cai (faz-me tanta impressão!!!!), hora da história, festinhas no cabelo e bons sonhos.
Ela adormece tranquila.
Devagar, devagarinho, os valores da amizade, do respeito pelo próximo vão lá ficando. E é nestes dias em que sinto que "we are doing it right".
A nossa menina está a crescer feliz.
E o meu coração quase explode só de pensar que fomos nós que fizemos esta criaturinha. A mais doce que alguma vez podia imaginar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sobre as 40 horas semanais

Laura... Sabes aqueles dias magníficos em que o papá te vai buscar mais cedo à escola? Aqueles dias em que podes ir andar de baloiço ou ir passear ao jardim? Aqueles dias que parecem maiores porque em vez de 9 horas passadas na escola, passas apenas 8 e isso faz toda a diferença?
Pois bem, alguém achou que nem tu, nem o teu pai, nem eu merecemos isso. 
Alguém achou que trabalhamos poucas horas, que produzimos pouco (seja lá o que isso signifique) e que devemos trabalhar mais 1 hora.

Apesar de não ser funcionária pública, a minha filha vai ter que trabalhar mais 1 hora por dia, 5 dias por semana. Nem 6 anos tem.
As minhas cadelas vão passar a esvaziar a bexiga 1 hora mais tarde.
E eu estou passada dos carretos com esta medida! Já não aguento o "discurso do empreendedor" que temos que produzir mais, que temos que trabalhar mais horas e o que os funcionários públicos passam o dia a coçar a micose e deviam trabalhar as mesmas horas que os do privado. É um discurso idiota, invejoso e mesquinho.
Enquanto andarmos ocupados a apontar o dedo a direitos fundamentais dos trabalhadores, conquistados com enorme esforço, em vez de lutarmos para termos a vida e a dignidade que merecemos não vamos a lado nenhum. E que tal os do privado trabalharem 35 horas semanais, em vez das 40?

Parece que agora só não é crime querermos trabalhar até morrer. 
Tempo para passear, descansar, namorar, foder, ler um livro, ir ao cinema, ver as vistas, ouvir música, contar as estrelas? Está tudo maluco? Qualquer dia querem viver, não? Nã nã! Trabalhar é que é bom! Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Acabem-se os feriados, as horas extraordinárias pagas como deve ser, os subsídios de natal e de férias e com as baixas. Férias. Que acabem com as férias também! E com as famílias! Que se comece a viver no local de trabalho. A dormir lá. Os nossos miúdos já passam tanto tempo na escola, dá-se-lhes um saco-cama e eles ficam na boa a viver na sala de aula. Com alguma sorte, ainda nos dão o Domingo para matarmos saudades. Ou não. Fechem-se as portas das galerias do povo, para que as leis possam ser aprovadas à porta fechada. Escravos, submissos, endividados com dívidas que não contraímos, completamente vazios de acção, resignados. É assim que nos querem.

São mais 5 horas de trabalho por semana, pagos a custo zero, são 260 horas num ano que a minha filha vai passar na escola. Em vez de regar as nossas plantas, levar as nossas cadelas a passear ou ler um livro aninhada nos braços de quem mais ama.


Já a minha avozinha dizia que "quem não deve, não teme". Não podemos continuar a ser (des)governados por quem tem medo de nós!
Para a próxima que não sejam os inocentes a abandonar o parlamento!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Em modo Sininho

A Educadora da Laura é extraordinária. Não quer terminar o ano sem que as crianças dela festejem o aniversário com os colegas da sala.
Ora, a Laura faz anos em Agosto. E queria um bolo da Sininho.
Procurámos pela cidade inteira e nada de Sininhos. O pai lá encontrou uma - o único exemplar - e que fez os olhos da Laura brilhar tipo estrela polar.
Depois entrei em stress porque não sabia se ela ia apagar 5 ou 6 velas... Dizem que dá azar festejar antes do tempo, e no meu caso, i don't give a shit, mas no caso da minha filha, preferi não arriscar.
Apagar cinco velas também não fazia grande sentido. Decidimo-nos pelos 5 anos, 10 meses e 10 dias que faz amanhã.

Agora é fazer figas para que a febre que a tem perseguido páre de nos pregar partidas de mau gosto para ela ter um dia mega feliz.

Aqui entre nós, acho que esta sininho é mágica: desde que chegou cá casa, o governo tem caído tipo dominó. Gosto! Gosto muito! Gosto tanto!